Além das 4 linhas: o que ocorreu antes da bola rolar na Copa do Mundo 2026

Um grupo de manifestantes entrou em confronto com a polícia mexicana nesta quinta (11), nos arredores do Estádio Azteca, na Cidade do México

, em Uberlândia

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O jogo entre México e África do Sul nesta quinta (11) deu o pontapé inicial na Copa do Mundo 2026, que é realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. Porém, questões geopolíticas têm influenciado diretamente as delegações e profissionais envolvidos na disputa, que vai além das quatro linhas.

O que ocorreu antes da bola rolar na Copa do Mundo 2026? Entenda

1. Um grupo de manifestantes entrou em confronto com a polícia mexicana nesta quinta (11), nos arredores do Estádio Azteca, na Cidade do México. O incidente ocorreu enquanto as seleções do México e da África do Sul disputavam a partida de abertura da competição.

Manifestações nos arredores do Estádio Azteca marcaram a estreia da Copa do Mundo 2026 - Crédito: Reprodução/ Polícia Mexicana
Manifestações nos arredores do Estádio Azteca marcaram a estreia da Copa do Mundo 2026 – Crédito: Reprodução/ Polícia Mexicana

2. Omar Abdulkadir Artan, eleito o Melhor Árbitro Africano de 2025 pela Confederação Africana de Futebol (CAF), teve seu visto negado na segunda (08). Apesar de viajar para os EUA com um passaporte diplomático, ele teve a entrada recusada e foi mandado de volta para a Somália. A FIFA anunciou que ele não poderá apitar jogos no torneio.

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3. Também na última segunda, a seleção do Uzbequistão foi revistada em busca de cães farejadores de bombas. Ao chegarem nos Estados Unidos os membros da delegação foram revistados com uso de detector de metais. Além disso, a organização local recorreu a cães farejadores para verificação de mochilas e bolsas da seleção do Uzbequistão.

5. Por conta do conflito entre Irã e Estados Unidos, os jogadores iranianos receberam autorização para entrar em território americano apenas para disputar as partidas da Copa do Mundo, mas não poderão permanecer no país entre os compromissos. A delegação chegou no México no domingo (07), onde fica concentrada durante a primeira fase da competição. Ou seja, a equipe terá que fazer o deslocamento de ida e volta entre México e EUA nas três partidas que disputará na fase de grupos, e, ainda, caso consiga passar para a fase de mata-mata.

6. O jogador da seleção iraquiana Aymen Hussein foi detido no último sábado (06) para interrogatório por 7 horas ao entrar nos Estados Unidos. Após a investigação, o jogador teve a entrada liberada.

O jogador iraquiano Aymen Hussein foi barrado e depois liberado para entrar nos Estados Unidos - Crédito: Reprodução/FIFA
O jogador iraquiano Aymen Hussein foi barrado e depois liberado para entrar nos Estados Unidos – Crédito: Reprodução/FIFA

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7. Na última sexta (05), o atacante suíço Breel Embolo teve seu visto de entrada para os Estados Unidos colocado em análise mais detalhada, dias antes da estreia da equipe suíça. O impasse atrasou sua viagem e ocorreu devido a uma condenação judicial de 2023 no seu país, relacionada a ameaças.  Após investigação, o atacante foi liberado para entrar no país.

Especialista explica política migratória

Isabella Fontaniello, pesquisadora de migrações internacionais e doutoranda em Ciência Politica na UFU, disse que a política migratória dos Estados Unidos precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo.

“Donald Trump, por meio da Proclamação 10998, emitida no final de 2025, retomou e ampliou uma política que também esteve presente em seu primeiro mandato, a restrição da entrada de cidadãos estrangeiros considerados, pelo governo, como possíveis ameaças à segurança nacional”, disse a especialista em entrevista ao portal Paranaíba Mais.

Segundo ela, a entrada de pessoas de vários países passou a sofrer limitações, “reforçando uma política migratória marcada por critérios que produzem efeitos discriminatórios”, relatou.

Conforme Isabella, as autoridades migratórias podem, sim, submeter atletas, árbitros e delegações a verificações adicionais para confirmar identidade, documentação, finalidade da viagem e eventuais questões de segurança.

“No entanto, essa verificação não deveria ocorrer exclusivamente em razão da nacionalidade, raça, religião, gênero, aparência ou orientação sexual”, informou a especialista.