Influenciador mexicano é morto durante live; entenda e relembre outros casos
Criador de conteúdo foi executado a tiros em frente a uma lanchonete durante uma live em Culiacán; relembre outros ataques contra influenciadores mexicanos.
Um influenciador mexicano foi assassinado a tiros na noite de terça-feira (4) enquanto fazia uma transmissão ao vivo ao lado de dois amigos em Culiacán, no estado de Sinaloa. César Gastélum, conhecido nas redes como “Cesarín” e dono de centenas de milhares de seguidores no TikTok, foi atingido na cabeça por um atirador que se aproximou de motocicleta e disparou à queima-roupa, sem que a vítima tivesse qualquer chance de reação. Desde 2024, ao menos seis influenciadores foram assassinados neste estado e outros seis foram sequestrados ou tiveram suas propriedades atacadas.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
O crime, mais um episódio da onda de violência que atinge criadores de conteúdo naquela região do país, foi registrado ao vivo e o vídeo circulou rapidamente por diferentes redes sociais minutos depois do ataque, gerando forte comoção entre internautas e seguidores do influenciador mexicano.
A live no momento do crime
De acordo com reportagem do jornal mexicano El Universal, na noite do ataque Gastélum gravava uma transmissão ao vivo na plataforma Kick ao lado do também criador de conteúdo Alejandro Fierro e de um terceiro companheiro. Os três haviam decidido, como parte de um conteúdo para as redes, se vestir como entregadores de aplicativo e cumprir pedidos reais durante algumas horas, documentando tudo para o público que acompanhava a live.
Um dos pedidos os levou até uma lanchonete de fast food em uma área de Culiacán. Diante da demora no atendimento, o grupo optou por esperar do lado de fora do estabelecimento enquanto seguia com a transmissão. Foi nesse intervalo que dois homens passaram próximo ao trio, provocando um breve desconforto entre os influenciadores, registrado na própria live momentos antes da tragédia.
Pouco depois os mesmos indivíduos retornaram ao local, agora em uma motocicleta. Um deles desceu do veículo, aproximou-se do grupo e efetuou o disparo fatal contra Gastélum, que morreu ainda no local, diante das câmeras que transmitiam a cena ao vivo para milhares de pessoas.
Quem era o influenciador mexicano assassinado
Conforme informações levantadas pelo El Universal, César Gastélum tinha 24 anos, era natural de Culiacán e havia construído sua carreira digital publicando vlogs sobre o cotidiano, reações e vídeos de humor voltados ao público jovem, com forte identidade ligada à cultura do norte do México. Reunia mais de 600 mil seguidores somando suas contas no TikTok, YouTube e Instagram, além de milhões de curtidas acumuladas em seus vídeos ao longo dos anos.
Suas publicações mais recentes mostravam justamente o cotidiano que o tornou popular: passeios turísticos, encontros com amigos e momentos de lazer registrados poucos dias antes de sua morte.
Investigação sobre a morte do influenciador mexicano
Segundo apurou o The Guardian, as autoridades de segurança do estado de Sinaloa confirmaram o assassinato e informaram que uma ampla operação foi deflagrada para localizar os responsáveis. O gabinete de segurança do país afirmou publicamente que já investigava publicações anteriores de Gastélum, algumas das quais teriam feito referência a uma facção criminosa que atua na região, e que imagens de câmeras de vigilância estavam sendo analisadas para identificar os autores do crime.
A presidente do México também se pronunciou sobre o caso, garantindo que o governo trabalha para identificar o autor dos disparos e, caso exista, também quem teria ordenado o ataque, cobrando que o motivo por trás do assassinato seja esclarecido.
Culiacán tornou-se um dos principais epicentros de violência do país nos últimos meses, com diferentes facções ligadas ao cartel de Sinaloa disputando o controle da cidade desde setembro de 2024, segundo o mesmo levantamento.
Relembre outros casos de violência contra influenciadores no México
O assassinato de Gastélum se soma a uma lista de pelo menos uma dezena de criadores de conteúdo mortos em Culiacán desde o início do confronto entre facções rivais do cartel, em setembro de 2024, de acordo com dados da imprensa local. Outros seis teriam sido sequestrados ou tiveram propriedades atacadas no mesmo período, em um cenário que já dura quase dois anos.
A origem da onda de ataques em Sinaloa
Segundo reconstituiu o El Universal, dias depois de eclodir a guerra aberta entre as facções conhecidas como Los Chapitos e Los Mayitos, ambas ligadas ao cartel de Sinaloa, cartazes começaram a circular pela capital do estado apontando cerca de vinte influenciadores e empresários locais como supostamente vinculados aos filhos de Joaquín “El Chapo” Guzmán, acusando-os de fraude e lavagem de dinheiro. A partir daquele momento, criadores de conteúdo da região passaram a ser tratados como alvos.
O caso Valeria Márquez, em Jalisco
Um dos episódios mais lembrados fora de Sinaloa é o de Valeria Márquez, influenciadora de beleza e maquiagem de 23 anos morta a tiros dentro do salão onde trabalhava, na cidade de Zapopan, em Jalisco, conforme relatou o The Guardian. Ela também estava em uma transmissão ao vivo no TikTok no momento do ataque, sentada à mesa com um brinquedo de pelúcia, quando comentou que alguém estava se aproximando pouco antes de ser baleada por um homem que entrou no estabelecimento.
O crime é investigado pelas autoridades como feminicídio, categoria que no México abrange assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero. Márquez já havia relatado, ainda durante a live, receio quanto ao retorno de uma pessoa que teria deixado um presente para ela no salão momentos antes. Segundo apurou o The Guardian, a polícia prendeu recentemente o líder de uma célula ligada ao Cartel Jalisco Nova Geração apontado como mandante do crime, o mesmo grupo relacionado ao assassinato do prefeito de Uruapan, em Michoacán, ocorrido em novembro de 2025.
O chamado clã dos brinquedos
De acordo com o levantamento do El Universal, parte significativa dos ataques em Sinaloa está associada a um grupo de criadores de conteúdo apelidado de Los Toys, formado pelos irmãos Markitos, Mayve Castro, Gail e Kevin Castro, que somam milhões de seguidores nas redes. Em agosto de 2024, a irmã de um youtuber ligado a esse grupo foi assassinada no estado.
Outros nomes associados ao mesmo círculo, como Leobardo Aispuro Soto, conhecido como “El Gordo Peruci”, Jesús Miguel Vibanco García, apelidado de “Jasper”, e um criador identificado apenas como “El Chilango”, também foram mortos em Sinaloa em episódios anteriores ao de Gastélum. Restaurantes de uma rede de fast food pertencente a um dos integrantes do grupo chegaram a ser incendiados em Culiacán, enquanto homens armados atacaram a casa de familiares e assediaram funcionários ligados ao negócio.
LEIA MAIS: Caminhoneiro influenciador de 24 anos morre em acidente na BR-381, em MG
Ameaças, sequestros e ataques a outros criadores
Ainda segundo o El Universal, o clima de insegurança também atingiu criadores de conteúdo fora desse grupo específico. Um influenciador conhecido como Maza Clan relatou, em julho, a invasão de sua casa por homens armados que o ameaçaram, assim como sua família. Em maio, um salão de beleza pertencente à influenciadora Estefania Monárrez foi atacado e incendiado. Já a criadora de conteúdo Nicole Pardo Molina afirmou ter sido mantida em cativeiro por seis dias antes de ser libertada.
Somado ao caso do influenciador mexicano assassinado em Culiacán nesta semana, esse conjunto de episódios reforça o cenário de risco enfrentado por criadores de conteúdo que atuam em regiões dominadas pela disputa entre facções criminosas no país, especialmente quando decidem expor sua rotina, localização e imagem em transmissões ao vivo.
Para ficar por dentro de notícias sobre segurança no Brasil e no Mundo, continue acompanhando o Paranaíba Mais.