Pesquisador da UFU cria algoritmo para turbinar IAs sem o uso de supercomputadores

Segundo o pesquisador Anderson Santos, o algoritmo para turbinar IAs foi aprovado pela comunidade internacional

, em Uberlândia

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Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Computação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) pode representar um avanço significativo na democratização da Inteligência Artificial (IA). O projeto resultou no desenvolvimento do RIS-Kernel, uma tecnologia capaz de permitir que modelos avançados de IA processem grandes volumes de informação utilizando computadores convencionais, sem a necessidade de supercomputadores ou placas de vídeo (GPUs) de alto desempenho. A tecnologia será apresentada, via online, numa conferência internacional nos Estados Unidos ainda este mês (leia mais abaixo).

O projeto é de autoria do professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Anderson Santos, Doutor em Bioinformática. Conforme o pesquisador, sua criação é na prática um algoritmo para turbinar IAs sem a necessidade de supercomputadores.

algoritmo para turbinar IAs
Pesquisador da UFU cria algoritmo para turbinar IAs sem o uso de supercomputadores – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal

“Eu não criei uma IA nova, eu fiz com que qualquer IA, de baixo, médio ou alto desempenho, gaste menos hardware e tempo de processamento. Estou democratizando o uso da IA”, disse Anderson, em entrevista ao Paranaíba Mais.

Pesquisador da UFU cria algoritmo para turbinar IAs

Atualmente, os chamados Grandes Modelos de Linguagem (LLMs), responsáveis por ferramentas como o ChatGPT, dependem de enorme capacidade computacional para analisar textos extensos, documentos jurídicos, prontuários médicos ou artigos científicos.

Essa exigência faz com que apenas grandes empresas de tecnologia e centros de pesquisa com elevados investimentos consigam desenvolver e operar esses sistemas em larga escala.

Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, a ideia surgiu de forma inesperada durante pesquisas na área da bioinformática, voltadas ao estudo das interações entre proteínas de bactérias.

pesquisador de IAs apresenta projeto
Pesquisador une biologia com estudos computacionais – Crédito: Reprodução/ arquivo pessoal

Da biologia para a Inteligência Artificial

O trabalho teve origem no desenvolvimento do GenPPi, software criado para prever redes de interação entre proteínas bacterianas. Durante a evolução do projeto, o sistema passou a gerar uma quantidade muito grande de conexões, dificultando as análises estatísticas.

“Para solucionar esse problema, foi criado o algoritmo Reduced Interaction Sampling (RIS), um método matemático de amostragem inteligente capaz de selecionar apenas as interações mais relevantes sem alterar a estrutura geral da rede”, disse o pesquisador.

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Meses depois, ao utilizar ferramentas de Inteligência Artificial no cotidiano, o pesquisador percebeu que os modelos de linguagem enfrentavam um desafio matemático semelhante ao encontrado nas redes de proteínas. A partir dessa constatação nasceu o RIS-Kernel, adaptando o algoritmo originalmente desenvolvido para a biologia ao processamento de grandes modelos de linguagem.

Como funciona

O método tradicional utilizado pelos modelos de IA, conhecido como “atenção densa”, compara praticamente todas as palavras de um texto entre si. Quanto maior o documento, maior é o consumo de memória e processamento, fazendo com que a demanda computacional cresça de forma exponencial. O RIS-Kernel, por sua vez, propõe uma abordagem diferente.

“Em vez de analisar todas as conexões possíveis, o algoritmo identifica apenas aquelas com maior probabilidade de carregar informações relevantes para compreender o contexto e responder corretamente às perguntas do usuário”, contou Anderson.

 supercomputadores
Projeto de pesquisador dispensa o uso de supercomputadores – Crédito: Reprodução/ Agência Brasil

Na prática, conforme o pesquisador, o algoritmo funciona como uma “lupa inteligente”, filtrando as conexões mais importantes e descartando relações pouco úteis para a interpretação do texto.

Projeto aprovado pela comunidade internacional

O projeto do pesquisador foi aprovado pela comunidade internacional. O estudo teórico do RIS foi publicado no periódico Scientific Reports (do grupo Nature Portfolio), e a validação de sistemas do RIS-Kernel foi aceita para apresentação oral na conferência internacional 25th International Conference on Information & Knowledge Engineering (IKE’26), agendada para o período de 20 a 24 de julho de 2026, nos Estados Unidos. A apresentação do pesquisador da UFU será online.

Para democratizar a tecnologia, o código-fonte do wrapper e os dados dos benchmarks foram disponibilizados sob licença de software livre no GitHub, de modo que pesquisadores do mundo inteiro possam auditar e avançar o projeto.

Impacto ambiental

Além da redução dos custos, o RIS-Kernel também pode contribuir para diminuir o impacto ambiental da Inteligência Artificial. De acordo com o pesquisador, grandes modelos de linguagem exigem enorme quantidade de energia elétrica para treinamento e operação, além de elevado consumo de água nos sistemas de resfriamento dos data centers.

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Ao reduzir significativamente o número de operações matemáticas necessárias para processar textos longos, a tecnologia diminui também o consumo energético e as emissões de carbono associadas ao funcionamento desses sistemas.