Justiça condena 10 integrantes de esquema de tráfico internacional de armas no Triângulo

Réus foram condenados por importar armas de alto calibre do Paraguai para abastecer facções criminosas em Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia; penas somadas ultrapassam 200 anos de reclusão

, em Uberlândia

-

Google News

A Justiça Federal proferiu as sentenças contra 10 integrantes de uma organização criminosa desarticulada pela Polícia Federal no Triângulo Mineiro.

Ao todo, os réus foram condenados a mais de 200 anos de reclusão, por atuarem no tráfico internacional e no comércio ilegal de armas de fogo de alto poder ofensivo e munições de uso restrito.

 Operação Scutum
Policiais federais cumpriram mandados de prisão durante a Operação Scutum em Uberlândia, em maio – Crédito: PCMG/Divulgação

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Segundo as investigações, o grupo era responsável por importar armamentos de longo alcance do Paraguai e utilizar a estrutura de cidades da região como entreposto para redistribuir o material a grupos criminosos em Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Bahia.

Confira as penas aplicadas aos condenados pelo esquema de tráfico:

  • Ricardo Batista da Silva: 41 anos, 7 meses e 27 dias (Tráfico transnacional + tráfico doméstico de armas de uso restrito + associação criminosa armada)
  • Josielica Aparecida da Silva: 33 anos, 9 meses e 18 dias (Tráfico transnacional + tráfico doméstico de armas de uso restrito + associação criminosa armada)
  • Décio Túlio Vieira da Silva Alves: 20 anos e 6 meses (Tráfico transnacional de armas de uso restrito + contrabando)
  • Derlis Alberto Maqueda: 19 anos, 8 meses e 7 dias (Tráfico transnacional de armas de uso restrito)
  • George Ferreira Duarte: 18 anos (Tráfico doméstico de armas de uso restrito)
  • Juan Elizardo Segovia Lopez: 16 anos, 2 meses e 12 dias (Tráfico transnacional de armas de uso restrito)
  • Filipe Silva de Oliveira: 14 anos, 8 meses e 12 dias (Tráfico doméstico de armas de uso restrito)
  • Yldefonso Antonio Contrera Fernandez: 13 anos e 6 meses (Tráfico transnacional de armas de uso restrito)
  • Murilo da Silva Rodrigues: 13 anos, 1 mês e 15 dias (Tráfico doméstico de armas de uso restrito)
  • Wanessa Kethlyn Medeiros de Macedo: 10 anos e 6 meses (Tráfico doméstico de armas de uso restrito)

Relembre as fases da Operação Scutum e a atuação do grupo em Uberlândia

As condenações são fruto dos desdobramentos da Operação Scutum, deflagrada pela Polícia Federal para desmantelar a rede clandestina.

As apurações revelaram que o Triângulo Mineiro, em especial Uberlândia, ocupava uma posição estratégica na rota do tráfego de armas e drogas devido às ligações com o Sudeste e Centro-Oeste.

Início das investigações e ramificações na região

A primeira fase da operação, realizada em outubro de 2024, revelou o modus operandi da organização no transporte dos armamentos vindos do Paraguai.

Investigação de esquema de tráfico
Investigação de esquema de tráfico é desdobramento de ação iniciada em 2024 – Reprodução/PF Minas

Já na segunda fase, a PF identificou núcleos ativos em Uberlândia, Patrocínio e Ituiutaba, além de Catalão (GO), cumprindo mandados de busca e prisão temporária.

Testes em clube de tiro, ex-GSI e lavagem de R$ 66 milhões

Em etapas posteriores, a Polícia Federal avançou sobre o núcleo de Uberlândia. A investigação apontou a participação de um ex-integrante do Exército Brasileiro e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que trabalhava em um clube de tiro na cidade e utilizava o local para testar os armamentos de grosso calibre trazidos ilegalmente.

Operação Scutum
Armas de grosso calibre e munições apreendidas durante a investigação da PF – Crédito: PCMG/Divulgação

Além do comércio e tráfico de armas, o grupo mantinha um forte esquema de lavagem de dinheiro. Os suspeitos utilizavam uma garagem de veículos e uma loja de celulares e eletrônicos em Uberlândia para ocultar os recursos financeiros obtidos com o crime. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 66 milhões em bens e valores da organização criminosa.

Continue no Paranaíba Mais e acompanhe as principais informações sobre o segurança na região.