Ciclone-bomba causa morte no RS; entenda o impacto em Minas

Fenômeno já matou uma pessoa e feriu outras cinco no Rio Grande do Sul; ventania e frente fria agora trazem rajadas de vento para Minas Gerais nesta sexta.

, em Uberlândia

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O ciclone-bomba que atingiu o Rio Grande do Sul na quinta-feira (6) deixou um rastro de destruição no estado: uma pessoa morreu, cinco ficaram feridas e 118 municípios registraram algum tipo de dano até a manhã desta sexta-feira (7), segundo a Defesa Civil gaúcha. O fenômeno já perdeu força e se afasta para o oceano, mas a frente fria associada a ele segue avançando pelo país e provoca rajadas de vento em Minas Gerais, além de nebulosidade e possibilidade de chuva em algumas regiões do estado.

Ciclone-bomba no rio grande do sul
332 mil residências ficaram sem energia e 121 pessoas estão desabrigadas no Rio Grande do Sul – Crédito: Ari Dias/AEN

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O que já aconteceu no Rio Grande do Sul

A vítima fatal foi um motociclista de 33 anos que se acidentou na rodovia RS-124, no município de Montenegro, na região metropolitana de Porto Alegre. De acordo com a diretora do Departamento de Gestão de Risco da Defesa Civil do estado, Ana Maria Hermes, ainda não há confirmação sobre o que exatamente provocou o acidente. “A gente ainda não sabe se a árvore caiu no momento em que ele passava ou se já estava caída na estrada e ele bateu”, explicou.

Entre os feridos, um morador de Novo Hamburgo se enroscou em fios elétricos durante o temporal e segue em estado de saúde que exige atenção. Um militar foi atingido por um estilhaço enquanto atendia uma ocorrência dentro de uma viatura, em Osório, e outras três pessoas tiveram ferimentos leves em Dom Feliciano.

Ainda conforme a Defesa Civil, a maioria das ocorrências registradas nos municípios gaúchos está relacionada aos ventos fortes, enquanto uma parcela menor dos danos veio da chuva de granizo que atingiu algumas cidades. Em Pedro Osório, um tornado acompanhado de granizo levou a prefeitura a suspender as aulas da rede municipal e o transporte escolar para Pelotas.

O impacto também chegou ao abastecimento básico da capital gaúcha. A Estação de Tratamento de Água São João, responsável por atender mais de 600 mil pessoas em Porto Alegre, ficou sem energia elétrica durante o temporal, assim como doze estações de bombeamento. Como consequência, ao menos 45 bairros da cidade enfrentaram baixa pressão ou falta d’água desde a noite de quinta-feira. No auge da tempestade, cerca de 332 mil domicílios atendidos por duas concessionárias ficaram sem luz, número que já foi reduzido na maior parte das residências. O estado ainda contabiliza pelo menos 121 pessoas desabrigadas.

Apesar da gravidade dos estragos, a Defesa Civil avalia que o pior já passou para os gaúchos. “O ciclone já avançou e não representa mais grandes ameaças para a região”, afirmou Ana Maria Hermes.

Por que São Paulo e Rio de Janeiro estão em alerta

Mesmo perdendo força e se deslocando para o alto-mar, o sistema ainda preocupa outras regiões do país. O Inmet mantém alerta de vendaval até este sábado (8) para sete estados: Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. Nos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro, a Defesa Civil alerta para rajadas de vento que podem superar os 100 km/h, enquanto a frente fria associada ao fenômeno espalha nuvens pelas duas capitais e também por Minas Gerais.

Tecnicamente, o ciclone-bomba se forma quando uma área de baixa pressão atmosférica se intensifica de forma muito rápida, o que gera vendaval, chuvas fortes e uma queda brusca de temperatura nas regiões afetadas.

Qual é o impacto em Minas Gerais

Segundo o climatologista Denis Garcia, o ciclone em si não deve atingir Minas Gerais, já que o sistema permanece sobre o oceano. O que chega ao estado é a frente fria associada a ele, responsável por rajadas de vento mais intensas e aumento de nebulosidade em algumas regiões.

De acordo com o especialista, o sul de Minas deve registrar ventos entre 50 km/h e 55 km/h, com possibilidade de pancadas de chuva também na Zona da Mata mineira. Já no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba, os ventos devem ficar entre 40 km/h e 45 km/h, sem previsão de chuva significativa na maior parte da região. O fenômeno acontece por causa da diferença de pressão atmosférica entre áreas do continente e as proximidades do ciclone, o que faz o ar se deslocar das regiões de alta pressão para as de baixa pressão, um movimento intensificado ainda pela diferença de temperatura entre essas áreas.

Uberlândia e outros municípios do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba receberam ainda dois alertas específicos do Inmet, válidos para esta sexta-feira, motivados pela combinação de baixa umidade do ar com rajadas de vento que podem chegar a 60 km/h. Segundo o instituto, existe risco baixo de queda de galhos, destelhamentos pontuais e danos em estruturas mais frágeis. A tendência é que o sistema perca força sobre a região a partir de sábado, quando o tempo firme deve voltar a predominar.

Recomendações da Defesa Civil para Minas Gerais

Diante da previsão de ventania e do tempo seco, a Defesa Civil orienta a população mineira a reforçar a hidratação, evitar atividades físicas nos horários mais quentes do dia e reduzir a exposição prolongada ao sol. Em caso de rajadas de vento, a recomendação é não buscar abrigo debaixo de árvores, evitar estacionar veículos próximos a torres de transmissão de energia e placas de propaganda, além de acompanhar os avisos emitidos pelos órgãos oficiais.

Situações de emergência podem ser comunicadas à Defesa Civil pelo telefone 199 ou ao Corpo de Bombeiros pelo número 193.

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