Estudantes da UFU criam tecnologia para pacientes em uso de anticoagulantes e vencem competição nacional do Sebrae
Projeto AMPA reúne alunos de Enfermagem, Sistemas de Informação e Artes Visuais para desenvolver ferramenta de acompanhamento pelo WhatsApp; equipe conquistou o primeiro lugar do Sebrae Supernova e terá oportunidade de missão internacional na Alemanha
Uma equipe de estudantes da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) conquistou o primeiro lugar da primeira temporada de 2026 do Sebrae Supernova, competição nacional de empreendedorismo e inovação. Os universitários desenvolveram o AMPA (Aplicativo de Monitoramento para Pacientes Anticoagulados), uma ferramenta que utiliza o WhatsApp para auxiliar no acompanhamento de pacientes que fazem uso de medicamentos anticoagulantes.
A conquista foi celebrada na quinta-feira (5), em uma cerimônia na Reitoria da UFU, em Uberlândia. Como premiação, os quatro integrantes e a professora orientadora terão direito a uma missão internacional na Alemanha, prevista para o primeiro semestre de 2027.

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O resultado colocou em evidência uma iniciativa que nasceu da colaboração entre estudantes de Artes Visuais, Sistemas de Informação e Enfermagem. A proposta é utilizar recursos tecnológicos para facilitar a comunicação entre profissionais de saúde e pessoas que precisam de acompanhamento contínuo durante o tratamento.
Aplicativo busca facilitar acompanhamento de pacientes anticoagulados
Medicamentos anticoagulantes são utilizados para prevenir a formação de coágulos sanguíneos e reduzir riscos associados a condições como trombose. O tratamento, porém, exige atenção dos pacientes, já que o uso inadequado pode estar relacionado a complicações, incluindo episódios de sangramento.
Foi diante dessa necessidade que surgiu a proposta do AMPA. O projeto busca desenvolver uma ferramenta que ajude os pacientes a compreender melhor os cuidados relacionados ao tratamento e a manter uma rotina de acompanhamento.
Segundo a professora orientadora da equipe, Suely, o funcionamento previsto envolve dois públicos, profissionais de saúde e pacientes. O profissional baixa o aplicativo, enquanto o paciente recebe as orientações e mensagens diretamente pelo WhatsApp.
A professora explica que uma das primeiras etapas foi estudar os medicamentos, compreender os desafios relacionados à anticoagulação e definir como as informações deveriam ser transmitidas de maneira acessível.
O objetivo foi evitar que o conteúdo técnico dificultasse a compreensão de quem utiliza os medicamentos.
Quatro estudantes de áreas diferentes construíram a solução
A equipe AMPA é formada por dois estudantes de Sistemas de Informação, um de Enfermagem e uma de Artes Visuais. Cada integrante contribuiu com conhecimentos específicos para o desenvolvimento da proposta.
Enquanto os estudantes de Sistemas de Informação ficaram responsáveis pela programação, o integrante de Enfermagem contribuiu com o conhecimento sobre o tratamento e as necessidades dos pacientes.

A estudante de Artes Visuais participou da construção da identidade visual e da organização das informações apresentadas na ferramenta.
Para Suely, a integração entre as áreas foi determinante para que o projeto avançasse.
“Sozinha, a área da saúde não conseguiria. Os meninos do Sistema de Informação, apesar de não conhecerem o conteúdo, conseguiram fazer essa programação. E a aluna de Artes Visuais entendeu a mensagem que nós queríamos passar.”
A professora também destaca que a experiência permitiu aos estudantes enxergar possibilidades profissionais que nem sempre são consideradas durante a graduação.
Um dos exemplos foi o aluno de Enfermagem, que, segundo ela, chegou a questionar sua permanência no curso e passou a enxergar outras possibilidades de atuação profissional por meio da inovação.
Projeto está na segunda versão e aguarda testes com pacientes
A primeira versão da ferramenta foi construída e testada pelos próprios integrantes da equipe, etapa que permitiu identificar falhas e fazer ajustes.
Atualmente, o projeto está na segunda versão. De acordo com Suely, a equipe também está estruturando a documentação metodológica e o processo de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa para avançar à etapa de testes com pacientes e profissionais de saúde.

Essa fase será importante para avaliar o funcionamento da solução junto ao público que deverá utilizá-la.
A proposta tem potencial de aplicação em diferentes especialidades médicas, já que pacientes de áreas como cardiologia, reumatologia e cirurgia vascular podem precisar de medicamentos anticoagulantes.
Suely acredita que a abrangência do problema foi um dos fatores que deram confiança à equipe durante a competição.
“O aplicativo pode ser aplicado em Uberlândia, no Brasil e no mundo, porque o mundo inteiro usa esse medicamento. O olhar social e a amplitude que esse aplicativo tem nos deram uma esperança muito forte.”
A professora também ressalta que a possibilidade de transformar o projeto em um negócio foi considerada durante a jornada do Supernova, que estimula os participantes a desenvolver soluções com potencial de mercado.
UFU conquista destaque em programa que reuniu mais de 52 mil inscritos
A vitória da equipe uberlandense ocorreu em um programa que ganhou dimensão nacional em seu primeiro ano. De acordo com o Sebrae, o Supernova contabilizou mais de 52 mil inscritos em 2026, distribuídos em mais de 8 mil equipes, com participação de estudantes de mais de 970 universidades e instituições de ensino, nos 27 estados brasileiros e em mais de 1.600 municípios.
Para Webia Silva, gestora de Projetos e Inovação do Sebrae Nacional, o alcance demonstra o interesse dos universitários em desenvolver soluções para problemas que identificam na sociedade.

“O jovem de hoje é nativo digital, inconformado e orientado a propósito: ele identifica uma dor real na sua comunidade ou área de estudo e busca ferramentas práticas para construir uma solução viável.”
Ela avalia que o programa funciona como uma conexão entre o conhecimento acadêmico e a criação de soluções com potencial de mercado e impacto social.
A diretora de Inovação do Sebrae Nacional, Elaine Novetti, também destaca o significado da vitória da UFU para a distribuição de oportunidades de inovação no país.
“A inovação não tem CEP. O talento está em todo lugar; precisamos garantir que as oportunidades também estejam.”
Elaine lembra que a UFU foi reconhecida como a 18ª melhor universidade do Brasil no Ranking Universitário Folha 2026, entre 205 instituições avaliadas. A universidade também ocupou a oitava posição nacional no indicador de inovação e a segunda em Minas Gerais, segundo os dados apresentados pela diretora.
Para ela, a conquista da AMPA reforça a capacidade de universidades fora dos grandes centros econômicos de desenvolver projetos com potencial de transformação.
Leia Mais: UFU fica em 18º lugar em avaliação das 100 melhores universidades do país
Supernova prevê missão internacional e novas temporadas
O ciclo de 2026 do Supernova foi organizado em três temporadas. A primeira, realizada entre março e agosto, já foi concluída, com a equipe AMPA como vencedora.
A segunda temporada, iniciada em maio e com encerramento previsto para novembro, está em fase de avaliação dos projetos. O anúncio dos vencedores deve ocorrer na segunda quinzena de novembro.
Já a terceira temporada, iniciada em agosto, está em andamento, com a divulgação dos resultados prevista para janeiro de 2027.
Os vencedores do primeiro lugar de cada temporada terão direito à missão internacional na Alemanha, prevista para o primeiro semestre de 2027. O benefício contempla todos os integrantes das equipes e os respectivos professores orientadores.
Segundo Webia Silva, os projetos que não conquistarem as primeiras colocações também podem continuar participando do programa. As equipes podem retornar em outras temporadas para aprimorar as propostas ou apresentar novas ideias.
O Sebrae também já projeta a expansão da iniciativa em 2027. A expectativa é sensibilizar mais de 400 mil estudantes, envolver 90 mil universitários em atividades de formação empreendedora e reunir mais de 20 mil equipes em todo o país.
Quarta temporada já está com inscrições abertas
Estudantes do Ensino Superior interessados em participar do Supernova podem se inscrever gratuitamente pela internet. A quarta temporada já está com inscrições abertas, e as atividades estão previstas para começar no início de 2027.
O programa oferece uma jornada de formação com conteúdos sobre desenvolvimento de ideias, validação de soluções, modelagem de negócios, prototipagem, marketing, vendas, finanças e apresentação de projetos.
A formação inclui videoaulas, encontros ao vivo, mentorias e atividades práticas. As equipes também desenvolvem competências relacionadas a liderança, comunicação, trabalho coletivo e gestão de projetos.
As inscrições podem ser feitas pelo site oficial.