Uberlândia Esporte: a base é a mina de ouro que nenhum clube pode ignorar
Fortalecer a categoria de base não é discurso bonito - é sobrevivência, projeto e futuro para clubes fora do eixo
Se existe algo que deveria ser prioridade absoluta para qualquer clube das divisões inferiores, é o investimento sério nas categorias de base.
Não há atalho: sem um projeto estruturado de formação, não há futuro esportivo nem financeiro sustentável.

Durante a coletiva de apresentação do projeto da SAF do Uberlândia Esporte Clube, o empresário Fábio Mineiro – proponente da proposta – afirmou que pretende priorizar o fortalecimento das categorias de base caso assuma o controle do time.
A sinalização é promissora. Uma SAF que não prioriza a formação corre o risco de se transformar apenas em um novo modelo de administração com velhos problemas de gestão.
Exemplos de clubes que souberam valorizar suas divisões de base e colheram os frutos dessa estratégia não faltam:
- O Bahia manteve percentual do volante Gregore, revelado no clube e negociado com o futebol norte-americano. Meses depois, voltou a lucrar com a revenda do jogador.
- O Athletico Paranaense, referência na formação de atletas, soube negociar bem jogadores como Bruno Guimarães e Renan Lodi, mantendo percentuais que renderam milhões em vendas futuras para Europa.
- O Ceará soube valorizar Arthur Cabral, formado no clube, negociado inicialmente com o Palmeiras e depois com o Basel, da Suíça. O clube manteve percentual e faturou alto na ida do jogador à Fiorentina.
Esses clubes entenderam algo essencial: jogador da base é ativo.
Formar atletas não significa apenas reforçar o elenco principal, mas sim planejar a sustentabilidade financeira do clube.

No caso do Uberlândia Esporte, retomar o protagonismo nas categorias de base representa uma oportunidade de reconstrução sólida e estratégica. Desde a captação e formação de jovens no sub-15 e sub-17 até a preparação completa para o elenco profissional, tudo isso deve fazer parte de um processo contínuo e bem planejado, que o Fábio Mineiro deve entender bem.
Com uma estrutura adequada – campos de treinamento, alojamento digno, acompanhamento físico, psicológico e educacional, além de profissionais qualificados – já é possível transformar talentos regionais em atletas valorizados no mercado.
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E o retorno vem em diversas frentes: desempenho técnico, venda direta, percentual em futuras negociações e até com o mecanismo de solidariedade da FIFA, que remunera clubes formadores quando atletas são transferidos internacionalmente.
Em resumo: quem forma, fatura. Quem fatura, cresce. Quem cresce, constrói um clube competitivo de forma duradoura.
Se a SAF do Uberlândia Esporte Clube avançar, o projeto da base precisa estar no centro da proposta.
Sem base, não há teto. E sem estrutura, não há como sonhar grande.