O escritor vai acabar, mas o poeta vai continuar
Talvez chegue um tempo em que teremos dificuldade para saber se uma fotografia é verdadeira. Depois, talvez tenhamos dificuldade para saber se um texto foi escrito por uma pessoa ou por uma máquina

Dizem que o escritor vai acabar.
Eu não acredito.
Acredito que o escritor, aquele que apenas escreve, poderá, sim, enfrentar um novo tempo. Afinal, a máquina pode quase tudo. Ela pode falar, copiar, escrever, criar frases, construir histórias, rimar e até poetizar.
Mas existe uma coisa que a máquina jamais terá: a capacidade de amar.
E é exatamente por isso que o poeta não vai acabar.
Porque o poeta não é apenas aquele que coloca palavras no papel. O poeta é aquele que coloca sentimento nas palavras. É aquele que sabe transformar uma frase em carinho, uma palavra em abraço, um verso em esperança.
O poeta sabe levar uma flor.
Sabe dizer “eu te amo” de uma maneira que toca o coração.
Sabe conquistar não apenas pelos olhos, mas pela alma.
A inteligência artificial pode escrever um poema sobre o amor. Pode encontrar as palavras mais bonitas, as rimas mais perfeitas e construir os versos mais bem elaborados.
Mas ela não sente o amor que está escrevendo.
E existe uma diferença enorme entre falar sobre o amor e sentir o amor.
Hoje, quando olhamos para uma fotografia, muitas vezes conseguimos perceber: “Essa imagem é feita por inteligência artificial.”
Estamos aprendendo a reconhecer aquilo que é verdadeiro e aquilo que foi criado por uma máquina.
Amanhã, talvez aconteça a mesma coisa com a literatura.
Você vai ler um texto e, mesmo sem saber quem o escreveu, começará a perceber.
Vai sentir.
Vai interpretar.
Vai procurar nas entrelinhas aquilo que não está escrito, mas que está presente.
E talvez diga:
“Isso aqui não é apenas uma máquina escrevendo. Existe uma alma diante de mim.”
Porque o verdadeiro poeta deixa marcas que não podem ser programadas.
Ele coloca nas palavras as suas dores, suas alegrias, suas lembranças, seus sonhos, suas perdas, suas esperanças e, principalmente, o seu amor.
A máquina pode imitar a lágrima.
Mas não pode chorar.
Pode escrever sobre a saudade.
Mas não pode sentir falta de alguém.
Pode falar de uma flor.
Mas não pode sentir o perfume.
Pode escrever sobre um beijo.
Mas não pode sentir o coração acelerar.
Pode criar mil versos sobre o amor.
Mas não pode amar.
É por isso que eu acredito no futuro do poeta.
Porque quanto mais a tecnologia avançar, maior será o valor daquilo que é verdadeiramente humano.
Talvez chegue um tempo em que teremos dificuldade para saber se uma fotografia é verdadeira. Depois, talvez tenhamos dificuldade para saber se um texto foi escrito por uma pessoa ou por uma máquina.
Mas eu acredito que o ser humano continuará tendo uma coisa que nenhuma tecnologia conseguirá substituir: a capacidade de sentir.
E quando você ler um poema, uma crônica ou uma história, talvez não procure apenas a perfeição das palavras.
Você procurará aquilo que existe por trás delas.
Você procurará uma alma.
Procurará uma experiência.
Procurará uma verdade.
Procurará amor.
E quando encontrar, saberá reconhecer.
Porque o poeta pode até usar palavras simples. Pode não ter a rima perfeita. Pode cometer erros. Pode escrever com a mão trêmula de emoção.
Mas, se houver amor, você vai sentir.
E é por isso que o escritor pode até mudar.
A tecnologia pode transformar a maneira como escrevemos.
A inteligência artificial pode revolucionar a literatura.
Mas o poeta…
O poeta vai continuar.
Porque enquanto existir alguém capaz de amar, haverá alguém capaz de transformar o amor em palavras.
LEIA MAIS!
Me sinto um mineirinho confuso: afinal, o café ficou forte ou fraco?
Por Paulo Franco
O Shakespeare de Uberlândia
*Esse é um artigo independente e não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.