Dia Mundial do Elefante: Brasil abriga único santuário da América Latina

Em Chapada dos Guimarães, o espaço recebe animais que passaram décadas em cativeiro e oferece áreas para a recuperação física e comportamental

, em Uberlândia

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No Dia Mundial do Elefante, celebrado nesta quarta-feira (12), a história desses gigantes ganha um capítulo especial no Brasil. Em Chapada dos Guimarães (MT), o Santuário de Elefantes Brasil (SEB) abriga elefantas que passaram décadas em cativeiro e agora vivem em uma área de Cerrado destinada à reabilitação.

Localizado a cerca de 65 km de Cuiabá, o espaço é apresentado como o único da América Latina dedicado exclusivamente ao acolhimento de elefantes resgatados.

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Dia Mundial do Elefante
Baby se acomodou dentro do galpão, na área com maior quantidade de terra solta – Créditos: Reprodução/@elefantesbrasil

As elefantas vivem em habitats com vegetação nativa e grandes áreas para circulação. Cada animal dispõe de dezenas de milhares de metros quadrados, espaço superior ao mínimo de 1.500 m² para dois animais estabelecido pelo Ibama. A proposta é permitir que elas retomem comportamentos naturais, como caminhar por longas distâncias, explorar o ambiente e interagir com outros elefantes.

Segundo a National Geographic, o Dia Mundial do Elefante foi concebido em 2011 pela cineasta canadense Patricia Sims, em parceria com a Elephant Reintroduction Foundation, da Tailândia, e lançado oficialmente em 12 de agosto de 2012. Desde então, a iniciativa se tornou um movimento global, somando mais de 100 organizações de conservação de elefantes.

Dia Mundial do Elefante destaca animais resgatados

Atualmente, o santuário abriga um grupo de fêmeas asiáticas, entre elas Maia, Rana, Bambi, Mara e Guillermina, além de Baby, que chegou ao local em 2026.

Em junho, Baby deixou o Beto Carrero World, em Santa Catarina, após uma decisão judicial. A elefanta passou cerca de 30 anos em cativeiro e percorreu aproximadamente 2 mil quilômetros até o novo destino, acompanhada por veterinários e tratadores.

Outro caso envolve Sandro, elefante asiático que vive há mais de quatro décadas no Zoológico de Sorocaba (SP). A Justiça de São Paulo determinou a transferência dele para o santuário, e o transporte está em planejamento.

Por que os elefantes vão para o santuário?

O espaço surgiu para oferecer uma alternativa a animais que ficaram sem destino após mudanças na legislação e o fechamento de circos, além de casos envolvendo zoológicos.

Segundo a proposta do santuário, muitos elefantes chegam depois de anos de confinamento, apresentando problemas nas patas, sequelas provocadas por correntes e dificuldades de interação social.

Entre os objetivos está justamente proporcionar um ambiente com maior autonomia e diminuir o contato excessivo com pessoas, evitando situações de estresse.

O modelo também enfrenta desafios

A trajetória do santuário inclui episódios delicados. Em 2025, duas elefantas africanas recém-chegadas da Argentina morreram, em um caso que levou à suspensão temporária da autorização para receber novos animais. A permissão acabou sendo revista depois de um tempo.

O episódio também mostrou uma das dificuldades enfrentadas no resgate: muitos animais chegam idosos e com a saúde comprometida após décadas de confinamento.

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Outros casos ainda estão em debate

A existência de elefantes em zoológicos brasileiros mantém aberta a discussão sobre quais seriam os melhores destinos para esses animais.

Enquanto zoológicos preservam funções educativas e de conservação, o modelo de santuário prioriza a reabilitação e o bem-estar individual dos animais que já passaram grande parte da vida em cativeiro.

No Brasil, essa discussão ganhou um endereço: Chapada dos Guimarães. No Dia Mundial do Elefante, a história das gigantes resgatadas mostra que a preservação desses animais também passa pelo território brasileiro.