Quantas vezes já decretaram o fim do rádio e da TV?
Histórias do século passado relembram previsões equivocadas sobre o desaparecimento de meios de comunicação e reforçam a importância de olhar com cautela para as transformações do setor
Não é de hoje que surgem previsões pessimistas sobre o fim do rádio e da televisão. Mas, em 2026, esses meios de comunicação continuam presentes na vida dos brasileiros, preservando hábitos de consumo e mantendo sua relevância na sociedade. Mesmo diante do avanço das plataformas digitais, o rádio e a TV seguem conquistando audiência e ocupando espaço no cotidiano da população.

Um levantamento publicado pelo estrategista em negócios de comunicação Fernando Morgado resgata algumas dessas previsões que não se concretizaram. As declarações, feitas principalmente na década de 1950, mostram como até profissionais experientes podem se equivocar ao tentar antecipar os rumos da mídia.
Um dos exemplos é de 1941, quando o escritor Graciliano Ramos previu que o rádio poderia acabar com as orquestras filarmônicas. Na época, o crescimento da radiodifusão provocava debates sobre os impactos da nova tecnologia na música e nas formas tradicionais de apresentação artística.
Mais de uma década depois, em agosto de 1952, o radialista Túlio de Lemos chegou a chamar o rádio de “um grande morto”, em meio às preocupações com o avanço da televisão. No mesmo ano, ele também afirmou que a TV sufocaria o cinema e o teatro, embora considerasse que isso aconteceria em um futuro distante.

Ainda em 1952, o diretor e produtor Cassiano Gabus Mendes foi além e estabeleceu um prazo para o desaparecimento do rádio: dez anos. A previsão apontava para 1962 como o possível fim desse meio de comunicação.
Mais de seis décadas depois do prazo anunciado, o rádio continua presente no cotidiano dos brasileiros, seja nas transmissões tradicionais, seja em novas plataformas digitais. Cinema e teatro também seguem ativos, enquanto a televisão permanece como um dos principais meios de comunicação do país.
O futuro da mídia nem sempre segue as previsões

Os exemplos históricos ajudam a compreender que o surgimento de uma nova tecnologia não significa, necessariamente, o desaparecimento das anteriores. Ao longo do tempo, diferentes meios de comunicação passaram por mudanças, adaptaram formatos e encontraram novas maneiras de alcançar o público.
A televisão não acabou com o rádio, assim como a internet não eliminou a TV. Em vez disso, o setor passou a conviver com diferentes plataformas, que disputam a atenção da audiência e também podem se complementar.
Ao resgatar essas histórias, Fernando Morgado faz um alerta contra o que chama de “Cavaleiros do Apocalipse Midiático”: aqueles que anunciam o fim de determinado meio de comunicação diante de cada nova transformação tecnológica.
A história mostra que acompanhar as mudanças é essencial, mas decretar o desaparecimento de um meio exige cautela. Na comunicação, o futuro costuma ser mais complexo do que as previsões mais pessimistas conseguem imaginar.