A Morte do Demônio – Em Chamas e minha franquia de terror favorita
Há alguns filmes que considero muito importantes para minha formação de cinéfilo, mas A Morte do Demônio, aos poucos, se tornou a série de filme que mais tem minha atenção
Para a meiuca deste ano, mais um filme da franquia A Morte do Demônio chega aos cinemas com o título original Evil Dead Burn (ou A Morte do Demônio – Em Chamas, no Brasil). Inclusive, há um trailer excepcional já no ar. Foi ele que me fez pensar sobre a série de filmes que começou com um trash fenomenal em 1981.
Como gosto bastante de filmes de terror, há alguns que considero muito importantes para minha formação de cinéfilo, como O Exorcista, O Iluminado, Ringu e a franquia Sexta-Feira 13. Mas foi por meados dos anos 2000, após iniciar minha coleção de filmes, que percebi o quanto Evil Dead se transformou em algo a mais.
Vale salientar que os títulos dessa franquia são uma bagunça. A Morte do Demônio original foi sucedido por Uma Noite Alucinante e a trilogia original foi fechada com Uma Noite Alucinante 3. Sei lá por qual motivo. Fato é que eu já havia visto o segundo e terceiro filmes na TV aberta — e gostado bastante. Contudo, sempre ouvia de primos e amigos que o primeiro tinha outra pegada, buscando mais o terror.
Foi quando consegui achar o DVD da produção do início da década de 80. Comprei, assisti e entendi do que se tratava o papo de pessoas próximas. Ainda que seja um filme feito com um orçamento apertadíssimo e com recursos muito baratos, Evil Dead é um show de criatividade, diversão e com tom mais cru. Tudo é feito na unha e o clima da produção é realmente soturno quando se pensa na época em que se passa, em sua geografia e na simplicidade de sua base.
É trasheira, claro, mas, quando você lê sobre a produção do filme em si, entende que aquilo é esforço genuíno — atores passavam frio, não havia grana e tudo saía do planejado. Mas há muita identidade no longa. Sam Raimi, o diretor, até hoje guarda marcas de seu primeiro trabalho, mesmo quando tem a grana do cofre da Marvel Studios à disposição.
Recentemente, estava revendo Evil Dead sozinho. No dia seguinte, a Di, minha esposa, me questionou: “Que filme de gritos tão feios você assistiu ontem?”. Pois é. E volto a dizer: o clima do filme é sombrio, mesmo quando você entende que há muita comédia ali.

A continuação
Por falar em questionamentos familiares, houve uma vez em que eu estava vendo meu DVD de Uma Noite Alucinante na sala da casa de minha mãe. Ela ouviu uma risada sinistra e se aproximou para entender que diabo de filme eu assistia. O comentário foi apenas um “credo…”. E isso marca bem a diferença entre o longa original e sua continuação. Evil Dead 2 – Dead by Dawn é quase uma refilmagem, mas, dessa vez, com mais dinheiro, o que dava certa liberdade para Raimi testar recursos.
O tom abraçado é o terrir. Há o que temer aqui, mas nem tanto. O filme se vende mais pela estranheza do riso alinhado ao gore em tela. Aliás, foi esse o filme que me colocou no rastro da série.
Fechando a trilogia
Raimi ainda voltaria ao universo Evil Dead com um longa diferente. Uma Noite Alucinante 3, ou Army of Darkness, coloca seu protagonista, Ash, em uma terra medieval, que até começa com o terrir que vimos antes, mas descamba para uma ação sombria/piadista muito rapidamente. Há elementos do terror aqui, mas nenhum deles vai te dar medo. Há quem critique, e eu tenho certeza de que se trata do filme mais fraco até aqui, mas eu não consigo desgostar dessa produção. Ela marcaria a saída de Raimi da direção.
A volta
Entre o terceiro e o quarto filmes, passaram-se 21 anos. O ano de 2013 marcou a retomada com aquele tipo de tática mercadológica já manjada. A Morte do Demônio (2013) era não só uma continuação como um reboot da franquia. Na cadeira da direção se sentou o uruguaio Fede Alvarez, e ele soube emular muito bem o clima do original, só que com produção de ponta. Foi assim que muita coisa familiar voltou à tela — a cabana, o carro chegando ao local, o banco na varanda e a mulher no porão.
Mas ele foi além, e a violência tomou conta de vez aqui. Há uma série de momentos que me convenceram de que, bem, temos um retorno digno em cena. Cada vez que revejo o filme, tendo a gostar um pouco mais.
Foi por isso que, em 2023, arrastei a Di (já grávida do Miguel, diga-se de passagem) para vermos A Morte do Demônio – A Ascensão no cinema. Confesso que a crítica, de maneira geral, gostou mais do que eu, mas não estamos tratando de um filme fraco. É uma pegada diferente até pela ambientação urbana, só que, no fim das contas, é mais um confinamento como na maioria de seus irmãos de título. A Ascensão também ganha mais apreço em uma segunda ou terceira visitas.
E assim chegamos a 2026 sem outra década de espera para mais um Evil Dead. Corri para mostrar o trailer para a minha esposa e já pedi para que ela salvasse a data para voltarmos àquele universo bizarro.
Ela concordou sob uma reclamação: “O filme se chama A Morte do Demônio, mas o demônio nunca morre?”.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais