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Um clássico chamado Falcão – O Campeão dos Campeões

Eu digo que Falcão - O Campeão dos Campeões é daqueles filmes que forma caráter e, mesmo pisando fundo no brega, é o famoso brega bom

, em Uberlândia

Tem pouco tempo, eu revi o clássico das Sessões da Tarde Falcão – O Campeão dos Campeões, que hoje está disponível na Prime Video. Posso estar enganado, mas teria sido a primeira vez que o vi legendado.

Mas é engraçado como esse filme é tão influente entre uma molecada da minha geração. Devo tê-lo assistido pela primeira vez com meus 6 ou 7 anos e poderia dizer que está na categoria de formador de caráter. Falcão completará 40 anos em 2027.

Nele, Sylvester Stallone, um caminhoneiro especialista em queda de braço, luta em uma competição mundial do… “esporte”… ao mesmo tempo em que precisa conquistar o filho e sua guarda.

Ao som da ótima “Meet Me Half Way”, do hitmaker oitentista Kenny Loggins, a produção é daquelas em que o bom-mocismo fica disfarçado no personagem durão de bom coração. Assim é Lincoln Falcão. Um cara que não causa boa impressão logo de cara, com seu jeitão entre o brucutu e o galã feio, mas que vai buscar o filho almofadinha, acostumado com a riqueza e com péssimo relacionamento com o pai.

“O mundo não para de girar, filho. Se você quer, Mike, tem que pegar” – Créditos: Cannon Group/Divulgação

Eles não conviveram praticamente nenhum minuto juntos, mas a mãe abastada, à beira da morte, quer que os homens de sua vida sejam pai e filho pra valer. Está armado um road movie em que Falcão aprende que se alimenta mal, e o jovem passa a ter algumas lições do mundo real para além de sua mansão ou escola militar.

E, já que comentei sobre uma das músicas-tema, a trilha original é de outro nome forte, Giordio Moroder. Tem cara de anos 80, soa anos 80 e tem aquele final redentor que nenhuma aula de roteiro vai poder apontar falhas – mesmo que todos saibamos que é clichê.

Mas quem vai questionar alguma coisa quando Sly aparece dando um depoimento, antes do torneio de queda de braço, e explica como seu boné se transforma numa chave de liga e desliga?

“O que eu faço é pegar assim o meu boné e virar pra trás. É como se houvesse um botão que se ligasse e, quando isso acontece, eu me sinto uma outra pessoa. Sei lá, eu me sinto como… um caminhão, uma máquina”.

Isso é o famoso brega bom.

Da mesma maneira que em outros filmes do velho Stallone, há aqueles momentos em que uma lição é dada em um monólogo de um dos atores mais subestimados de Hollywood. A certa altura, o pai coloca o filho para enfrentar outro jovem na queda de braço. O moleque perde e diz que Falcão tentou humilhá-lo e lembra que seu avô materno o acha um perdedor. Falcão estaria a fazer o mesmo com o jovem. Hora de aprender uma coisa:

“Mike, eu não ligo pro que o seu avô pensa de mim, tá? Só ligo pra você. Agora volta lá porque você se deixou derrotar. Perdeu por isso, eu sei que você pode. Você é uma criança especial, é meu filho, entende? Mas também é uma criança rica e estragada, que sempre teve o que quis na mão. Agora é hora de fazer por si mesmo, eu sei que pode. O mundo não para de girar, filho. Se você quer, Mike, tem que pegar”.

E daí que o ator que interpretou Mike, David Mendenhall, tenha concorrido a dois prêmios Framboesa de Ouro (pior coadjuvante e revelação)? Pode até ser que a repetição interminável do filme durante minha infância tenha me influenciado mais do que deveria. Talvez não só a mim.

Veja bem, a produção Gigantes de Aço, de 2011, é praticamente uma refilmagem de Falcão. Sai a queda de braço, entram robôs boxeadores, o resto é quase idêntico: do conflito à relação de pai e filho.

A aura de cult já envolve Falcão – O Campeão dos Campeões. Apenas aprecie.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais