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Mônica Cunha

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Ponto corrente: o que a agulha e uma roda de amigas me ensinaram sobre silêncio e pressa

Três anos de bordado e uma roda de amigas me ensinaram a silenciar a pressa e a viver o presente

, em Uberlândia

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Começou com um bastidor pequeno, daqueles que cabem na palma da mão. Fui a primeira aluna, e a primeira aluna, vamos combinar, é uma mulher sozinha com uma agulha, pensando: meu Deus, o que eu faço com essas ferramentas?

Eu nem imaginava ser capaz de bordar como bordo hoje. Quem imaginou por mim foi a mestre Beloni, que me deu a confiança que eu não tinha, um ponto de cada vez.

Aí vieram outras. Chegaram pelo fim de tarde das segundas e foram ficando, e fui descobrindo que havia irmãs que eu ainda não conhecia. Depois a roda cresceu para as manhãs de sábado, e foi quando o futuro sentou ao meu lado: amigas de uma geração depois da minha, de linha na mão e pressa no corpo, aprendendo a fazer uma coisa que não tem atalho.

Porque bordado não tem. Tem o sol da janela guiando a gente, e tem o ponto, que se aprende errando. Mas o que se aprende de verdade, sem ninguém avisar, é silenciar a pressa sem sentido da qual ainda somos reféns.

Bolsa de tecido com cordão, verde na parte de baixo e estampa de rosas em cima, com renda branca na emenda
Crédito: Arquivo pessoal

Três anos depois, há camisa de flor no meu armário. Há quadrinho na parede de amigo, bolsa no ombro de amiga. E há, na casa da minha mãe, o Espírito Santo em ponto corrente, porque ela pede sempre a mesma coisa: paz. Fiz com a fé que o ponto exige, que é voltar todo dia e continuar.

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Entre uma hora e outra, passaram cafés e histórias. Passou nascimento, passou morte. Passou gente viajando, gente se mudando, gente voltando. A linha foi costurando tudo, sem fazer alarde.

Hoje a gente celebra. Não o quadro pronto, mas o tempo que coube dentro dele.

Para a festa, a bolsa já espera: verde embaixo, estampa de rosas cor de vinho em cima, uma renda branca no meio, como a emenda entre o que veio pronto e o que a gente faz. No tecido verde, o risco de caneta já desenha uma rosa grande, botões, um laço e um raminho de florzinhas, só esperando a linha. As de cima são rosas de fábrica. As de baixo vão ser rosas de tardes, cada pétala uma conversa.

E o cordão, quando a gente puxa, fecha tudo lá dentro: batom, documentos, celular e três anos de segundas e sábados.

Porque bordar, no fim, é mais do que bordar. É viver o presente.