“Pix americano”? Veja diferenças que separam Zelle e Pix

Comparação entre o Pix e o chamado “Pix americano” voltou ao debate após críticas dos EUA ao sistema brasileiro e declaração de Eduardo Bolsonaro

, em Uberlandia

O termo “Pix americano” ganhou destaque nos últimos dias após declarações envolvendo a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos. O assunto entrou no centro das discussões depois que autoridades americanas questionaram o modelo brasileiro de pagamentos instantâneos e surgiu a comparação entre o Pix e o Zelle, plataforma utilizada nos EUA.

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Zelle é uma rede americana de pagamentos digitais administrada por uma empresa privada – Crédito: Reprodução/Divulgação/Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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A expressão foi mencionada pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que afirmou que o Zelle poderia ser considerado uma espécie de equivalente americano do Pix. A declaração repercutiu nas redes sociais e reacendeu o interesse sobre as semelhanças e diferenças entre os dois sistemas.

Apesar de ambos permitirem transferências rápidas de dinheiro, mas existem características importantes que diferenciam o funcionamento das plataformas.

O debate ganhou força após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos questionar aspectos relacionados ao Pix, especialmente o papel exercido pelo Banco Central na operação e regulação do sistema.

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Estruturas diferentes

A principal diferença entre o Pix e o chamado “Pix americano” está na origem de cada sistema.

O Pix foi criado pelo Banco Central e funciona como uma infraestrutura pública de pagamentos instantâneos. Além de desenvolver a tecnologia, a autoridade monetária também estabelece as regras para participação das instituições financeiras.

Já o Zelle surgiu por iniciativa privada. A plataforma pertence à Early Warning Services, empresa controlada por alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos. Dessa forma, a presença do serviço depende da adesão das instituições financeiras à rede.

Na prática, isso significa que o sistema brasileiro possui uma padronização maior e alcance mais amplo dentro do mercado nacional.

“Pix americano” possui menos opções de identificação

Outra diferença importante está na forma como os usuários recebem transferências.

No Pix, é possível cadastrar diferentes tipos de chave, incluindo CPF, CNPJ, número de telefone, e-mail ou uma chave aleatória criada pelo próprio sistema.

No Zelle, as operações dependem do número de telefone ou do endereço de e-mail associado à conta bancária. Isso reduz as opções para quem prefere não compartilhar determinados dados pessoais.

Uso do Pix vai além das transferências entre pessoas

Embora os dois sistemas tenham sido criados para facilitar pagamentos instantâneos, o alcance de utilização é bastante diferente.

O Zelle foi desenvolvido principalmente para transferências entre familiares, amigos e pequenos negócios. Situações como dividir despesas, pagar aluguel ou enviar dinheiro para conhecidos estão entre os usos mais comuns da plataforma.

O Pix, por sua vez, foi projetado para atender diversas necessidades financeiras. Atualmente, ele é utilizado para compras em lojas físicas e virtuais, pagamento de contas, recolhimento de tributos, quitação de boletos e operações entre empresas.

Essa abrangência é apontada por analistas do setor financeiro como uma das principais vantagens do modelo brasileiro.

“Pix americano” depende mais dos bancos participantes

A acessibilidade também marca uma diferença relevante.

No Brasil, praticamente qualquer pessoa que possua conta bancária ou digital pode utilizar o Pix. O sistema está amplamente integrado às instituições autorizadas pelo Banco Central.

Nos Estados Unidos, a realidade é diferente. Como o mercado financeiro é mais fragmentado, o acesso ao Zelle depende da participação do banco na rede. Quando a instituição não integra o sistema, o usuário pode enfrentar limitações ou precisar recorrer a alternativas.

Segurança segue regras distintas nos dois sistemas

As políticas de devolução de dinheiro também não funcionam da mesma forma.

No Zelle, uma transferência normalmente não pode ser cancelada após a conclusão da operação para um destinatário já cadastrado.

O Pix conta com mecanismos específicos para situações de fraude e golpes. O chamado Mecanismo Especial de Devolução permite que as instituições financeiras analisem ocorrências e tentem recuperar recursos, desde que ainda exista saldo disponível nas contas envolvidas.

Além disso, o sistema brasileiro oferece uma funcionalidade para devolução de valores enviados por engano diretamente pelo aplicativo bancário.

Ambos ainda não fazem transferências internacionais

Apesar das comparações, existe uma limitação compartilhada pelos dois modelos.

Atualmente, tanto o Pix quanto o Zelle operam apenas dentro de seus respectivos países. As plataformas não realizam transferências internacionais entre usuários.

Embora existam estudos para ampliar possibilidades futuras, as operações continuam restritas ao ambiente doméstico.

Ao comparar os dois sistemas, especialistas avaliam que o Pix apresenta uma proposta mais abrangente, reunindo maior integração com o sistema financeiro, múltiplas possibilidades de uso e uma estrutura pública unificada. Já o chamado “Pix americano” mantém foco mais concentrado em transferências instantâneas entre pessoas, com atuação vinculada à rede de bancos participantes.