A história por trás de Dona Beja, remake com Grazi Massafera
Nova obra televisiva conta história de Ana Jacinta de São José, conhecida como Dona Beja, figura histórica de Minas Gerais, Formiga, Araxá e Estrela do Sul
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A nova novela da HBO Max, o remake Dona Beja com a atriz Grazi Massafera, já estreou no streaming e tem feito sucesso na internet. A produção mergulha na história de Ana Jacinta de São José, figura lendária de Minas Gerais do século XIX.

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Quarenta anos após a versão exibida pela extinta Rede Manchete, Dona Beja volta às telas, agora em uma releitura que, segundo especialistas no assunto, deve manter o foco no mito e deixar em segundo plano a história real da mineira Ana Jacinta de São José.
Ana Jacinta, conhecida como Dona Beja, nasceu em 1800 em Formiga, em Minas Gerais, filha de Maria Bernarda dos Santos. Teve um único irmão, Francisco Antônio Rodrigues. Segundo a Fundação Cultural Calmon Barreto de Araxá, ela morou em Araxá e Estrela do Sul (que na época era chama Bagagem).
Na adolescência, foi sequestrada pelo ouvidor do rei de Portugal, Joaquim Ignácio Silveira da Mota. Em 1819, voltou para Araxá com uma filha, Thereza Thomásia de Jesus, em busca de um recomeço. Dona Beja ascendeu socialmente após construir um sobrado na antiga Praça da Matriz, lugar onde se concentravam a igreja, a Câmara e as melhores residências da então vila de Araxá.

No local, possuía a Chácara da Beja, popularmente conhecida como Chácara do Jatobá, um bordel. Por volta de 1850, saiu da cidade com desejo de encontrar diamantes em Bagagem, atual Estrela do Sul. Estabeleceu raízes na cidade até sua morte, em 1873.
Tradicionalmente, Dona Beja é conhecida por reconquistar o território do Triângulo Mineiro para Minas Gerais, no século 19, quando o local pertencia à província de Goiás. Segundo o escritor e jornalista Pedro Divino Rosa, natural de Estrela do Sul (MG) e autor do livro “Dona Beija”, a mulher teve uma enorme importância para a história de Minas Gerais.
“Foi decisiva na anexação do Triângulo Mineiro de volta a Minas, quando o território ainda pertencia à província de Goiás. Isso ocorreu a partir da intervenção política dela”, afirmou em entrevista ao Paranaíba Mais.

Dona Beja 2026 x Dona Beija 1986
Se a novela de 1986 abordava com força o contexto da escravidão, afinal, Ana Jacinta nasceu em um período escravocrata, a nova produção opta por um caminho diferente. Os personagens negros não aparecem mais como escravizados, e a narrativa desloca o debate para outras pautas sociais contemporâneas. Porém, a nova trama ainda destaca o preconceito racial.
Segundo o jornalista e colunista do Paranaíba Mais, Júnior Caritel, há um detalhe simbólico que diferencia as duas obras: a grafia do nome. Na versão original, era “Dona Beija”, com “i”. Na adaptação atual, o título passa a ser “Dona Beja”. Pequena mudança que reforça o caráter de releitura, não é a mesma obra, é uma nova leitura para um novo tempo.
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Outro ponto forte é a abordagem da gordofobia. A personagem Carminha, filha de Costa Pinto, sofre constantes críticas da própria mãe, Dona Augusta, por conta da aparência física, um tema atual que dialoga diretamente com o público contemporâneo.
