História, tradição e reinvenção marcam os espaços e comércios em Uberlândia

Com alma de interior e porte de metrópole, a segunda maior cidade de Minas Gerais celebra seus 138 anos mostrando como negócios locais e espaços culturais se transformam sem perder as raízes

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Em 31 de agosto, o aniversário de Uberlândia celebra não apenas o crescimento da segunda maior cidade de Minas Gerais, mas também a memória viva em suas ruas, praças e estabelecimentos.

O percurso que transformou o antigo povoado de São Pedro de Uberabinha em uma metrópole regional passa pela capacidade que comerciantes e empreendedores têm de atravessar gerações sem perder o vínculo afetivo com a comunidade.

Entre lojas centenárias que mudaram de formato, bares boêmios que viraram patrimônio cultural e novos empreendimentos que movimentam o cenário urbano, a identidade uberlandense se reconstrói diariamente.

comércios em Uberlândia
Espaços e Comércios em Uberlândia tem reinventado suas histórias na cidade – Crédito: Reproduçao

Tradicionais comércios em Uberlândia têm se reinventado ao longo dos anos

A evolução do comércio local é simbolizada por estabelecimentos como a Casa Feliz Utilidades. Fundada nos anos 1940 por Antonio Jorge Hubaide como um armazém de secos e molhados, a loja era o ponto de parada de quem vinha da zona rural e dos distritos de ônibus para fazer feira.

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Casa Feliz trocou de endereço depois de mais de meia década no mesmo endereço – Crédito: @casafelizutilidades/Arquivo pessoal/Reprodução

Hoje, na segunda geração sob a gestão de Pauliana Verona Hubaide, a empresa migrou do endereço clássico do Centro para a Zona Sul, apostando em um atendimento personalizado e em um espaço aconchegante para acompanhar as novas exigências do público.

“A Casa Feliz foi se reinventando ao longo dos anos, acompanhando as tendências, mudando o mix de produtos, forma de atendimento e sempre buscando novidades e diversificação”, destaca a gestora.

Na gastronomia e na vida noturna, a reinvenção assume contornos de memória afetiva. O Bar do Betão, que completou 35 anos de história neste domingo (23), consolidou-se como um dos pontos boêmios mais emblemáticos do município.

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O Bar do Betão está localizado no Centro de Uberlândia, e há 35 anos reunes histórias de Uberlândia – Crédito: @bardobetaouberlandia/Arquivo pessoal/Reprodução/

Famoso pela receptividade e pelo cardápio raiz, o bar atrai gerações de clientes em busca de petiscos marcantes, como a conhecida “perereca da vizinha frita” (rã à passarinho), prato que virou marca registrada da casa e símbolo das conversas de calçada que marcam a vida uberlandense.

A nova cena urbana: inovação e cultura independente

Se os negócios tradicionais adaptam suas estruturas para seguir relevantes, novos empreendimentos surgem ocupando o cenário urbano com conceitos modernos de arte e convivência.

Esse é o caso do Ateliê Curva, localizado na Avenida Rio Branco. O espaço multifacetado funciona como uma galeria viva que une música, moda autoral, feiras e exposições. Com paredes de grafite que mudam periodicamente, o local se consolida como um ponto de resistência artística e acolhimento para a cena independente da cidade, mostrando como a nova geração de empreendedores ressignifica o centro da cidade.

Espaço tem movimentado a cena artística no Centro de Uberlândia – Crédito: @efemerafotografia/Instagram/Reprodução

Ronaldo, que atua na gestão de espaços culturais independentes em Uberlândia desde 2014, explica que a criação do local veio da necessidade de unir frentes criativas. “A ideia básica é realmente juntar artistas, porque acho que um ambiente coletivo é muito fértil para a arte. As trocas, as pessoas se influenciando, trocando referência, técnicas e materiais. [O espaço] Veio dessa necessidade de conectar pessoas e de ser visto”, afirma.

Memória viva em praças e marcos históricos

A atmosfera de celebração ganha forma definitiva no patrimônio arquitetônico e nas praças que desenham o Centro da cidade, onde o passado e o presente se cruzam cotidianamente.

A Praça da Bicota (Praça Rui Barbosa) carrega em seu nome popular o carinho da população. Batizada informalmente nos anos 1980 devido ao sucesso da clássica Sorveteria Bicota, o local permanece como um refúgio de convivência de moradores que cruzam o coração comercial do município.

A poucos quarteirões dali, o conjunto arquitetônico da Praça Clarimundo Carneiro e seu Coreto resguarda a memória política e cultural de Uberlândia. Tombado como patrimônio histórico municipal em 1985, o espaço abriga o prédio do antigo Paço Municipal e o elegante coreto construído na década de 1920, palco de apresentações culturais e encontros que há mais de um século reforçam o orgulho e o pertencimento de ser uberlandense.

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