Mulheres na ciência: pesquisadoras ganham espaço na inovação científica do país

As mulheres são quase metades dos pesquisadores do país e tem buscado resultados inovadores e olhares mais sensíveis no meio científico

, em Uberlândia

Quando se pensa em pesquisa, as pessoas costumam imaginar um homem sob um jaleco e dentro de um laboratório. Mas hoje, dia 11 de fevereiro, é Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, data que mostra como a academia tem se transformado com a presença feminina.

De acordo com relatório Elsevier-Bori, a presença feminina na pesquisa científica cresceu 29% nos últimos 20 anos, e 49% da produção científica brasileira já conta com pelo menos uma mulher entre os autores.

Pesquisa por mulheres fortalece novas visões na ciência

Para a professora e pesquisadora Fernanda Magalhães, a orientação acadêmica exerce papel central nesse processo. Segundo ela, é nesse espaço que se constrói a autonomia científica das jovens pesquisadoras.

“A orientação é fundamental para desenvolver análise crítica, estimular questionamentos e ajudar na construção de uma identidade científica”, explica.

Fernanda Magalhães durante a cerimônia de premiação voltado para inovação na Saúde
Fernanda Magalhães durante a cerimônia de premiação voltada para inovação na saúde – Crédito: Arquivo Pessoal/Reprodução

Mas Fernanda destaca que, apesar dos avanços, ainda existem desafios importantes, como a menor presença de mulheres em cargos de liderança e a desigualdade no ritmo de progressão profissional.

“As mulheres aumentam a criatividade, o rigor e a capacidade de resolver problemas complexos. Além disso, servem como inspiração para novas gerações e ajudam a reter talentos na pesquisa”, comenta.

Mulheres na ciência têm pesquisado por um futuro melhor

Entre as jovens pesquisadoras orientadas por Fernanda está a estudante de Medicina Karol Amancio, que desenvolve um estudo sobre o efeito de extratos vegetais no controle metabólico de diabetes tipo 2.

Segundo Karol, o contato com a pesquisa permite transformar vivências pessoais em conhecimento aplicado.

mulheres na ciência: Karol amancio segurando rato em atividade acadêmica
Karol Amancio tem o sonho de usar a pesquisa para mudar a realidade ao seu redor – Crédito: Arquivo Pessoal/Reprodução

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“Minha motivação veio da curiosidade de entender melhor os mecanismos das doenças e buscar ferramentas que possam ajudar o próximo. Os resultados iniciais indicaram potencial dos fitoterápicos na redução do consumo alimentar e do ganho de peso”, explica.

Ja em áreas historicamente masculinas, como o agronegócio, a participação feminina também tem avançado. A docente e pesquisadora Joely Bittar observa essa transformação no cotidiano do laboratório: atualmente, cerca de 70% das integrantes do seu grupo de pesquisa são mulheres.

“Esse dado não é resultado de seleção direcionada, mas do maior interesse das próprias jovens pesquisadoras. A pesquisa faz parte da minha trajetória desde a graduação, e hoje vejo como ela pode transformar realidades, especialmente ao ouvir o campo e buscar soluções para os desafios enfrentados pelo produtor rural”, relata.

Joely explica que seu trabalho busca gerar conhecimento com aplicação prática, impactando diretamente a sanidade e a produção animal, além de contribuir para a formação humana dos estudantes.

Mulheres na ciência – Cenário no Brasil

Segundo dados do CNPq, as mulheres já representam cerca de 43,7% das pesquisadoras no Brasil. Além disso, programas de incentivo têm fortalecido esse movimento, como chamadas específicas de agências de fomento e iniciativas voltadas à presença feminina em áreas como Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.

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Para Joely, as mulheres trazem perspectivas mais sensíveis, comprometidas e inovadoras. “No agro, isso se reflete em práticas mais sustentáveis e no cuidado com os animais. Na pesquisa, amplia a diversidade de ideias e torna a ciência mais conectada às realidades do campo e da sociedade.”

Mais do que números, esse movimento representa a construção de uma ciência mais diversa e preparada para enfrentar um cenário que ainda desfavorece e traz uma série de obstáculos a tantas mulheres.