“Deram o cano”: estúdio de “A Odisseia” não pagou conta, diz dono de navio viking
Associação sueca diz que emprestou embarcação histórica para as gravações de Odisseia e ainda espera reembolso de reparos feitos após o fim das filmagens no Mediterrâneo.
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Não foi apenas Odisseu que teve dificuldades ao voltar para casa. “A Odisseia”, o novo épico de Christopher Nolan, virou motivo de desentendimento entre a Universal e uma associação sueca sem fins lucrativos que cedeu um navio viking histórico para as filmagens. Segundo os responsáveis pela embarcação, o estúdio teria se comprometido a arcar com eventuais avarias durante o período de uso, mas o pagamento nunca chegou.

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De acordo com o jornal The Guardian, o barco em questão é o Glad av Gillberga, uma réplica de um navio de guerra viking inspirada em um casco de cerca de 1040 encontrado no fiorde de Roskilde, na Dinamarca. Em quase 30 anos navegando, a embarcação já cruzou o Mar do Norte, o Mar Báltico e chegou até o Canadá, mas foi nas gravações de Odisseia que ela ganhou visibilidade internacional.
Ainda conforme o The Guardian, o navio ficou sob responsabilidade da produção por seis meses e retornou com danos consideráveis na popa e no mastro. A entidade responsável pela embarcação, chamada Vikingaleden e sediada em Värmland, no oeste da Suécia, diz ter enviado à Universal apenas a cobrança dos materiais usados no conserto, sem incluir qualquer valor referente à mão de obra, que foi voluntária.
O valor cobrado pelo navio de Odisseia
Passado um ano do início das gravações, e com Odisseia batendo recordes de bilheteria mundo afora, a associação sueca afirma seguir sem receber o valor de 6 mil dólares referente aos reparos. Peter Olausson, presidente da Vikingaleden, disse ao The Guardian que o sentimento de orgulho por ver o navio em uma produção de Hollywood foi ofuscado pela sensação de injustiça diante da recusa do estúdio em cobrir a despesa.
Olausson destacou que a cobrança envolve apenas o custo do material empregado no reparo, sem qualquer acréscimo pelo trabalho da equipe. Para ele, o valor seria insignificante para uma produção do porte de Odisseia, mas representa uma quantia relevante para a associação, que reúne cerca de 200 membros e mantém uma vila viking e um museu na região.
Segundo o presidente da entidade, o navio já voltou a operar normalmente, mas o acordo inicial previa que os reparos seriam feitos pela própria associação e depois reembolsados pela produtora, o que não teria ocorrido até o momento da publicação da reportagem do The Guardian.
Bastidores das filmagens de Odisseia
Odisseia é baseado no poema épico grego atribuído a Homero, que narra a jornada marítima de dez anos do rei de Ítaca, Odisseu, em seu retorno para casa após a Guerra de Troia. O longa reúne nomes como Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway e Zendaya no elenco e teria custado cerca de 250 milhões de dólares para ser produzido.
Na trama, o Glad av Gillberga aparece como um dos navios de escolta da frota, enquanto a embarcação principal usada nas cenas de Odisseu foi a réplica norueguesa Draken Harald Hårfagre, com 35 metros de comprimento.
O capitão sueco Björn Ahlander, responsável pelo comando do navio durante as filmagens, relatou à emissora SVT que a rotina a bordo ao longo dos seis meses de gravações nas ilhas gregas e italianas foi bastante desgastante para a tripulação de 30 pessoas. Ele contou que o barco precisou ser adaptado para simular uma embarcação da Grécia Antiga, com a retirada de tendas e equipamentos modernos, restando apenas um convés aberto onde a equipe vivia durante o período de trabalho.
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Versão da Universal sobre o navio de Odisseia
Procurada pelo The Guardian, a Universal negou que existam pendências financeiras relacionadas ao uso do navio nas gravações de Odisseia. Um porta-voz do estúdio afirmou que os registros internos mostram que todas as faturas ligadas ao Glad av Gillberga foram quitadas integralmente, incluindo os valores referentes aos reparos, e que a produção já entrou em contato com a associação sueca para esclarecer o mal-entendido.
Até o momento, não há confirmação pública de que o impasse tenha sido resolvido entre as partes.
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