Primeiro carro elétrico da UFU é lançado e já mira competição internacional
Desenvolvido integralmente por estudantes de Engenharia, o primeiro carro elétrico da UFU já tem como meta disputar a Fórmula SAE Brasil e buscar uma vaga em competição internacional
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O primeiro carro elétrico desenvolvido integralmente por estudantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) saiu do papel e já acelera em direção ao primeiro grande desafio. Lançado oficialmente nesta terça-feira (7), o veículo representará a instituição na Fórmula SAE Brasil, uma das principais competições universitárias de engenharia automobilística do mundo.
Criado por alunos do Laboratório de Mobilidade Automobilística e Urbana (LAMAU), da Faculdade de Engenharia Elétrica, o carro é resultado de cerca de dois anos de trabalho e reúne inovação, pesquisa e formação prática. Mais do que construir um veículo de competição, os estudantes precisaram captar recursos, conquistar patrocinadores e transformar um projeto acadêmico em realidade.

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Carro elétrico da UFU nasceu da confiança de empresas parceiras
Desenvolver um carro elétrico de competição exige um investimento elevado. Segundo Henrique Silva, diretor administrativo do LAMAU, o custo do projeto ultrapassa R$ 100 mil, valor impossível de ser custeado apenas pelos estudantes.
Para viabilizar a iniciativa, a equipe passou por um processo de reestruturação financeira e iniciou uma busca por empresas dispostas a acreditar no projeto. Hoje, grande parte dos patrocinadores é formada por companhias de Uberlândia. “Hoje é um projeto que custa mais de R$ 100 mil para ser construído. Exige realmente o apoio de muitas empresas, tanto técnico quanto financeiro”, afirma Henrique.
Segundo ele, o relacionamento construído ao longo dos últimos anos foi decisivo para tirar a ideia do papel. “As empresas acreditaram quando tudo ainda era uma apresentação em PowerPoint. Apostaram na equipe antes mesmo de existir um carro.”
Além do suporte financeiro, essa aproximação também abriu portas para os universitários no mercado de trabalho. Muitos integrantes da equipe acabam sendo contratados pelas empresas parceiras antes mesmo de concluir a graduação.
Engenharia aplicada do começo ao fim
Grande parte das soluções utilizadas no veículo precisou ser criada pelos próprios alunos.
Segundo Lucas Lara Carvalho, diretor operacional na equipe, o maior desafio foi desenvolver um projeto praticamente do zero e adaptar uma tecnologia que ainda é pouco difundida nas competições brasileiras. “Desde sempre o LAMAU focou em um sonho. Criar tudo do zero é sempre um desafio. Um dos maiores foi implementar a tecnologia elétrica, porque ainda são poucas as equipes que participam dessa categoria. Tivemos que pesquisar muito, acompanhar equipes internacionais e adaptar o nosso projeto ao modelo brasileiro.”
O trabalho exigiu que os estudantes fossem além da teoria aprendida em sala de aula. Além de pesquisar novas tecnologias, foi necessário aprender processos de fabricação durante o desenvolvimento do veículo. “A gente teve que procurar um caminho para construir esse conhecimento. E, além disso, partir para a parte prática. Como estudantes, muitos de nós não sabíamos soldar, por exemplo. Contamos com muito apoio dos nossos patrocinadores em toda a etapa de manufatura.”
Para Henrique, essa capacidade de criar soluções próprias é um dos maiores diferenciais do laboratório. “Pensar fora da caixa praticamente virou o slogan do LAMAU. A gente desenvolve muitas soluções do zero e isso faz parte da nossa identidade.”
Lucas destaca que um dos principais diferenciais do carro está na estrutura. “Hoje o nosso diferencial é justamente a parte estrutural. Desde a base do chassi até a carroceria utilizamos fibra de carbono, um material que poucas equipes conseguem trabalhar. Ela oferece resistência e, ao mesmo tempo, reduz bastante o peso do carro.”
O estudante explica ainda que o veículo é totalmente elétrico e aproveita tecnologias desenvolvidas anteriormente pelo laboratório. “O carro é 100% elétrico. Todo o sistema de baterias foi desenvolvido dentro da UFU e parte desse conhecimento veio de um projeto anterior de moto elétrica de competição, que serviu de base para o desenvolvimento do carro.”
Depois de quase três anos na equipe, Henrique afirma que dirigir o veículo pela primeira vez foi um momento inesquecível. “Foi difícil segurar as lágrimas. É muito gratificante pilotar algo que a gente ajudou a construir.”

Fórmula SAE Brasil será o primeiro grande desafio
O veículo foi desenvolvido para disputar a Fórmula SAE Brasil, competição que reúne equipes universitárias de instituições públicas e privadas de todo o país.
A edição deste ano será realizada entre 29 de julho e 3 de agosto, na fábrica da Ford, em Tatuí (SP). Além das provas dinâmicas na pista, as equipes também são avaliadas em critérios como projeto de engenharia, análise de custos, design e plano de negócios.
Segundo Daniel Reis, idiretor operacional do LAMAU, o desempenho depende de muito mais do que velocidade. “A competição avalia todo o trabalho desenvolvido pela equipe. O carro é apenas uma parte da pontuação.”
Para Lucas, a competição também representa uma oportunidade de incentivar novos estudantes a seguirem carreira na engenharia. “Esse projeto inspira tanto crianças quanto estudantes que estão entrando agora no meio acadêmico. A competição estimula a inovação e mostra um pouco do futuro da tecnologia.”
O objetivo da equipe é conquistar uma colocação entre as melhores do país e garantir uma vaga para representar o Brasil na etapa internacional da Fórmula SAE, realizada em Michigan, nos Estados Unidos.
Muito além de construir um carro
Embora o veículo seja o resultado mais visível, os estudantes destacam que o maior legado está na formação profissional.
Ao longo do projeto, os integrantes desenvolvem habilidades em engenharia elétrica e mecânica, gestão de projetos, planejamento financeiro, negociação com empresas, liderança e trabalho em equipe.
O laboratório também se consolidou como um ambiente de inovação, aproximando universidade e mercado por meio de projetos de alta complexidade.
Para os integrantes do LAMAU, o carro representa o resultado de anos de dedicação coletiva, mas também o ponto de partida para novos desafios tecnológicos.
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