Quem é o jovem esfaqueado em Uberlândia após sair de um bar
Aos 26 anos, rapaz se formou em engenharia da computação e trabalhava em uma empresa de TI; mãe revela trajetória marcada por batalhas desde o nascimento
“Meu filho é um milagre desde o ventre.” Com essa frase, Marcirene Aguiar resume a luta de Ian Victor Gomes Aguiar, de 26 anos, esfaqueado durante um assalto em Uberlândia, na madrugada de domingo (4). O jovem aguardava um carro de aplicativo após sair de um bar universitário no bairro Santa Mônica quando foi surpreendido por um criminoso que anunciou o roubo. Ao reagir ao assalto, Ian foi atingido por uma faca que perfurou o pulmão. Formado em engenharia da computação, o homem trabalhava em uma empresa de TI em Uberlândia. A família informou ao Paranaíba Mais que Ian já saiu da UTI, está estável e com um dreno no local onde ele foi ferido.
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Desde o ataque, Ian Victor está internado e se recupera da facada que atingiu o pulmão. A mãe, além da dor, pede justiça. “É muito difícil para uma mãe ver o filho, um menino bom, criado com tanto esforço, ser ferido por um bandido. Criei ele para ser honesto, trabalhador. Ele não merecia isso.” Marcire Aguiar também faz um apelo por mais segurança nas ruas da cidade. “Quantas outras mães vão ter que passar por isso? Uberlândia precisa proteger seus filhos.”
Vida marcada por luta e batalhas
Ainda no útero, ele enfrentou um quadro grave de descolamento da pleura do pulmão. O líquido da placenta precisou ser drenado e Marcirene Aguiar passou um mês acamada para garantir sua sobrevivência. “Ele nasceu com a pele toda queimada, sangrava onde dobrava. Mas venceu”, contou a mãe, emocionada.
Desde pequeno, Ian Victor dava sinais de que era especial. Aos seis anos, juntou moedas por um ano para comprar sua própria bola de futebol, chuteiras e uniforme. Anos depois, passou em uma faculdade federal antes mesmo de concluir o ensino médio, mas escolheu adiar o curso para tentar uma carreira no futebol. Quando o sonho nos campos não se concretizou, decidiu recomeçar a estudar em Uberlândia.

Sem emprego e sem lugar para morar, Ian viveu por um tempo no fundo da casa de uma tia. Começou como servente e depois conseguiu uma vaga em um call center. Pouco depois, ingressou no curso de Engenharia de Computação. Em meio a dificuldades financeiras, chegou a passar mal por ir às aulas sem se alimentar. Ainda assim, persistiu. “Hoje ele tem o apartamento e o carro dele. Sempre foi muito guerreiro, honesto e trabalhador. Como mãe, posso dizer que ele é um orgulho”, diz Marcirene Aguiar.
Antes de se mudar para Uberlândia, o jovem chegou a trabalhar como coletor de lixo na prefeitura da cidade onde vivia. “Chegava à noite coberto de barro e tremendo de frio, porque lavava os ônibus escolares da zona rural”, relata a mãe.

A paixão por Uberlândia e por Minas Gerais é tamanha que, segundo a mãe, ele faz questão de dizer que “não é mais goiano”. “Ele sempre fala com orgulho que agora é mineiro. Por isso, é tão doloroso ver o que aconteceu com ele justamente aqui, na cidade que ele ama.”
A polícia está investigando o caso e até o momento, nenhum suspeito foi encontrado.