Elon Musk dará ação da SpaceX a cada uma das crianças dos EUA; entenda anúncio e contexto

Elon Musk promete distribuir ações da SpaceX às crianças americanas no ano que vem para criar uma renda alta universal com IA, mas detalhes seguem em aberto.

, em Uberlândia

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Elon Musk anunciou que vai presentear as crianças dos Estados Unidos com uma ação da SpaceX no próximo ano. A promessa foi feita na segunda-feira, em publicação na rede X, e, segundo o The Washington Post, faz parte do que o bilionário chama de esforço para criar uma “renda alta universal” com a ajuda da inteligência artificial.

Elon Musk assumiu compromisso com "renda alta universal" após anúncio de empresa concorrente
Elon Musk assumiu compromisso com “renda alta universal” após anúncio de empresa concorrente – Crédito: Andrew Harnik/Getty Images

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“Esta será a primeira de muitas”, escreveu Musk, ao indicar que a doação inicial pode ser só o começo de uma distribuição maior de ações.

Elon Musk critica a filantropia tradicional

De acordo com o Washington Post, o homem mais rico do mundo considera ineficaz o modelo tradicional de caridade. Para ele, doar dinheiro em grande escala é muito difícil quando a preocupação é com a bondade real, e não com a aparência dela.

Musk também defende que a inteligência artificial vai inaugurar uma era de “abundância incrível”. Nesse cenário, caberia ao governo emitir cheques para que cada pessoa receba a sua parte.

A SpaceX abriu capital neste ano e reúne os negócios de inteligência artificial, internet via satélite e redes sociais do empresário. Na segunda-feira, as ações eram negociadas por volta de US$ 150. Em junho, a empresa já havia entrado para a história com a maior oferta pública inicial já registrada, que levantou US$ 85,7 bilhões, informa a BBC.

Como as crianças receberiam as ações da SpaceX

Por enquanto, o plano tem mais perguntas do que respostas. Os detalhes sobre a entrega das ações às crianças americanas não foram divulgados. O The Washington Post observa que Musk pareceu indicar o uso das contas de investimento lançadas pelo governo de Donald Trump no início do ano.

A promessa veio em resposta direta a um movimento de uma concorrente. A Anthropic, empresa responsável pelo Claude, anunciou no domingo que vai destinar 5% de suas ações a um fundo de benefício público, com possibilidade de mais 2%, a critério do conselho administrativo. 

A companhia garantiu que nada desse patrimônio será usado em lobby ou doações políticas, nos EUA ou fora deles. Musk reagiu recomendando que as ações fossem entregues diretamente ao público, “o que farei”, disse.

A pressão sobre as gigantes da inteligência artificial

Segundo a BBC, os dois anúncios surgem em um momento de forte apreensão sobre o setor. Há preocupações com a segurança da tecnologia e receios sobre o efeito dela na sociedade e nos empregos. A emissora lembra que empresas do mundo todo, sobretudo as de tecnologia, cortaram milhares de vagas depois de investir em IA, e que um estudo do Fundo Monetário Internacional publicado em 2024 projeta impacto em quase 40% dos postos de trabalho no planeta, chegando a 60% nas economias avançadas.

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A Anthropic, por sua vez, prepara o caminho para uma possível oferta pública inicial que pode avaliá-la em mais de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 750 bilhões). Na semana passada, informou a investidores que sua receita cresceu 45% e chegou a US$ 16,8 bilhões (R$ 12,6 bilhões) nos três meses encerrados em setembro.

O clima de cautela também aparece dentro das próprias empresas. Em setembro, Jacob Coxon, de 27 anos, deixou a Anthropic e disse à BBC que quem trabalha com a tecnologia está “genuinamente assustado” com a velocidade dos avanços. 

Dario Amodei, chefe da companhia, já defendeu uma desaceleração do desenvolvimento da IA, e tanto Sam Altman, da OpenAI, quanto o próprio Musk disseram concordar com a proposta de regulamentação e monitoramento independente.

No início do mês, Trump e os líderes das principais empresas de IA assinaram um documento “moralmente vinculativo” que os torna responsáveis pela segurança da própria tecnologia. O presidente, que rejeita leis para controlar o setor, nomeou Jay Clayton, diretor de inteligência nacional, para chefiar uma força-tarefa sobre o tema.

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