Marcelo Aro: a aposta que terminou em isolamento
Depois de romper com Mateus Simões para tentar construir uma candidatura própria ao Governo de Minas, Marcelo Aro vê Federação União Progressista retornar à base do PSD e acaba politicamente isolado na disputa majoritária
Durante os últimos dias, uma das principais movimentações dos bastidores da política mineira girou em torno de um único personagem: Marcelo Aro. Depois de anos ocupando posição estratégica no grupo político do então governador Romeu Zema e do governador Mateus Simões, o ex-deputado federal decidiu mudar de rota.
Incomodado com a construção da candidatura do senador Carlos Viana (PSD) à reeleição para o Senado em um espaço que entendia lhe pertencer dentro da aliança governista, Aro passou a trabalhar uma alternativa mais ousada: disputar ele próprio o Governo de Minas. O movimento produziu uma das maiores reconfigurações políticas deste início de campanha e terminou de forma muito diferente daquela imaginada.
Na noite desta quarta-feira (05), a Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas) oficializou apoio à candidatura de Mateus Simões ao Governo de Minas, indicando Danilo de Castro para vice-governador e confirmando Marcelo Aro como candidato ao Senado de forma isolada, sem o apoio de uma chapa majoritária ao governo estadual e com outros dois nomes no mesmo grupo político: Carlos Viana e Superman do Novo.

Da ruptura ao isolamento
Depois de deixar a base do governo, Aro passou a dialogar com diferentes partidos na tentativa de construir uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes. As conversas envolveram especialmente Republicanos e PL.
A expectativa era formar uma ampla frente de centro-direita que pudesse alterar completamente o cenário eleitoral mineiro. Por alguns dias, esse projeto pareceu possível. Mas os acontecimentos das últimas 48 horas mudaram completamente o cenário.
Primeiro veio o impasse envolvendo Cleitinho e o Republicanos. Depois, o PL lançou candidatura própria com Flávio Roscoe. Agora, a própria Federação União Progressista retorna ao grupo político de Mateus Simões.
Há poucos dias, durante a convenção da Federação União Progressista, Marcelo Aro discursava como quem se preparava para disputar o Governo de Minas. O ambiente era de construção de candidatura. Hoje, a mesma federação decidiu integrar oficialmente a chapa de Mateus Simões.
De “traidor” a candidato isolado
Nos bastidores do Palácio Tiradentes, o rompimento de Marcelo Aro foi recebido como uma traição política. Os cargos indicados pelo ex-deputado na estrutura administrativa estadual foram exonerados e a relação política, que já estava desgastada, tornou-se praticamente irreversível.
Agora, com o retorno da Federação União Progressista à base governista, Aro deixa de ocupar o papel de dissidente interno e passa a enfrentar outro desafio: disputar uma eleição praticamente sozinho.
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As notas divulgadas nesta quarta-feira deixam claro que não haverá coligação para o Senado. Isso significa que Carlos Viana disputará a reeleição pelo PSD. Marcelo Aro concorrerá pela Federação União Progressista. E Superman será o candidato do Partido Novo. Cada um seguirá seu próprio caminho eleitoral.
Embora o foco imediato recaia sobre Marcelo Aro, o maior beneficiado da nova configuração é Mateus Simões. A nova coligação reúne PSD, Federação União Progressista, Novo, Federação PRD/Solidariedade e Avante.
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Além do fortalecimento político, a composição tende a ampliar significativamente o tempo de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão e aumenta a capilaridade da campanha em praticamente todas as regiões do Estado, além de reduzir o espaço para candidaturas dentro do mesmo campo político.
Na política, romper uma aliança sempre envolve riscos. Marcelo Aro fez um cálculo, apostou que conseguiria transformar seu capital político em uma candidatura ao Governo de Minas, esperou o desfecho envolvendo Cleitinho e apostou numa composição com o PL. Nenhuma dessas alternativas prosperou.
Aro até permanece candidato ao Senado, mas o projeto político que justificou sua ruptura deixou de existir.