Operação da PF mira abuso infantil na internet em 17 estados
Ação nacional cumpre mais de 30 mandados e faz prisões em flagrante no Rio; ofensiva ocorre junto à entrada em vigor do ECA digital
A operação da PF deflagrada nesta terça-feira (17) mobilizou agentes em todo o país, incluindo em Minas, para combater crimes cibernéticos ligados ao abuso sexual de crianças e adolescentes. Batizada de Operação Guardião Digital, a ofensiva cumpre 35 mandados de busca e apreensão e tem como foco identificar e responsabilizar suspeitos que atuam principalmente na internet.

As investigações apontam que os criminosos armazenam, compartilham, produzem ou até comercializam material ilegal envolvendo vítimas infantojuvenis. A ação integra um esforço permanente da Polícia Federal no enfrentamento desse tipo de crime, considerado uma das mais graves violações à dignidade de crianças e adolescentes.
Ainda no início da tarde, a corporação confirmou três prisões em flagrante no estado do Rio de Janeiro. Na capital, dois homens foram detidos em bairros distintos, enquanto outro suspeito acabou preso no município de Resende, no Sul Fluminense.
Operação da PF amplia combate ao crime digital
A operação da PF ocorre simultaneamente em diversas regiões do país, com mandados distribuídos entre estados como Minas Gerais (3) , São Paulo (4), Rio de Janeiro (4) e Bahia (2), além do Distrito Federal (1). Ao todo, a mobilização alcança 17 unidades da Federação, com destaque para estados que concentram maior número de ordens judiciais, como Espírito Santo (4), Rio de Janeiro e São Paulo.
O objetivo central das buscas é reunir provas que permitam avançar na identificação dos envolvidos e interromper a circulação de conteúdos criminosos na internet. A reportagem entrou em contato com a Polícia Federal para mais informações sobre a operação no estado, mas ainda não obteve respostas.
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Operação da PF coincide com novo marco legal
A deflagração da operação da PF acontece no mesmo dia em que entra em vigor a Lei nº 15.211/2025, conhecida como Eca digital. A nova legislação cria mecanismos mais rigorosos para proteger crianças e adolescentes no ambiente virtual, ampliando a responsabilização de crimes praticados em plataformas online.
Entre as medidas previstas está a criação do Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, que funcionará no âmbito da própria Polícia Federal. A estrutura será responsável por receber comunicações de provedores de internet sobre conteúdos que violem a dignidade sexual de menores.
A legislação não substitui o Estatuto da Criança e do Adolescente, mas complementa as regras já existentes ao adaptar a proteção ao cenário digital, incluindo redes sociais, jogos eletrônicos e serviços online acessados por esse público.
PF reforça alerta a pais e responsáveis
Além das ações repressivas, a operação da PF também reforça a importância da prevenção. A corporação orienta que pais e responsáveis acompanhem de perto o uso da internet por crianças e adolescentes, como forma de reduzir riscos.
O incentivo ao diálogo aberto sobre segurança digital e a orientação para que jovens comuniquem situações suspeitas são apontados como medidas essenciais para evitar novos casos. A recomendação é que o ambiente familiar funcione como primeira linha de proteção diante das ameaças virtuais.
Outro ponto destacado pela Polícia Federal é a necessidade de atualização na forma de tratar esses crimes. Embora o termo “pornografia” ainda apareça em legislações antigas, a comunidade internacional prefere utilizar expressões como “abuso sexual” ou “violência sexual de crianças e adolescentes”, por refletirem com maior precisão a gravidade dessas práticas.
Com a nova legislação em vigor e ações simultâneas em todo o país, a expectativa é ampliar o combate a crimes digitais e fortalecer a rede de proteção às vítimas.