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Extermínio e a trilha sonora de história estranha na minha vida

Procurava uma inspiração para mais uma coluna e me deparei com a trilha sonora em CD de Extermínio, de 2002, na minha estante. Certo, e daí?

, em Uberlândia

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No final da década de 1990, eu era um jovem adolescente estranho entre a minha turma de amigos. No auge das lojas de CDs, eu era o único que sempre dava uma olhada nas trilhas sonoras de filmes. Bom, hoje eu tenho uma playlist de faixas de trilhas no Spotify e sigo ouvindo bastante esse tipo de som, principalmente enquanto escrevo no trabalho.

OK, mas por qual motivo digo isso? Procurava uma inspiração para mais uma coluna e me deparei com a trilha sonora em CD de Extermínio, de 2002, na minha estante. Certo, e daí? Primeiro, que ela chegou até mim de maneira estranha também. Foi basicamente uma apropriação indébita. Segundo, que ela foi um dos álbuns que mais ouvi na vida, no meu carro. Sim, no meu carro — quando tocadores de CD ainda existiam nessa forma. Terceiro, que se trata de uma das melhores trilhas já compostas.

O compositor é John Murphy, e é estranho pensar que tenho uma mídia física e, sabe-se lá o motivo, o álbum não esteja completo no Spotify; há apenas uma versão de “In a Heartbeat” no aplicativo. Esta é uma das faixas mais conhecidas de Extermínio e marca o momento de maior explosão do longa-metragem. Excelente, por sinal.

O compositor é John Murphy e é estranho pensar que a tenho em mídia física e o album não esteja completo no Spotify – Crédito: Vinícius Lemos

Foi na visita à casa de um amigo que pedi o disco emprestado, ainda na época da faculdade. É uma versão bem bacana, com embalagem de papel, um encarte com uma mini-história no universo do filme e conteúdo para ser visto em computadores — quando tocadores de CD ainda existiam nessa forma —, a exemplo de cenas inéditas, trailer e fotos de bastidores.

Para resumir a história, o empréstimo virou posse, pois o CD nunca mais voltou às mãos do amigo. Poderia chamar de crime, mas ele sabe onde o disco está e meio que deu de ombros para a música em mídia física.

Lá se vão cerca de 20 anos desde que a trilha está comigo. E, repito, ela era ouvida com frequência. Inclusive, tirei algumas faixas dali para coletâneas gravadas em outros CDs que eu mesmo fazia. Sempre disse que a faixa “Tower Block” tem um drop que poderia encaixar no set de qualquer DJ, de alguma forma. Fora que a trilha ainda inclui temas bonitos, como “Jim’s Parents” e “The End”, misturados com sons pesados.

Murphy dilui sombras em guitarras e música eletrônica.

O disco ainda traz canções de outros artistas, como as excelentes “Season Song”, do Blue States; “AM 180”, do Grandaddy; e “An Ending”, de Brian Eno.

Trilhas sonoras boas podem ser ótimas de ouvir sem assistir ao filme, ou mesmo exigindo que o som esteja vinculado ao que vemos em tela. O álbum de Extermínio inclui ambas as opções.

Por se tratar da trilha de um dos filmes mais importantes da década de 2000 e por ter uma história curiosa na minha vida, foi meio que instantâneo ver o disco na minha casa e ele se transformar também neste texto.