Guinness Book? 51 expulsões: jogo do sub-20 entre UEC e Mamoré termina em pancadaria

Confusão na semifinal do Mineiro Sub-20 teve socos, pontapés, ameaças à arbitragem, invasão de campo e paralisação de 40 minutos

, em Uberlândia

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Uma partida disputada em Uberlândia terminou em uma das cenas mais tumultuadas da história do futebol de base mineiro. Ao todo, 43 jogadores foram expulsos no confronto entre Uberlândia Esporte Clube (UEC) e Mamoré, pela semifinal do Campeonato Mineiro Sub-20 da 2ª Divisão.

Além dos 43 atletas, 8 integrantes das comissões técnicas do UEC e Mamoré também receberam o cartão vermelho direto.

O jogo foi disputado no domingo (1º), no Parque do Sabiá, em Uberlândia, e terminou com vitória do Mamoré por 3 a 1. De acordo com a súmula oficial da Federação Mineira de Futebol (FMF), quatro jogadores receberam cartão vermelho durante a partida. Outros 39 foram expulsos após o término do confronto, em razão da briga generalizada.

A partida pode colocar os nomes das duas equipes de forma negativa no Guinness World Records, por se tornar o jogo com o maior número de expulsões na história do futebol. De acordo com apuração do Paranaíba Mais, o jogo com o maior número de expulsões na história do esporte foi em 2011, com 36 expulsões em partida da 5ª divisão do Campenato Argentino.

No Brasil, o recorde pertence ao clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, realizado em 8 de março de 2026 na final do Campeonato Mineiro, que terminou com 23 expulsões (12 do Cruzeiro e 11 do Atlético-MG).

A confusão generalizada começou durante a comemoração do terceiro gol do Mamoré e envolveu atletas das duas equipes, que trocaram socos e pontapés.

A reportagem entrou em contato com o UEC sobre o ocorrido e o clube informou que os esclarecimentos serão dados somente na quarta-feira (3) em coletiva de imprensa.

O Mamoré e a FMF também foram indagadas sobre a briga generalizada, mas até o momento a reportagem não obteve retorno de nenhuma das entidades.

O vestiário em que se encontrava o Mamoré ficou parcialmente destruído após o fim da partida. Segundo a Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), o estádio estava sob responsabilidade do UEC, de acordo com termo de cessão. Por isso, as despesas são de responsabilidade da equipe mandante.

Veja o vídeo do vestiário destruído: 

A reportagem também entrou em contato com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) para saber se a corporação foi acionada para fazer o policiamento no local e aguarda um posicionamento. Em nenhum momento da briga, registrada em vídeo por torcedores e o qual o Paranaíba Mais teve acesso, aparece policiamento no interior do estádio.

Sub 20: UEC x Mamoré

A distribuição das expulsões após o encerramento foi de 20 jogadores do Uberlândia e 19 do Mamoré. Considerando todas as expulsões, foram 22 atletas do time da casa e 21 da equipe visitante.

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Além dos 43 jogadores, oito integrantes das comissões técnicas também foram expulsos. Dois dirigentes do Uberlândia receberam cartão vermelho durante os episódios de invasão e ameaças à arbitragem.

Como começou a confusão

Segundo a súmula, a partida começou a ficar tumultuada ainda no segundo tempo, após a expulsão de Luike Bispo dos Santos, do Uberlândia, que recebeu o segundo cartão amarelo por atingir um adversário com os braços.

Segundo o árbitro Fernando Patrick, dirigentes do Uberlândia invadiram o campo e passaram a pressionar a equipe de arbitragem, exigindo que a decisão fosse revista. O jogo ficou paralisado por aproximadamente 40 minutos.

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Briga generalizada e 39 expulsões após o jogo

A situação ficou ainda mais grave durante a comemoração do terceiro gol do Mamoré, no último lance da partida. Segundo a súmula, o jogador Davi Fernandes fez gestos provocativos em direção ao banco de reservas do Uberlândia e proferiu xingamentos.

Na sequência, começou uma briga generalizada, que impediu a apresentação de todos os cartões vermelhos e a realização do protocolo normal de encerramento da partida.

UEC
Briga entre jogadores do UEC e do Mamoré ocorreu no fim da partida – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal

O árbitro registrou que 39 jogadores foram expulsos após o término do confronto por desferirem socos e pontapés contra adversários. Não foi possível apresentar os cartões individualmente devido ao tumulto.

O preparador de goleiros do Uberlândia, Paulo Sérgio Dias dos Santos, também foi expulso por invadir o campo, empurrar um jogador do Mamoré e dar início à confusão.

Ameaças de dirigentes: “Vocês não vão sair daqui hoje”

Conforme a súmula, André Luiz Nascimento, gerente de futebol de base do Uberlândia, e Junior Caetano, coordenador de base do Uberlândia, invadiram o campo de jogo e partiram em direção à equipe de arbitragem, de forma intimidatória, dizendo: “Vocês não vão sair daqui hoje, vocês acham que vão conseguir sair da cidade, vamos pegar vocês, vieram aqui pra f* a gente!”

A súmula também apresentou declarações atribuídas Willer Francisco Silva, gerente de futebol do clube uberlandense. Segundo o árbitro, ele teria feito ameaças diretas de agressão física.

“Vou te socar, você não vai sair daqui. Quero ver se você vai sair escoltado. Vem pra mão, vou pegar você lá fora, vai ser só eu e você, filho da p…, vontade de te matar, seu m..”, teria dito, segundo consta da súmula. O árbitro também relatou que o dirigente fez gestos simulando roubo em direção à equipe de arbitragem.

Já Fábio Mineiro, CEO do Uberlândia, também é citado na súmula e teria afirmado que faria de tudo para impedir que o profissional continuasse trabalhando na arbitragem. “Você nunca mais vai apitar. Eu vou fazer de tudo para que você não trabalhe mais. Eu posso parar, mas vocês também irão parar.

Eu vou tirar o Uberlândia de campo, toda vez vocês vem armados para o jogo do Uberlândia! Eles não têm nada a ver com o que você fez, a culpa é toda sua. Já liguei pra todo mundo, Santiago, Castellar e você vai ver comigo. Eu já levantei vários times, eu faço bem para o futebol mineiro e, se for preciso, eu coloco Uberlândia lá em São Paulo. Vergonha, cara, eu luto demais por isso aqui ”.

Gândulas também são apontados em agressões

A súmula ainda informou que 6 gândulas teriam participado das agressões. Segundo o árbitro, eles desferiram socos, pontapés e arremessaram objetos contra jogadores e integrantes da comissão técnica do Mamoré.

O documento também relata que Willer Francisco Silva correu em direção aos atletas do Mamoré quando eles se dirigiam ao vestiário e passou a desferir chutes contra os jogadores.

Depois que os atletas entraram no local, o dirigente teria arremessado um cooler de água, a bolsa do massagista e outros materiais da equipe em uma vala existente no estádio.

Boletim de ocorrência

A súmula informou também que foi registrado um boletim de ocorrência em razão das ameaças atribuídas a Willer Francisco Silva.

O documento ainda menciona uma denúncia de depredação do vestiário utilizado pelo Mamoré. A informação teria sido repassada à arbitragem pelo diretor de futebol do Uberlândia, Bernardo Lage.

Entretanto, o árbitro ressaltou que nenhum boletim de ocorrência sobre essa suposta depredação havia sido apresentado até a elaboração da súmula, que consta apenas o número do Boletim de Ocorrência registrado em função da ameaça pelo dirigente Willer Francisco Silva.

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