Golpistas usam perfis falsos de deputados e bloqueio de tornozeleira
Dispositivo acoplado a tornozeleira eletrônica pode ter sido usado para burlar monitoramento judicial enquanto grupo aplicava golpes via Pix
Perfis falsos de deputados estão no centro da Operação Falsa Tribuna, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal na quinta-feira (26). A investigação aponta que uma organização criminosa criou contas em redes sociais e aplicativos de mensagem para se passar por parlamentares de Brasília e pedir transferências via Pix a apoiadores. Um dos investigados estaria utilizando um mecanismo para cortar o sinal de uma tonozeleria eletrônica.

As investigações revelam que a estrutura criminosa operava com divisão de tarefas e uso intensivo de tecnologia. O grupo criava perfis falsos de deputados e ex-deputados, utilizava fotos oficiais, dados públicos e informações sobre agendas políticas para reforçar a credibilidade das mensagens.
Com essa estratégia, os criminosos simulavam situações de emergência, como acidentes, problemas de saúde ou pedidos urgentes ligados a projetos sociais. Em seguida, solicitavam transferências por Pix a pessoas que acreditavam estar ajudando autoridades conhecidas.
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Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal, os elementos já reunidos indicam a prática de quatro crimes: falsa identidade, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de capitais e associação criminosa. As penas podem variar de detenção e multa até reclusão que ultrapassa dez anos, a depender da conduta comprovada.
Além dos perfis falsos de deputados, tornozeleira com suposto bloqueador de sinal
Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em Goiânia, com apoio da Polícia Civil de Goiás por meio da Delegacia Especial de Crimes Cibernéticos, os agentes encontraram um dispositivo acoplado à tornozeleira eletrônica de um dos investigados. Segundo a polícia, o equipamento pode ter sido usado para interferir no sinal de monitoramento judicial.

O homem é apontado como gerente do grupo. Ele cumpre pena de 21 anos por roubo, em regime semiaberto, e utiliza tornozeleira por determinação da Justiça. No imóvel, os policiais apreenderam um aparelho semelhante a um pen drive conectado ao equipamento de rastreamento. A suspeita é de que o dispositivo atue como bloqueador ou interferidor de sinal.
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A peça será submetida à perícia técnica para avaliar se houve bloqueio do sinal, se há compatibilidade com os sistemas de monitoramento da execução penal e se ocorreram falhas suspeitas no rastreamento. A corporação confirmou a apreensão e detalhou que a investigação ainda apura se o recurso permitiu a prática de outros delitos sem que a central de monitoramento fosse acionada.
De acordo com o delegado Dário Freitas, há indícios de que o suspeito utilizava o equipamento para agir fora do alcance do Estado. A polícia também o acusa de destruir ou ocultar provas durante a operação.
Caso a perícia confirme que o dispositivo na tornozeleira tinha finalidade ilícita, o uso pode ser considerado falta grave na execução da pena. Isso pode abrir espaço para regressão de regime e perda de benefícios já concedidos.
A Operação Falsa Tribuna segue em andamento. A polícia trabalha para identificar outros integrantes da organização, mapear o fluxo financeiro do dinheiro obtido com os golpes e localizar novas vítimas que possam ter sido enganadas pelos perfis falsos de deputados.