Preço do chocolate sobe 10,7% em 2026 e mercado movimenta bilhões no país

Celebrada em 7 de julho, a data destaca um mercado bilionário que enfrenta desafios de custo, mas mantém o consumo em alta no Brasil

, em Uberlândia

O Dia Mundial do Chocolate, comemorado nesta segunda-feira (7), coloca em evidência um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros. Mas quem passou recentemente pelo corredor de doces dos supermercados percebeu outra realidade: o chocolate está mais caro. Dados da Scanntech mostram que, entre janeiro e maio de 2026, o preço por volume do produto no varejo brasileiro aumentou 10,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Preço do chocolate
Produção de chocolate avança, enquanto preços sobem mais de 10% no Brasil – Crédito: Freepik/Reprodução

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Produção cresce mesmo com preço do chocolate nas alturas

Apesar do encarecimento do produto, a indústria brasileira mantém crescimento na produção. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), o país produziu 814 mil toneladas de chocolate em 2025, frente às 806 mil toneladas registradas em 2024, avanço de cerca de 1%.

Os números refletem a estabilidade de um setor que movimenta bilhões de reais e reúne desde o cultivo do cacau até a fabricação e comercialização dos produtos.

Chocolate nasceu como uma bebida amarga

Muito antes de ganhar barras, bombons e ovos de Páscoa, o chocolate era consumido de forma bastante diferente.

A história do cacau começou há mais de cinco mil anos, com o cultivo do cacaueiro na região do atual Equador. Depois, a planta se espalhou pela Mesoamérica, tornando-se parte da cultura de civilizações como maias e astecas.

Segundo a historiadora Ana Paula Aguiar, autora do Sistema de Ensino pH, o cacau tinha funções que iam muito além da alimentação.

“Para esses povos, o cacau era muito mais do que alimento. Ele estava presente em rituais religiosos, cerimônias políticas e chegou a ser utilizado como moeda em determinadas sociedades.”

Na época, o “xocolatl” era preparado com água e especiarias, resultando em uma bebida amarga, bem diferente do chocolate conhecido atualmente.

Industrialização ampliou o consumo

A chegada dos europeus às Américas, no século XVI, transformou o consumo do cacau. A adição de açúcar e leite adaptou o produto ao paladar europeu, enquanto a Revolução Industrial, no século XIX, reduziu custos de produção e popularizou as barras de chocolate.

Para Ana Paula Aguiar, a trajetória do cacau ajuda a compreender mudanças econômicas e culturais ao longo da história.

“A trajetória do cacau revela como os alimentos também contam histórias. Eles mostram encontros entre culturas, relações de poder, transformações econômicas e mudanças nos hábitos de consumo ao longo do tempo.”

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Brasil segue entre os principais produtores

O cultivo de cacau faz parte da história econômica brasileira desde o período colonial. A Bahia tornou-se um dos maiores polos produtores do mundo durante o ciclo do cacau e, atualmente, divide a liderança nacional com o Pará.

Mesmo após os impactos da doença conhecida como vassoura-de-bruxa, que atingiu as lavouras baianas a partir da década de 1980, o Brasil permanece entre os principais produtores mundiais e vem ampliando a oferta de cacaus especiais e chocolates de origem.

Mercado ajuda a explicar a economia global

A cadeia produtiva do chocolate também ilustra como funciona a economia mundial. Conforme explica Ana Paula Aguiar, a maior parte do cacau é cultivada em países do Sul Global, enquanto as etapas de maior valor agregado, como processamento industrial e comercialização, concentram-se em nações desenvolvidas.

Essa dinâmica ajuda a entender por que fatores internacionais influenciam diretamente o preço do chocolate que chega às prateleiras brasileiras.

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