Importunação cresce em Minas no Carnaval, apesar de queda geral da criminalidade
Registros de assédio aumentam 33% no estado durante a folia de 2026, enquanto roubos, furtos e crimes violentos caem
O número de casos de importunação sexual registrados em Minas Gerais cresceu durante o Carnaval de 2026, em meio a um cenário de redução generalizada de outros crimes no estado. De acordo com dados apresentados nesta quinta-feira (19) pelas forças de segurança, os registros de assédio passaram de 42 para 56 ocorrências (alta de 33,3%) no período entre sábado (14) e terça-feira (17).

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O aumento contrasta com a queda expressiva de crimes patrimoniais e violentos. No mesmo intervalo, roubos de celulares recuaram 55,7% em Minas e mais de 70% em Belo Horizonte.
Homicídios, furtos, roubos e estupros também apresentaram redução ou estabilidade, segundo o balanço do Carnaval da Liberdade 2026 divulgado pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Na capital mineira, onde a concentração de foliões é maior, os casos de importunação caíram 25%, de 12 para nove ocorrências. Ainda assim, o tema foi um dos focos centrais das ações de segurança e prevenção neste ano, em razão da subnotificação histórica desse tipo de crime.
Segundo a Sejusp, a elevação dos registros não indica necessariamente aumento da violência, mas sim maior acesso das vítimas aos canais de denúncia e acolhimento.
Entre as medidas adotadas estão campanhas de conscientização, ampliação dos pontos de registro e a criação de estruturas específicas para atendimento a mulheres.
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Combate
Uma das novidades foi a chamada “Cabine Rosa”, instalada no Centro de Operações Policiais Militares (Copom), em Belo Horizonte. O serviço especializado realizou 145 atendimentos durante o Carnaval e contribuiu para a prisão de 29 suspeitos de importunação sexual no estado.
Além disso, programas de prevenção e acolhimento distribuíram mais de 212 mil materiais informativos e promoveram capacitações em 25 municípios.
O objetivo foi orientar foliões, trabalhadores do setor de turismo e integrantes das forças de segurança sobre como identificar e reagir a situações de violência contra a mulher.
Mesmo com o aumento das notificações de importunação, o balanço geral aponta redução significativa dos principais indicadores criminais.
Os furtos caíram 52,9% em Minas e 62,9% em Belo Horizonte; os roubos recuaram 50% no estado e 63,8% na capital. Já os homicídios tiveram queda de 48,3% em Minas e de 50% em Belo Horizonte.
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Para as autoridades, os números reforçam a estratégia de reforço do policiamento e uso de tecnologia durante a folia, com emprego de todo o efetivo, drones com reconhecimento facial e sistemas de monitoramento.
No recorte de crimes contra mulheres, Belo Horizonte não registrou casos de feminicídio nem de estupro de vulnerável durante o Carnaval, enquanto o estado teve redução nesses indicadores em relação ao ano passado.
Apesar dos avanços, especialistas e autoridades destacam que o crescimento dos registros de importunação evidencia a necessidade de manter e ampliar políticas públicas de prevenção e acolhimento.
O desafio, segundo eles, é garantir que o aumento das denúncias se traduza em redução efetiva desse tipo de violência nos próximos anos, especialmente em eventos de grande concentração de público como o Carnaval.