Minas Gerais institui ‘Rota do Rosário’ para impulsionar o turismo religioso; entenda

A nova legislação reconhece como 'Rota do Rosário' os percursos de devoção que integram as festividades de manifestações religiosas

, em Uberlândia

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Minas Gerais passa a contar oficialmente com a ‘Rota do Rosário’, iniciativa criada para preservar, fortalecer e divulgar as tradições religiosas afro-brasileiras que há mais de 300 anos fazem parte da história e da identidade cultural do estado. A Lei nº 25.993, que estabelece as diretrizes para a implantação da rota, foi publicada no Diário Oficial de Minas Gerais nesta última terça-feira (21).

A nova legislação reconhece como ‘Rota do Rosário’ os percursos de devoção que integram as festividades em homenagem a Nossa Senhora do Rosário e aos santos cultuados nas manifestações do Congado, Reinado e Irmandades do Rosário.

representantes da Rota do Rosário
A proposta teve origem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) – Crédito: Reprodução/ ALMG

Esses festejos, conhecidos como Caminhos do Rosário, reúnem cortejos, trajetos, territórios e expressões culturais que preservam a memória, a ancestralidade e a religiosidade dos povos negros em Minas Gerais.

Minas Gerais institui ‘Rota do Rosário’

A proposta teve origem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), por meio do Projeto de Lei nº 2.991/24, de autoria da deputada estadual Andréia de Jesus (PT), aprovado pelo Plenário em junho deste ano.

Segundo a parlamentar, a criação da rota representa um importante instrumento para fortalecer o turismo religioso e cultural, além de contribuir para a preservação das tradições e dos modos de vida das comunidades negras que mantêm vivas manifestações religiosas presentes no estado desde o século XVIII, especialmente em regiões como o Triângulo Mineiro e o Vale do Jequitinhonha.

Triângulo Mineiro e a ‘Rota do Rosário’

A tradicional Festa de Nossa Senhora da Abadia em Romaria (MG) é um dos exemplos de percursos de devoção que integram as festividades na região do Triângulo Mineiro.

O evento reúne mais de 1 milhão de romeiros. A celebração acontece no Santuário Basílica e inclui missas horárias, romarias de caminhoneiros e ciclistas, além de apoio exclusivo para pedestres ao longo da rodovia BR-365.

O congado também é outra manifestação cultural de Uberlândia que engloba a Rota do Rosário. Misturando elementos africanos com tradições católicas, a festa celebra santos como Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia, considerados protetores dos negros escravizados.

dançarinos do congado
O congado é uma das principais festas que integram o projeto estadual – Crédito: Reprodução/ PMU

A dança da congada representa a coroação simbólica do rei do Congo, além de encenar, nas coreografias, lutas entre mouros e cristãos. Os cortejos são formados pelos chamados ternos ou guardas, liderados por mestres que conduzem os cânticos, os ritmos e os passos.

Preservação das tradições

A legislação determina que a implantação da Rota do Rosário deverá garantir o respeito à liberdade religiosa e proteger os costumes, os rituais, os locais sagrados e as formas de organização das comunidades envolvidas.

Entre as diretrizes previstas estão a garantia de acesso dos grupos religiosos a espaços públicos para realização de celebrações e eventos, além da adoção de medidas voltadas à identificação, preservação e valorização dos bens culturais materiais e imateriais relacionados às manifestações.

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Turismo e desenvolvimento cultural

A Rota do Rosário contará com sinalização turística interpretativa ao longo dos percursos e dos locais considerados referências históricas e culturais, além de incentivar a preservação das paisagens naturais e dos sítios arqueológicos existentes ao longo dos trajetos.

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A regulamentação também deverá incluir marcos georreferenciados que identifiquem os principais pontos de interesse para o turismo cultural e religioso, facilitando o acesso de visitantes e valorizando um dos mais importantes patrimônios culturais imateriais de Minas Gerais.

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