Moto usada em ataque contra advogado pertence à Ceami
Relatório policial conclui que o veículo utilizado no ataque é de propriedade da Ceami, mas autor do crime não foi identificado; advogado sustenta que ação teve motivação política após denunciar supostas irregularidades
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A investigação da Polícia Civil de Uberlândia concluiu que a motocicleta utilizada no ataque ao carro de um advogado, ocorrido no início deste ano, pertence à Ceami Reabilitação para a Vida, uma das entidades que mais recebem recursos provenientes de emendas impositivas de vereadores do município.
Segundo o delegado Cirano de Almeida, responsável pelo relatório policial, embora a propriedade do veículo tenha sido identificada, não foi possível apontar quem conduzia a motocicleta no dia do crime.
Em depoimento, o presidente da Ceami, Onézimo Domingos, afirmou que “não existe um controle rigoroso do uso dos veículos, pois é uma comunidade terapêutica aberta e os veículos são utilizados por funcionários e internos da comunidade”. Ao ser apresentado à fotografia do motociclista registrada pelas câmeras de segurança, entretanto, afirmou não reconhecer o homem.
Contradição nos depoimentos
Na tentativa de identificar o responsável pelo ataque, a Polícia Civil também ouviu um gerente da instituição, funcionário da Ceami há mais de onze anos.
Inicialmente, ele informou que a entidade mantinha registros diários de utilização dos veículos, incluindo horários de entrada e saída, e se comprometeu a apresentar, em até três dias, a identificação de quem utilizava a motocicleta na data do crime.
Posteriormente, porém, alterou sua versão. Segundo o relatório policial, o gerente afirmou que os controles existentes se referiam apenas aos automóveis, e não às motocicletas.
Responsabilização civil
Sem a identificação do autor do ataque, o inquérito não resultou no indiciamento de nenhuma pessoa. Ainda assim, o delegado registra no relatório a possibilidade de responsabilização civil da instituição, diante da ausência de controle sobre a utilização de seus veículos.
A situação chama atenção porque a Ceami é uma organização do terceiro setor que recebe recursos públicos e, por essa condição, está submetida a obrigações de prestação de contas e manutenção de documentação administrativa.
O ataque
O crime ocorreu em 11 de janeiro de 2026. Na ocasião, o advogado João Vitor Macedo estacionou seu veículo nas proximidades do Praia Clube. Ao retornar, encontrou o automóvel com danos na pintura e em diversas partes externas.
Imagens de câmeras de segurança mostram um homem chegando ao local em uma motocicleta pertencente à Ceami, descendo do veículo e lançando um líquido sobre o carro. De acordo com a perícia da Polícia Civil, o material utilizado era um produto químico ainda não identificado, mas com potencial para provocar danos significativos ao veículo.

Denúncias antecederam o ataque
João Vitor Macedo sustenta que o ataque teve motivação política. Segundo o advogado, pouco mais de um mês antes do episódio — em 7 de dezembro de 2025 — ele protocolou representação no Ministério Público apontando supostas irregularidades envolvendo emendas parlamentares destinadas à Ceami.
A entidade figura entre as maiores beneficiárias de recursos provenientes de emendas impositivas da Câmara Municipal. Neste ano, a previsão é que receba mais de R$ 2,5 milhões em indicações apresentadas pelos vereadores Ivan Nunes, Ronaldo Tannús, Antonio Augusto Queijinho e Pezão do Esporte.
A representação apresentada pelo advogado continua sob investigação na Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público.
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Outro lado
O Paranaíba Mais tentou contato com representantes da Ceami para comentar o conteúdo da investigação policial, mas até o momento, não obteve retorno.