“Indignação”, diz vítima de fisiculturista solto dois dias após agressão
O acusado havia sido preso na segunda-feira (02) e foi liberado dois dias depois, após pedido da defesa por liberdade provisória
-
Foi solto provisoriamente nesta quarta-feira (04) o fisiculturista de 30 anos preso por agredir a esposa na última segunda-feira (02) em Uberlândia. O pedido feito pela defesa do acusado foi aceito pela Justiça, após manifestação do Ministério Público pela concessão de liberdade provisória ao autuado, com aplicação de medidas protetivas de afastamento do lar conjugal e manutenção de distância da ofendida. Também não houve pagamento de fiança.
Em relato à equipe do Paranaíba Mais, a vítima disse estar indignada com a decisão. “Indignação. Estou desolada, inconformada. Ele falou que ia me matar na hora das agressões, me agrediu com a minha filha de 4 meses no colo. Como ele é solto assim?”, desabafou.

A vítima disse que já foi agredida outras vezes e que só agora criou coragem para compartilhar o fato em rede social como forma de incentivar outras mulheres agredidas por companheiros. A divulgação aconteceu na segunda-feira, quando seu companheiro ainda estava preso. “Quando eu procurei orientação, me falaram que ele realmente ficaria preso e que nem precisaria de provas, por conta do hematoma no meu rosto, que seria algo gravíssimo”, relatou.
Ela conta que demorou para criar coragem. “Quando finalmente falo, vou nas redes sociais sabendo do risco que posso correr, acontece isso, dele ser solto”, disse. Para ela, a situação gera uma sensação de desamparo. “Parece que a Justiça não está do lado da mulher. Parece não… falam que está, mas não está”, completou.
Apesar da soltura, a Justiça determinou medidas protetivas em favor da vítima. O investigado deverá se manter afastado da casa da esposa e está proibido de se aproximar da mulher a distância inferior a 200 metros. Ele também terá que manter o próprio endereço atualizado no processo e comparecer a todos os atos a que for intimado.
O advogado Marcondes Pereira Braga Junior informou ao Paranaíba Mais que a soltura de seu cliente se deve ao fato dele “preencher todos os requisitos legais para responder o processo em liberdade, visto nunca ter tido qualquer registro criminal desta natureza ou de qualquer outra”. Disse ainda que a defesa irá se pronunciar nos autos, e os fatos serão devidamente esclarecidos durante o processo.
Vítima era agredida desde 2024
A informação da defesa do fisiculturista contraria um histórico de agressões narradas pela mulher na ocorrência registrada no início desta semana. Conforme relato da vítima, o relacionamento seria marcado por agressões desde 2024. Ela afirma que os episódios começaram entre julho e setembro daquele ano, com enforcamentos e tapas. Em dezembro de 2024, o investigado teria arremessado pesos de academia contra a mulher, provocando lesões que exigiram atendimento hospitalar.
Já em maio de 2025, quando estava grávida de quatro meses, a mulher procurou a polícia após ameaças de morte. Medidas protetivas chegaram a ser concedidas, mas foram revogadas em outubro do mesmo ano a pedido da própria vítima.
Após o nascimento da filha do casal, a mulher relata que as agressões recomeçaram, inclusive em momento em que ela segurava a recém-nascida. No pós-Carnaval de 2026, o investigado teria tentado sufocá-la com um travesseiro. Em fevereiro deste ano, ela afirma ter recebido cerca de 15 tapas, além de ter brincos e piercings arrancados.
Após a divulgação do caso, patrocinadores e equipes anunciaram o desligamento do atleta, que acumula mais de 38 mil seguidores nas redes sociais. Em nota, expressaram que a decisão do desligamento foi pela conduta incompatível com os valores das equipes.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Fisiculturista foi preso em flagrante
O acusado havia sido preso na segunda-feira (02) após a Polícia Militar ser acionada para uma ocorrência de violência doméstica no bairro Custódio Pereira.
Segundo a vítima, de 29 anos, o companheiro a puxou pelos cabelos e fez ameaças. No local, os militares identificaram hematomas no rosto da mulher, que relatou ainda que já vinha sofrendo agressões recentes, incluindo socos, tapas e chutes. Ela também afirmou ter sido coagida pelo agressor a gravar um vídeo para justificar as agressões.
Após buscas, o suspeito foi localizado no bairro Alto Umuarama e conduzido à Delegacia de Plantão. Ele chegou a ser admitido no Presídio Jacy de Assis na terça-feira (03).
Em nota, a Polícia Civil informou que o inquérito está em tramitação na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). O procedimento deve ser concluído dentro do prazo legal e posteriormente encaminhado ao Poder Judiciário.
Leia Mais