Vai multar? Radares de velocidade média serão testados em rodovias de MG; veja quais e como funcionam

Projeto-piloto autorizado pela ANTT inclui trechos das BR-050, BR-381, BR-040 e BR-116, com duração inicial de 180 dias e sem aplicação de penalidades nesta etapa

, em Uberlândia

Google News

Quem costuma reduzir a velocidade ao se aproximar de um radar e voltar a acelerar logo depois de passar pelo equipamento terá uma nova forma de fiscalização para ficar de olho. Radares que calculam a velocidade média dos veículos entre dois pontos da rodovia serão testados em oito estados brasileiros, incluindo Minas Gerais.

No estado mineiro, os testes foram autorizados em trechos de quatro rodovias federais. Um deles fica na BR-050, em Uberaba, onde a tecnologia já vinha sendo utilizada de forma educativa.

Os experimentos terão duração inicial de 180 dias, prazo que poderá ser prorrogado ou encerrado antecipadamente pela ANTT. Durante essa etapa, a velocidade média registrada pelos equipamentos não poderá, por si só, gerar multa ou outra penalidade.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

radares de velocidade média
Nova tecnologia continua em fase de testes na região — Crédito: Reprodução/Redes sociais

Os testes foram autorizados pela Superintendência de Infraestrutura Rodoviária (Surod), da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e os atos foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) em 9 de setembro de 2026.

Como funciona o radar de velocidade média

Diferentemente dos radares convencionais, que verificam a velocidade de um veículo em um ponto específico, o sistema de velocidade média acompanha o deslocamento entre dois pontos da rodovia.

O equipamento registra o horário de passagem do veículo nos locais de monitoramento. Com base na distância percorrida e no tempo gasto no trajeto, o sistema calcula a velocidade média no trecho. Na prática, o motorista passa a ser monitorado ao longo de um segmento da rodovia, e não apenas no momento em que passa diante de um radar.

Segundo a ANTT, os projetos-piloto serão avaliados em condições reais de operação. A Agência pretende verificar a confiabilidade dos dados, o funcionamento dos equipamentos, o comportamento dos usuários e o desempenho da operação.

O sistema registra a passagem do veículo em dois pontos distintos da rodovia e calcula o tempo gasto entre eles – Créditos: Ecovias/Reprodução

As concessionárias responsáveis pelos trechos deverão encaminhar mensalmente os resultados dos testes à Surod. A superintendência também poderá solicitar dados, relatórios ou avaliações complementares durante o experimento.

Onde os testes serão realizados

Os projetos-piloto foram autorizados em trechos das seguintes rodovias:

  • Espírito Santo: BR-101/ES;
  • Goiás: BR-414/GO;
  • Mato Grosso do Sul: BR-163/MS;
  • Minas Gerais: BR-050/MG, BR-381/MG, BR-040/MG e BR-116/MG;
  • Paraná: PR-444, PR-862, BR-376/PR, BR-163/PR, BR-277/PR e PR-151;
  • Rio de Janeiro: BR-101/RJ, incluindo a Ponte Rio-Niterói, e BR-116/RJ;
  • Rio Grande do Sul: BR-386/RS;
  • Santa Catarina: BR-101/SC.

As autorizações são específicas para cada trecho e concessionária, permitindo o acompanhamento individual dos resultados.

Quais são os trechos de Minas Gerais

Em Minas Gerais, os testes serão feitos em trechos de quatro rodovias federais.

Na BR-050, em Uberaba, o teste será feito em um trecho de 10,83 km, entre os km 171 e 182, no sentido Sul. Na BR-381, serão monitorados 5 km, entre os km 524 e 528.

A BR-116 terá dois trechos de testes: um de 8,3 km, entre os km 499 e 507, no sentido Sul, e outro de 10,6 km, entre os km 711 e 700, no sentido Norte.

Na BR-040, também haverá dois trechos: um de 7,4 km, entre os km 546 e 553, e outro de 4,9 km, entre os km 552 e 547.

Uberaba já testava a tecnologia

Embora esteja incluída na nova autorização da ANTT, Uberaba não começa agora a testar o sistema.

A tecnologia já vinha sendo utilizada de forma educativa em um trecho de aproximadamente 11 km da BR-050, entre os km 171 e 182. A experiência foi realizada para avaliar o comportamento dos motoristas e ações relacionadas à segurança viária.

Segundo informações divulgadas pela concessionária, uma ação educativa realizada em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acompanhada por uma redução de 22,5% nos flagrantes na comparação entre os 15 dias anteriores e posteriores à atividade.

Na ocasião, a concessionária informou que os motoristas identificados eram abordados e recebiam orientações sobre o projeto e a segurança no trânsito.

LEIA MAIS!

Quando os testes começam?

A ANTT não estabeleceu uma única data para o início dos testes em todos os trechos. Cada concessionária deverá primeiro implantar as condições necessárias para o funcionamento do sistema, incluindo equipamentos e sinalização.

Por isso, os experimentos poderão começar em datas diferentes, conforme o andamento da implantação em cada segmento. A sinalização deverá informar os motoristas sobre a realização do projeto-piloto e o monitoramento da velocidade média.

Vai haver multa?

Não pela velocidade média registrada durante o teste.

A ANTT estabeleceu que os projetos-piloto têm caráter técnico, educativo e experimental. Dessa forma, a velocidade média calculada no trecho monitorado não poderá, sozinha, resultar em autuação ou penalidade.

Isso não significa que o sistema esteja autorizado, nesta etapa, para fiscalização sancionatória por velocidade média. Uma eventual utilização futura com essa finalidade dependerá de novas avaliações técnicas, regulatórias e jurídicas, além das autorizações necessárias.

O que a ANTT vai acompanhar?

Durante os 180 dias de experimento, a ANTT vai analisar o funcionamento dos sistemas e os resultados obtidos pelas concessionárias.

Entre os aspectos avaliados estão:

  • Confiabilidade dos dados;
  • Funcionamento dos equipamentos;
  • Comportamento dos usuários;
  • Desempenho operacional;
  • Resultados obtidos nos trechos monitorados.

A Surod poderá solicitar informações adicionais sempre que considerar necessário para acompanhar os testes. A ANTT pode autorizar soluções e tecnologias ainda não regulamentadas para testes, conforme a Resolução nº 6.000/2022.

Tecnologia já foi testada em outros locais

O uso de radares de velocidade média em caráter educativo também já ocorreu em outros locais do país.

Em São Paulo, testes realizados anteriormente resultaram em 852 mil notificações em seis meses, sem que os avisos gerassem multas ou infrações pela modalidade experimental.

A experiência permitiu observar o comportamento dos motoristas diante de um modelo de controle que considera o deslocamento ao longo de um trecho, e não apenas a velocidade registrada diante de um equipamento.

Entenda a diferença

No radar convencional, o equipamento verifica a velocidade do veículo em um ponto específico da rodovia.

No radar de velocidade média, o sistema considera a distância entre dois pontos e o tempo gasto pelo veículo para percorrê-la.

Com essas informações, o sistema calcula a velocidade média no trecho. Nesta fase, a ANTT quer testar a tecnologia na prática e avaliar se o sistema funciona de forma confiável.

Quer continuar por dentro das principais notícias de Minas Gerais e Uberlândia? Acompanhe o Portal Paranaíba Mais e confira outras notícias que estão movimentando a região.