Caso Euclides: suspeito que guardou carros do crime nega envolvimento, mas aponta homicídio

Defesa alega que investigado estava trabalhando no momento do crime; juiz converteu prisão em preventiva após veículo ser achado na casa do suspeito

, em Uberlândia

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Novos detalhes da audiência de custódia que manteve jovem de 21 anos preso preventivamente como suspeito de envolvimento no desaparecimento do idoso Euclides de Oliveira, levaram a  Polícia Civil a tratar o caso como homicídio.

O jovem afirmou em depoimento não ter envolvimento no crime, e a defesa apresentou álibe que confirma que o suspeito trabalhava no momento do desaparecimento. Ele segue preso no presídio Jacy de Assis.

suspeito de envolvimento no caso euclides em audiência de custódia
Suspeito de envolvimento no “caso Euclides” nega participação – Crédito: Reprodução

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Prisão foi realizada após carros envolvidos no crime serem encontrados na residência do suspeito

A prisão em flagrante do jovem ocorreu na terça-feira (9), no bairro Jardim Europa, durante operação da Delegacia de Homicídios e do Corpo de Bombeiros. O principal fator para manter o jovem preso foi a localização dos supostos veículos utilizados no crime, que estavam escondidos na sua residência.

Fiorino usada no caso euclides foi encontrada em residência do investigado
Fiorino usada no crime foi encontrada em residência do investigado e levada para o pátio de perícias da Polícia Civil – Crédito: TV Paranaíba/Reprodução

De acordo com imagens de câmera de segurança, um Honda Fit branco foi visto em frente à casa de Euclides pouco antes do crime, ocupado por três indivíduos encapuzados. O carro apresentou problemas mecânicos na fuga.

Na sequência, o idoso foi transferido para uma caminhonete Fiat Fiorino branca, pertencente a um outro homem, que posteriormente se descobriu ser amigo do suspeito preso. Ambos os veículos, além de um VW Gol vermelho pertencente ao avô do jovem investigado, foram achados em sua propriedade.

Veja imagens que flagraram o Honda Fit e Fiorino usados no crime:

Linha de homicídio consumado foi informada pelo suspeito, após mudar depoimento

Inicialmente, o investigado de 21 anos negou qualquer participação na ação criminosa, alegando desconhecer os fatos e dizendo que a presença da Fiorino em sua casa era um mero favor prestado ao amigo. No entanto, segundo o despacho do flagrante da Polícia Civil, a versão se mostrou incompatível com as provas colhidas.

O documento policial revela que, “após ser confrontado com novas informações obtidas pela investigação, [o suspeito] admitiu ter mentido em suas declarações anteriores, passando a afirmar que os fatos, na realidade, tratavam-se de um homicídio consumado”.

Ainda segundo o relato, embora o jovem tenha se recusado a formalizar a narrativa por receio de represálias dos demais envolvidos no crime, “a retratação parcial de sua versão inicial constitui relevante indicativo de que detinha conhecimento prévio e detalhado da dinâmica criminosa, incompatível com a condição de mero terceiro alheio aos acontecimentos”.

Durante a audiência de custódia, o juíz responsável destacou que os indícios são suficientes para manter a prisão preventiva, embora os elementos formais sobre o homicídio ainda sejam considerados frágeis juridicamente neste momento processual.

Investigado alegou que não teve participação no planejamento do crime

Em seu depoimento, o investigado alegou inocência no planejamento do crime e afirmou que o amigo apenas pediu para deixar a van em sua casa. “Ele pediu para deixar a van lá em casa. Eu falei: ‘ok, sem problema nenhum’. E aí eu levei ele até o serviço dele. E ele me pediu para a gente fazer umas entregas. E a gente fez essas entregas com o meu carro”, declarou.

O investigado relatou ainda que o amigo apresentava comportamento incomum, aparentando estar tenso e utilizando constantemente o telefone celular. Ao término das entregas, esse amigo pediu ao investigado para ser deixado em uma região próxima aos bairros Granada ou Saraiva, alegando que a filha estava passando mal.

Ele ainda afirmou que, quando a polícia chegou à sua casa por volta das 18h de terça-feira (09), ele se recusou a fornecer a senha de seu celular. Segundo ele, os policiais o algemaram e utilizaram o sistema de reconhecimento facial (Face ID) para desbloquear o aparelho.

Defesa apresenta ponto eletrônico do suspeito como álibi

Em nota oficial enviada ao Portal Paranaíba Mais, o advogado de defesa do suspeito, Marco Túlio de Sousa Freitas, reafirmou que o cliente nega qualquer participação direta no sumiço do idoso. A defesa apresentou um registro de ponto biométrico que comprova que o jovem estava cumprindo expediente em uma empresa no Distrito Industrial no momento do crime.

“Na data e horário do fato, [x] estava trabalhando normalmente na empresa [x], tendo iniciado sua jornada às 05h40 e saído somente às 14h27, com intervalo de almoço entre 10h25 e 11h30 sem sair do local, fato este que o afasta completamente do local e horário do delito”, diz a defesa. A reportagem ocultou os nomes do suspeito e da empresa.

Os advogados reforçam que a localização dos veículos de terceiros na garagem não constitui prova de autoria.

Polícia procura proprietário da Fiorino

A Polícia Civil confirmou que o caso passou a ser investigado sob o escopo de homicídio, abandonando a tese inicial de sequestro, uma vez que não houve qualquer contato dos criminosos para extorsão ou pedido de resgate.

As investigações prosseguem de forma intensa para localizar o amigo do investigado, que é apontado como proprietário da Fiorino e responsável por deixar os carros na casa do jovem.

Policiais civis estiveram no endereço desse suposto dono dos veículos, mas ele não foi localizado e o seu aparelho celular encontra-se desligado. As buscas também seguem no sentido de encontrar Euclides de Oliveira.