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O escritor vai acabar, mas o poeta vai continuar

Talvez chegue um tempo em que teremos dificuldade para saber se uma fotografia é verdadeira. Depois, talvez tenhamos dificuldade para saber se um texto foi escrito por uma pessoa ou por uma máquina

Paulo Franco , em Uberlândia

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Escritor vai acabar
Enquanto existir alguém capaz de amar, haverá alguém capaz de transformar o amor em palavras – Foto: Arquivo Pessoal

Dizem que o escritor vai acabar.

Eu não acredito.

Acredito que o escritor, aquele que apenas escreve, poderá, sim, enfrentar um novo tempo. Afinal, a máquina pode quase tudo. Ela pode falar, copiar, escrever, criar frases, construir histórias, rimar e até poetizar.

Mas existe uma coisa que a máquina jamais terá: a capacidade de amar.

E é exatamente por isso que o poeta não vai acabar.

Porque o poeta não é apenas aquele que coloca palavras no papel. O poeta é aquele que coloca sentimento nas palavras. É aquele que sabe transformar uma frase em carinho, uma palavra em abraço, um verso em esperança.

O poeta sabe levar uma flor.

Sabe dizer “eu te amo” de uma maneira que toca o coração.

Sabe conquistar não apenas pelos olhos, mas pela alma.

A inteligência artificial pode escrever um poema sobre o amor. Pode encontrar as palavras mais bonitas, as rimas mais perfeitas e construir os versos mais bem elaborados.

Mas ela não sente o amor que está escrevendo.

E existe uma diferença enorme entre falar sobre o amor e sentir o amor.

Hoje, quando olhamos para uma fotografia, muitas vezes conseguimos perceber: “Essa imagem é feita por inteligência artificial.”

Estamos aprendendo a reconhecer aquilo que é verdadeiro e aquilo que foi criado por uma máquina.

Amanhã, talvez aconteça a mesma coisa com a literatura.

Você vai ler um texto e, mesmo sem saber quem o escreveu, começará a perceber.

Vai sentir.

Vai interpretar.

Vai procurar nas entrelinhas aquilo que não está escrito, mas que está presente.

E talvez diga:

“Isso aqui não é apenas uma máquina escrevendo. Existe uma alma diante de mim.”

Porque o verdadeiro poeta deixa marcas que não podem ser programadas.

Ele coloca nas palavras as suas dores, suas alegrias, suas lembranças, seus sonhos, suas perdas, suas esperanças e, principalmente, o seu amor.

A máquina pode imitar a lágrima.

Mas não pode chorar.

Pode escrever sobre a saudade.

Mas não pode sentir falta de alguém.

Pode falar de uma flor.

Mas não pode sentir o perfume.

Pode escrever sobre um beijo.

Mas não pode sentir o coração acelerar.

Pode criar mil versos sobre o amor.

Mas não pode amar.

É por isso que eu acredito no futuro do poeta.

Porque quanto mais a tecnologia avançar, maior será o valor daquilo que é verdadeiramente humano.

Talvez chegue um tempo em que teremos dificuldade para saber se uma fotografia é verdadeira. Depois, talvez tenhamos dificuldade para saber se um texto foi escrito por uma pessoa ou por uma máquina.

Mas eu acredito que o ser humano continuará tendo uma coisa que nenhuma tecnologia conseguirá substituir: a capacidade de sentir.

E quando você ler um poema, uma crônica ou uma história, talvez não procure apenas a perfeição das palavras.

Você procurará aquilo que existe por trás delas.

Você procurará uma alma.

Procurará uma experiência.

Procurará uma verdade.

Procurará amor.

E quando encontrar, saberá reconhecer.

Porque o poeta pode até usar palavras simples. Pode não ter a rima perfeita. Pode cometer erros. Pode escrever com a mão trêmula de emoção.

Mas, se houver amor, você vai sentir.

E é por isso que o escritor pode até mudar.

A tecnologia pode transformar a maneira como escrevemos.

A inteligência artificial pode revolucionar a literatura.

Mas o poeta…

O poeta vai continuar.

Porque enquanto existir alguém capaz de amar, haverá alguém capaz de transformar o amor em palavras.

 

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