51 expulsos, ameaças ao árbitro e destruição de vestiário: UEC e Mamoré merecem ser excluídos do Mineiro sub-20
A dantesca súmula da semifinal do Mineiro sub-20 escancara o completo desequilíbrio de jovens atletas e de dirigentes que deveriam dar exemplo; no fim, uma mancha na história de ambos os clubes.
A matéria completa feita ontem pelo colega Mateus Oliveira aqui para este portal já detalha muito bem o que aconteceu. Mas a cada minuto que passa, pela inércia das equipes em se pronunciar, revoltam aqueles que tanto fizeram questão de dar força à ampliação da base na nossa região e foram presenteados com um papelão coletivo no Parque do Sabiá.
O que vimos no último domingo foi uma praça de guerra, um crime contra o esporte e uma página que envergonha qualquer cidadão minimamente decente.
Estamos falando de um recorde mundial negativo: 51 (!) expulsões — sendo 43 jogadores e 8 membros de comissões técnicas — em um tumulto generalizado que transformou a semifinal do Campeonato Mineiro Sub-20 da Segunda Divisão em um verdadeiro ringue.
E o pior: com envolvimento de gente madura o suficiente pra saber que isso não se faz.
Até o momento em que escrevo esta coluna, a FMF segue em silêncio sem se pronunciar sobre os rumos da competição ou se haverá o jogo de volta marcado para este fim de semana em Patos de Minas.
Diante de tanta gravidade, minha posição é sem rodeios: os dois times merecem a exclusão sumária do campeonato. Não dá para passar a mão na cabeça de marmanjo que perde a linha com a desculpinha de que caíram na pilha. Se não conseguem lidar com isso, acho que estão no esporte errado.
Muitos tentam justificar a barbárie ainda passando pano pros garotos. “Preservar os meninos” uma ova: todos são maiores de idade e tem de arcar com as consequências dos seus atos.
E mais: que moral esses jovens têm para aprender se os espelhos que eles encontram dentro de casa são diretores, preparadores e dirigentes que perderam totalmente a linha?
A súmula do árbitro Fernando Patrick Drosghic Modesto, que deixo disponível aqui para consulta, é assustadora.
Primeiro vexame: o jogo ficou paralisado por intermináveis 40 minutos porque a diretoria do Uberlândia invadiu o campo para chantagear a arbitragem. Fábio Mineiro, um craque na gestão fora de campo mas conhecido por suas palavras desmedidas quanto está de cabeça quente, disse que faria de tudo pro árbitro jamais voltaria a apitar.
O fundo do poço foi cavado pelo gerente de futebol Willer Silva, cujas falas registradas na súmula são dignas de inquérito policial e exclusão do esporte: “Vou te socar, você não vai sair daqui… vontade de te matar, seu m..”.
O gerente de base André Luiz Nascimento e o coordenador Junior Caetano completaram o circo de horrores cercando o trio de arbitragem aos gritos de “Vocês não vão sair daqui hoje”.
E não para por aí. O jogo já tinha começado atrasado justamente por uma falha absurda e passível de punição severa: não havia policiamento no estádio na hora prevista para a bola rolar.
DESTRUIÇÃO E REINCIDÊNCIA: O VESTIÁRIO DESTRUÍDO
Para coroar a tarde de terror, o vestiário utilizado pelo Mamoré ficou destruído, com prejuízos sob a responsabilidade do UEC, já que o estádio estava sob a custódia do clube via termo de cessão da Futel.
E vale lembrar um detalhe cabuloso: o clube de Patos é reincidente, já que no ano passado o seu time profissional já havia destruído o vestiário do estádio de sua maior rival, a URT.
A assessoria do UEC foi procurada por nós e não se pronunciou. Decidiu marcar uma coletiva pra esta tarde.
Aguardo um posicionamento extremamente firme, punições internas e um pedido de perdão gigante da diretoria, assumindo a parcela de culpa colossal que tem nessa vergonha histórica.
Nada apaga a temporada memorável no profissional, mas o episódio do dia do aniversário de 104 anos do clube é uma mancha que dificilmente será esquecida por quem ama essa instituição.
E não ligo se essa coluna deixar gente barbada dodói. Não se passa a mão na cabeça de quem mancha o esporte.