Jovem faz acusação de assédio e violência em bar; segurança conta outra versão

Jovem conta que recebeu mata leão de segurança até quase desmaiar; a profissional relatou que apenas tentava conter a situação e proteger a vítima de mais agressões

, em Uberlândia

Uma jovem divulgou em suas redes sociais nesta sexta-feira (06) uma denúncia sobre um caso de assédio e violência que teria sofrido em um bar no bairro Jardim Finotti, em Uberlândia.

Ela conta que um frequentador do estabelecimento passou a mão em seu corpo sem consentimento. A situação teria gerado uma confusão após ela tirar satisfação sobre o ocorrido e seguranças terem a empurrado e contido fisicamente com mata-leão, um golpe também conhecido como gravata e usado por lutadores de artes marciais para imobilizar o oponente.

Veja o vídeo:

Entenda a versão da jovem

Em conversa com a equipe da TV Paranaíba, a jovem detalhou uma sequência de eventos que começaram dentro do estabelecimento e terminaram com agressão em via pública. Segundo ela, o assédio ocorreu quando um rapaz  tocou em seu seio e nádega sem consentimento.

Após ser retirada de perto do jovem por seu primo, a menina afirma que o rapaz passou a zombar da situação com gestos irônicos. Ao tentar tirar satisfação, ela conta que, ainda dentro do bar, um segurança lhe deu um empurrão e, na sequência, uma outra segurança a conteve em um mata leão e a arrastou para fora da festa.

Na parte externa do estabelecimento, a jovem explica que ela e o rapaz que a teria assediado voltaram a discutir, até o momento em que ele a jogou no chão. “Eu e ele continuamos a discurtir, quando ele me jogou no chão e me grudou. Os seus amigos vieram todos para cima também. Minhas amigas tentavam tirar eles de cima de mim e acabaram tomando socos também. Inclusive uma amiga ficou sem roupa por conta de um rapaz que a puxou”, conta.

×

Leia Mais

Após a nova briga, a segurança teria imobilizado novamente na vítima. “Ela me imobilizou por mais ou menos 5 minutos, até quase eu desmaiar. Meu pescoço está cheio de marcas, assim como o meu corpo. Eu implorava para ela que estava sem ar, e mesmo assim ela continuou”, relata a jovem.

A vítima ainda conta que o estabelecimento teria deixado o suposto assediador e os amigos irem embora, por ele ser um frequentador do local. “Deixou ele e os amigos sairem andando. E eu em um mata leão, como se eu fosse culpada e eles, a vítima”.

A jovem foi até o Instituto Médigo Legal (IML) e passou por exames de corpo delito, depois foi até a Delegacia da Mulher registrar um boletim de ocorrência.

MAIS! “Indignação”, diz vítima de fisiculturista solto dois dias após agressão

O que conta a segurança sobre a violência em bar uberlandense

A segurança envolvida no caso entrou em contato para contar a própria versão. Ela contesta as acusações e afirma que as informações publicadas pela jovem em redes sociais são incorretas. A segurança relata que, na noite do ocorrido, atuava como controladora de acesso na portaria e que as câmeras de segurança comprovam que ela não adentrou o estabelecimento para agredir a jovem em nenhum momento. Segundo a profissional, sua intervenção ocorreu apenas na área externa, quando uma briga generalizada já estava acontecendo.

Ela afirma que a equipe interveio para separar o confronto entre o grupo da jovem e o do suposto autor. “A gente interveio para separar, porque eles jogaram o rapaz no chão e começaram a desferir chutes e golpes. Foi quando a jovem e outras pessoas começam a agredir a equipe de segurança. Eu abro os braços e falo para ela não agredir, que a gente está tentando ajudar”, afirma.

Local onde teria acontecido o caso de assédio e violência em bar uberlandense
Local onde teria acontecido o caso de assédio e violência em bar uberlandense – Crédito: Google Maps/Reprodução

De acordo com o relato, a imobilização teria ocorrido apenas após a jovem supostamente atacar a equipe e arremessar um celular contra o rapaz. Sobre a acusação de violência durante a contenção, a segurança nega ter enforcado a jovem. “Em momento nenhum foi para enforcar. Eu falo para ela se acalmar, que estou ali para ajudar e que ela estava se machucando e machucando outras pessoas. Eu falava: ‘se você acalmar, eu vou te soltar'”, relata a profissional.

A segurança sustenta que a jovem conseguia movimentar o pescoço e que o intuito da manobra era evitar que ela, sendo mulher, fosse revidada com violência pelos homens envolvidos no tumulto. A profissional ainda destaca que, após a contenção, permaneceu ao redor da jovem para protegê-la de novas agressões de terceiros até que ela se acalmasse. “Eu sou mulher e mãe de três filhas, jamais que eu ia compactuar com qualquer tipo de assédio. Minha função ali era apenas conter a briga e não deixar que ninguém machucasse ela”, defende-se, reforçando que o estabelecimento prestou assistência e disponibilizou todas as filmagens para a família da jovem.

Estabelecimento se pronunciou pelas redes sociais

Após repercussão do caso, o bar em que toda a confusão aconteceu, soltou uma nota se pronunciando sobre o caso. No texto, a direção informa que agiu imediatamente após a identificação do caso de assédio, expulsando o agressor do evento e separando-o da vítima. O estabelecimento relatou que a jovem foi levada para a área externa em uma “tentativa de acolhimento, tranquilização e escuta” para receber o suporte necessário.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Sobre as imagens de violência que circulam nas redes sociais, o bar esclareceu que a confusão registrada ocorreu minutos depois, já na rua e fora do ambiente da casa, em uma segunda briga de caráter generalizado. Segundo a empresa, a intervenção dos seguranças visava apenas conter os ânimos. “O procedimento de imobilização aconteceu com todos envolvidos, sendo utilizado para evitar que a situação escalasse e para preservar a integridade física de todos os envolvidos, principalmente da própria vítima”.

A nota ainda reforça o posicionamento da casa contra qualquer tipo de abuso, destacando que possui parcerias para protocolos de atuação responsável e que a “única intenção sempre foi proteger as pessoas e evitar que a situação se agravasse”. O estabelecimento finalizou reiterando que não compactua com assediadores e que permanece à disposição da Justiça para colaborar com o caso.