O que acontece em Uberlândia quando a “cidade dorme”?
Profissionais da área da saúde, segurança privada e da limpeza trabalham na madrugada enquanto a "cidade dorme"
Essa é a primeira matéria da série especial “Uberlândia 138 anos”, que traz os bastidores da nossa cidade como você nunca viu.
Diversos profissionais em Uberlândia têm seu “ganha pão” enquanto a “cidade dorme”. Hoje iremos conhecer a trajetória de profissionais que atuam na área da saúde, segurança privada e limpeza, presenciando uma “outra Uberlândia” nas madrugadas, enquanto a maioria da população uberlandense descansa.

O que acontece em Uberlândia quando a “cidade dorme”?
Dentre tantos personagens que trabalham na madrugada de Uberlândia está o de Viviane Braga, profissional do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Enfermeira há 20 anos, Viviane ingressou no atendimento pré-hospitalar em 2019. Segundo ela, o início da atuação nas madrugadas foi marcado por um forte impacto emocional.
“Existe uma Uberlândia durante o dia e outra completamente diferente quando a cidade dorme”, afirma.

Ela conta que, antes de trabalhar nas ruas, vivia uma rotina voltada para a família e para a igreja. A mudança de cenário a colocou diante de situações que, segundo ela relata, jamais imaginou presenciar.
Ao longo dos plantões, Viviane participou de atendimentos envolvendo acidentes de trânsito, vítimas de violência, pessoas sob efeito de álcool e drogas na madrugada de Uberlândia.
Vulnerabilidade entre adolescentes preocupa
Entre todas as experiências vividas, a enfermeira disse que o que mais a marca é o número de adolescentes encontrados em situação de extrema vulnerabilidade durante a madrugada.
Como mãe de dois adolescentes, ela afirma que muitas vezes é impossível separar completamente a profissional da mãe.

Viviane relata que frequentemente se pergunta onde estão os responsáveis por aqueles jovens e lamenta ao perceber que, em muitos casos, os pais sequer sabem onde os filhos estão. Para ela, muitos desses adolescentes carregam dores silenciosas e perderam a esperança em algum momento da vida.
“Nem toda dor faz barulho. Muitas pessoas sorriem durante o dia e choram durante a noite”, disse.
O peso emocional da profissão
Apesar da imagem de frieza frequentemente atribuída aos profissionais da saúde, Viviane afirma que a realidade é bem diferente.
Segundo ela, médicos, enfermeiros e socorristas também sofrem, sentem medo, tristeza e carregam as lembranças de atendimentos marcantes. A diferença é que durante uma ocorrência é preciso controlar as emoções para tomar decisões rápidas que podem significar a diferença entre a vida e a morte.
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Ela relata que muitos profissionais retornam para casa em silêncio após os plantões e convivem com lembranças difíceis, mas deixam seus próprios sentimentos de lado sempre que uma nova sirene toca.
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Segurança na madrugada
Das 18h às 6h, quando grande parte da população está descansando, começa a jornada de quem trabalha para garantir a segurança de empresas, hospitais, condomínios, indústrias e estabelecimentos comerciais em Uberlândia.
Em uma cidade que segue em constante crescimento econômico e urbano, a segurança privada tornou-se um serviço essencial. Os vigilantes patrimoniais percorrem corredores, estacionamentos, galpões e áreas externas em rondas permanentes, monitoram sistemas de câmeras, controlam o acesso de pessoas e veículos e estão preparados para agir diante de qualquer ocorrência.
Entre inúmeros vigilantes que trabalham na madrugada em Uberlândia está o de Paulo da Silva, de 49 anos. Há 20 anos como vigilante, o profissional trabalha na segurança de um condomínio da cidade.

Ele contou que a adaptação ao trabalho noturno foi um dos momentos mais difíceis de sua carreira. Acostumado a atuar durante o dia, ele precisou enfrentar mudanças no relógio biológico e aprender a lidar com o sono.
“A experiência que eu passei a primeira vez não foi nada boa. Sempre fui acostumado a trabalhar de dia. Quando passei para trabalhar à noite não foi nada bom. O sono é muito difícil, é muito complicado. A maior dificuldade para quem está começando é a luta contra o sono”, disse.
Desafios da madrugada
Segundo o vigilante, a madrugada impõe desafios que vão além do desgaste físico. Enquanto todos estão dormindo, ele precisa permanecer atento durante toda a jornada, percorrendo o condomínio de motocicleta para garantir que tudo esteja em ordem.
“A gente está trabalhando enquanto o pessoal está dormindo. Como trabalho em condomínio, fazemos as rondas e vemos todo mundo descansando, enquanto estamos de moto para cima e para baixo. A gente tem que lutar contra o psicológico também, além de lutar contra o corpo e o cansaço.”
Para Paulo, ser vigilante vai muito além de cumprir horário. A profissão exige comprometimento e responsabilidade à proteção das pessoas e do patrimônio. Segundo o profissional, o desafio para quem trabalha na segurança é justamente cuidar das pessoas e do patrimônio.
Pontos positivos de trabalhar na madrugada
Apesar das dificuldades, Paulo afirma que o trabalho noturno também tem seus pontos positivos. O ambiente tranquilo e o bom relacionamento entre os colegas tornam a rotina mais leve.
“A melhor parte de trabalhar à noite é que somos só nós da equipe. Eu e mais quatro colegas. A gente se dá muito bem. É uma turma boa, um ambiente bom. Trabalho em um condomínio e isso torna a madrugada muito agradável.”
Limpeza urbana
Outro serviço conhecido por estar diretamente ligado ao trabalho noturno é da limpeza. Segundo a prefeitura de Uberlândia, a limpeza urbana envolve aproximadamente 1.080 coletores, varredores, capinadores e outros profissionais operacionais. Somando equipes administrativas e motoristas, cerca de 1,2 mil pessoas atuam diariamente para manter a cidade limpa.
Quando a movimentação aumenta nas ruas logo pela manhã, grande parte do serviço já foi concluído. Para quem sai de casa, é comum encontrar avenidas limpas e praças organizadas, sem imaginar que, poucas horas antes, uma equipe inteira trabalhou silenciosamente enquanto a cidade dormia.

A Limpebras Engenharia Ambiental é a concessionária responsável pelos serviços de limpeza pública e gestão de resíduos em Uberlândia. Fundada em 1995, a empresa atua em parceria com a prefeitura e o DMAE na coleta de lixo domiciliar, coleta seletiva e manutenção da limpeza urbana.
Essa é a primeira matéria da série especial “Uberlândia 138 anos”, que traz os bastidores da nossa cidade como você nunca viu.
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