Suspeito de decapitar a mãe diz ter ouvido vozes antes do crime

Preso de forma preventiva em Belo Horizonte, investigado relatou diagnóstico de esquizofrenia e será excluído do inventário da vítima pela Justiça

, em Uberlandia

O suspeito de decapitar a mãe em Belo Horizonte teve a prisão convertida em preventiva nesta quarta-feira (24), após audiência de custódia que trouxe à tona detalhes perturbadores sobre o que teria motivado o crime. Em depoimento à Polícia Civil, ele alegou ter ouvido uma voz ordenando que cometesse o assassinato.

Prisão suspeito de decapitar a mãe em BH é convertida em preventiva
Crime ocorreu no bairro Cachoeirinha, em BH – Crédito: Reprodução/RECORD Minas

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Em depoimento registrado nos autos, o investigado contou que uma voz, que ele não soube identificar a origem, teria determinado que ele matasse a própria mãe. Disse também que carrega um diagnóstico de esquizofrenia obtido em Portugal e que, apesar de já ter enfrentado episódios psicóticos no passado, havia abandonado tanto o acompanhamento médico quanto o uso de remédios, convicto de que não precisava mais de cuidados.

Suspeito de decapitar a mãe relatou também sentimento de vingança

O que chama atenção na versão apresentada pelo investigado é a coexistência de dois motivos distintos para o mesmo crime. Ao mesmo tempo em que atribuiu o ato a comandos auditivos, ele admitiu ter alimentado por conta própria o desejo de se vingar da mãe, a quem culpava por uma suposta falta de atenção ao longo da vida. 

O problema é que, na sequência do próprio depoimento, reconheceu que era ela quem sustentava a casa inteira, pagava todas as contas e garantia o básico do dia a dia, já que ele vivia sem emprego. A contradição ficou registrada nos autos sem qualquer explicação adicional da defesa.

Quanto à dinâmica do crime, o investigado descreveu cada etapa com detalhes e estimou que tudo teria acontecido em aproximadamente cinco minutos, desde o momento em que entrou no quarto até o fim das agressões. Conforme o interrogatório, o suspeito entrou no quarto onde a mãe dormia após ouvir a voz e a estrangulou. Em seguida, foi até a cozinha buscar uma faca, voltou ao cômodo e desferiu múltiplos golpes. Após a morte da vítima, decapitou o corpo.

Justiça determina custódia no CAMP e avaliação psiquiátrica

Para o juiz responsável pela audiência, a forma como o crime foi executado já seria, por si só, motivo suficiente para impedir que o investigado respondesse ao processo em liberdade. A decisão cita a violência fora do comum como elemento central para justificar a necessidade de proteger a ordem pública, independentemente de qualquer discussão sobre o estado mental do réu.

Ainda assim, a Justiça reconheceu que a questão psiquiátrica precisará ser aprofundada. Uma perícia oficial será realizada para determinar se o investigado tinha, no momento do crime, plena consciência dos próprios atos, o que pode influenciar diretamente na forma como ele responderá penalmente. Enquanto essa avaliação não ocorre, ele permanece no Centro de Apoio Médico e Pericial (CAMP), em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde também receberá acompanhamento médico e psiquiátrico.

Caso semelhante em BH termina com filho excluído da herança da mãe

Ainda em Belo Horizonte, outro episódio de filicídio ganhou um novo desdobramento judicial. Um homem que confessou ter matado a própria mãe, a professora Soraya Tatiana Bonfim França, de 56 anos, em julho de 2025, foi declarado indigno pela Justiça e perderá o direito a qualquer parte dos bens deixados pela vítima. A decisão partiu da 4ª Vara de Sucessões e Ausência da capital, após ação movida por parentes da professora, conhecida pelos alunos como “Tia Tati”.

A defesa tentou argumentar que uma eventual condenação criminal já seria suficiente para afastar o réu da herança, tornando a ação cível desnecessária. O juiz discordou e deixou claro que os dois processos correm de forma independente, sem que um precise aguardar o desfecho do outro. A confissão detalhada prestada pelo acusado durante as investigações foi o elemento que o magistrado considerou decisivo para julgar o pedido dos familiares procedente.

Relembre o caso

Decapitar a mãe e, em seguida, colocar uma carne para descongelar para preparar o almoço: foi isso que um homem de 27 anos confessou ter feito na manhã desta segunda-feira (22), dentro do apartamento onde os dois moravam, no bairro Cachoeirinha, na região Nordeste de Belo Horizonte. O comportamento completamente frio do suspeito foi o que mais chocou os policiais militares que atenderam a ocorrência. 

A Polícia Civil afirmou que investiga o caso do suspeito de decapitar a mãe - Crédito: RECORD Minas/ Reprodução
A Polícia Civil afirmou que investiga o caso – Crédito: RECORD Minas/ Reprodução

A mulher não era localizada por familiares há cerca de três dias. Preocupados com o silêncio, parentes foram até o endereço e, sem conseguir resposta à porta, acionaram a Polícia Militar. Os militares arrombaram a entrada do imóvel e depararam com o suspeito de pé, sem camisa e com as mãos erguidas. Questionado sobre a mãe, ele apontou para o cômodo onde estava o corpo.

A vítima foi encontrada com a cabeça decepada e marcas de várias perfurações provocadas por faca. A Polícia Civil informou que peritos do Instituto Médico-Legal dr. André Roquette realizarão exames no corpo após a coleta de vestígios no local.

O comportamento do suspeito ao decapitar a mãe

O sargento Gleidson Wellys da Silva, do 34º Batalhão da Polícia Militar, participou do atendimento e descreveu o estado em que encontrou o suspeito que confessou decapitar a mãe. Segundo o militar, o homem respondeu com naturalidade quando perguntado sobre a mãe, admitiu o crime e não ofereceu qualquer resistência à abordagem. “Ele estava bastante frio. A gente perguntou onde estava a mãe e ele respondeu que havia matado ela. Não demonstrou resistência e parecia ciente do que tinha feito”, relatou o sargento em entrevista à TV Record.

O policial, que acumula 20 anos de carreira, afirmou nunca ter se deparado com uma cena semelhante. Ele destacou que a combinação entre a brutalidade do ato e a frieza do suspeito logo depois foi o que mais pesou para a equipe. “O que mais chamou a atenção foi a frieza. Ele matou a mãe, a decapitou e tinha colocado uma carne para descongelar para fazer almoço. É uma situação muito difícil de entender”, disse.

Outro filho da vítima chegou ao local momentos antes da retirada do corpo. Mesmo orientado pelos policiais a não entrar no apartamento, ele insistiu em se aproximar e saiu visivelmente abalado, amparado por amigos e familiares.