Veja o ranking das cidades com recorde histórico de ventos extremos em 2025
Brasil registrou 117 episódios de ventos extremos, com rajadas acima de 80 km/h
O Brasil atingiu um patamar crítico de eventos climáticos extremos em 2025. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o país registrou o recorde de 117 episódios de ventos extremos, acima de 80 km/h. É o maior número desde que a série histórica foi iniciada, em 2002.

O salto é alarmante: houve um aumento de 89% em relação ao ano passado. Para se ter uma ideia da gravidade, a frequência atual é quatro vezes maior do que a média registrada na última década.
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As cidades mais atingidas
Embora a região Sul concentre o maior número de ocorrências, os ventos destrutivos se espalharam por diferentes biomas brasileiros, do Pará a Minas Gerais. Confira as maiores velocidades registradas em 2025:
- Rio Pardo (RS) – 147,6 km/h
- Altamira (PA) – 140,4 km/h
- Santiago (RS) – 128,1 km/h
- São João del-Rei (MG) – 127,0 km/h
- Santo Augusto (RS) – 127,0 km/h
O Rio Grande do Sul consolidou-se como o epicentro dos vendavais em 2025, ocupando três das cinco posições no ranking de maior intensidade. Esse fenômeno é explicado pela frequência recorde de ciclones extratropicais e sistemas frontais que ganharam força com o aquecimento atípico da atmosfera.
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Evolução histórica
A comparação direta entre os dois últimos anos revela a aceleração das mudanças climáticas:
-
2024: 62 ocorrências de ventos acima dos 80 km/h;
-
2025: 117 ocorrências de ventos acima dos 80 km/h.
O Inmet reforça que ventos acima de 100 km/h possuem alto poder de destruição, sendo capazes de arrancar coberturas metálicas, tombar caminhões e colapsar torres de transmissão de energia, como foi o caso ocorrido no mês passado no município de Prata, no Triângulo Mineiro.
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A ciência por trás dos ventos extremos
Segundo o climatologista Denis William, o fenômeno está ligado à intensificação dos sistemas de pressão atmosférica. “Temos observado a formação de ciclones mais intensos sobre o Sul do Brasil. Esses sistemas intensificam o gradiente de pressão atmosférica, o que favorece ventos mais fortes. Como resultado, as rajadas não se restringem apenas às áreas costeiras, mas também avançam para o interior do país”, explica.
Essa “interiorização” dos vendavais justifica o porquê de cidades como São João del-Rei (MG) e Altamira (PA) aparecerem com destaque em um ranking historicamente dominado por cidades litorâneas ou do extremo sul.
“Ainda não podemos afirmar que este é o ‘novo normal’. Podemos considerar 2025 como um ano atípico, mas apenas o tempo dirá”, afirma Denis. “Do jeito que as coisas estão caminhando, acredito que podemos esperar rajadas acima da climatologia nos anos seguintes. Se este padrão se mantiver pelos próximos 10 ou 15 anos, aí sim poderemos confirmar um novo normal”.