Leilane Neubarth deixa o estúdio, mas nunca o jornalismo
A despedida da jornalista marca o fim de um ciclo na televisão brasileira, mas reforça o legado de uma das profissionais mais respeitadas do telejornalismo
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Algumas despedidas não têm o peso de um adeus. Elas parecem mais um ponto de transição na história de quem fez da profissão um modo de viver. A saída de Leilane Neubarth do jornalismo diário da Globo é uma delas.

Depois de 47 anos de carreira, a jornalista decidiu deixar a rotina das redações e dos telejornais. Para quem acompanhou sua trajetória, a notícia inevitavelmente desperta um sentimento de nostalgia. Não porque o jornalismo esteja perdendo uma profissional qualquer, mas porque se despede de uma geração que ajudou a construir a televisão brasileira como a conhecemos.
Leilane nunca foi apenas uma apresentadora de bancada, dos estúdios. Antes de tudo, sempre foi repórter. Daquelas que faziam questão de estar onde a notícia acontecia, mesmo quando o conforto do estúdio já estava garantido. Desceu ao interior de uma mina em Goiás, percorreu zonas de conflito no Oriente Médio, mostrou histórias em Cuba e chegou ao ponto de disputar o Rally Granada-Dakar enquanto fazia a cobertura da competição. Poucos jornalistas podem dizer que viveram a notícia dessa forma.
Sua carreira também acompanhou a evolução do telejornalismo. Participou da criação de projetos inovadores, ajudou a consolidar formatos que hoje parecem naturais e esteve presente em momentos decisivos da comunicação brasileira. Em cada fase, mostrou uma característica cada vez mais rara: disposição para mudar.
Talvez seja justamente por isso que sua despedida faça sentido. Em sua mensagem, Leilane deixou claro que está encerrando apenas um ciclo, não sua relação com o jornalismo.
Profissionais como Leilane lembram que credibilidade, preparo e experiência continuam sendo ingredientes indispensáveis. O jornalismo muda, as plataformas mudam, mas alguns valores permanecem.
O público, agora, vai ver menos o rosto que atravessou décadas levando informação com equilíbrio e profissionalismo. Mas o jornalismo tem um exemplo que continuará inspirando novas gerações e essa profissional se chama Leilane Neubarth.