EUA oficializam PCC e CV como terroristas; entenda o que muda
Publicação no Diário Oficial americano coloca as duas maiores facções criminosas do Brasil sob regras da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos
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Os Estados Unidos oficializaram nesta sexta-feira (5) a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida entrou em vigor após publicação no Federal Register, equivalente ao Diário Oficial do governo federal americano.
Com a decisão, as duas maiores facções criminosas do Brasil passam a ser enquadradas pela legislação antiterrorismo dos Estados Unidos, o que amplia o alcance de sanções financeiras e de medidas de combate ao crime organizado transnacional.

Decisão foi assinada por Marco Rubio
A classificação havia sido anunciada em 28 de maio pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e passou a valer oficialmente com a publicação desta sexta-feira.

No documento, Rubio afirma haver “base factual suficiente” para concluir que o PCC e o Comando Vermelho atendem aos critérios previstos na legislação americana para serem classificados como organizações terroristas estrangeiras.
Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are two of the most violent criminal organizations in Brazil. Their reach extends throughout our region and into our country.
Today, I designated these organizations as Foreign Terrorist Organizations and Specially Designated…
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) May 28, 2026
“Após revisão dos registros administrativos reunidos neste caso e em consulta com o procurador-geral e o secretário do Tesouro, concluí que existe base factual suficiente para determinar que as circunstâncias previstas na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade existem em relação ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho”, diz o texto.
PCC e CV também entram em lista global de terroristas
Além da designação como organização terrorista estrangeira, o governo americano também incluiu as duas facções na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT, na sigla em inglês).
Segundo o Departamento de Estado, a medida foi adotada porque as organizações representam ameaça à segurança de cidadãos americanos e aos interesses dos Estados Unidos.
Em outro trecho do documento, o governo afirma que integrantes do PCC e CV “cometeram ou tentaram cometer atos de terrorismo, representam risco significativo de realizá-los ou participaram de treinamento para sua execução”.
O que muda na prática
A nova classificação amplia os instrumentos legais disponíveis às autoridades americanas para agir contra integrantes das organizações e pessoas ou empresas que mantenham relações financeiras com elas.
Entre as principais consequências estão:
- bloqueio de contas bancárias e ativos financeiros ligados às facções;
- restrição de acesso ao sistema financeiro americano;
- aplicação de sanções econômicas internacionais;
- punições a pessoas físicas e jurídicas que mantenham negócios com integrantes dos grupos;
- ampliação do compartilhamento de informações de inteligência para combater atividades transnacionais.
Impactos nas investigações
A nova classificação também pode alterar a forma como as autoridades americanas acompanham as atividades das facções.
Segundo especialistas em segurança internacional, investigações que antes eram conduzidas principalmente pela Drug Enforcement Administration (DEA) e pelo Federal Bureau of Investigation (FBI) podem passar a envolver de forma mais intensa órgãos de inteligência e segurança nacional dos Estados Unidos.
Além disso, operações relacionadas ao terrorismo costumam seguir protocolos mais rígidos de sigilo, o que pode limitar o compartilhamento de determinadas informações com autoridades locais e estaduais.
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Combate ao crime organizado transnacional
O Departamento de Estado informou que a medida busca fortalecer os mecanismos de combate ao crime organizado internacional, dificultando o acesso das facções a recursos financeiros, redes de apoio e operações fora do Brasil.
A decisão ocorre em meio à crescente preocupação das autoridades americanas com a atuação internacional de organizações criminosas envolvidas em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas transnacionais.