Preso hacker suspeito de invadir sistema da Justiça e emitir alvarás falsos
Polícia Civil de MG prendeu no Rio de Janeiro o hacker apontado como líder do esquema de alvarás falsos que fraudou sistemas do Judiciário
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prendeu no Rio de Janeiro o hacker Ricardo Lopes de Araújo, conhecido como “Dom”, suspeito de comendar um esquema de emissão de alvarás de soltura falsos, entre outros crimes cometidos na internet. A prisão fez parte da 2ª fase da Operação Veredicto Sombrio, deflagrada pela PCMG, na manhã desta quarta-feira (14). Segundo a polícia, o homem é apontado como o líder de uma organização criminosa especializada em invadir servidores do Poder Judiciário e aplicar golpes financeiros, além de ter escapado da prisão após fraudar o sistema do Conselho Nacional de Justiça. Ele conseguiu sair da prisão usando um alvará falso com ajuda de um comparsa.

Além do hacker, também foi preso outro integrante da quadrilha. Nas redes sociais, o governador Romeu Zema, citou o caso dos alvarás falsos e comemorou a prisão do hacker de BH. “Recebi com orgulho a informação de que, em mais uma ação rápida e certeira, a @pcmgoficial prendeu hoje, no Rio, o hacker que fraudou alvarás de soltura, inclusive o próprio, no fim do ano. Ele já está voltando para o presídio. Em Minas, não há bandido mais esperto que a polícia”, publicou.
Hacker de BH e alvarás falsos
Em dezembro, três detentos escaparam do sistema prisional de Minas Gerais por meio de alvarás de soltura fraudados. Entre eles, o próprio Ricardo Lopes de Araújo, apontado como o líder do esquema de alvarás falsos. Em nota, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que todas as ordens fraudulentas foram detectadas em menos de 24 horas.
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Ainda segundo o Tribunal, também foram adotadas providências para a restauração dos mandados de prisão e os órgãos de segurança estaduais e federais foram acionados para capturar os foragidos. Na ocasião, os homens que escaparam da prisão com alvarás falsos foram: Ricardo Lopes de Araújo, Wanderson Henrique Lucena Salomão, Nikolas Henrique de Paiva Silva e Júnio Cezar Souza Silva.
Júnior César foi recapturado 2 dias depois da soltura, já Wanderson Henrique se entregou à Polícia Civil na segunda-feira (12). Entre os foragidos por alvarás falsos, o único que restava para ser preso era Ricardo.
Veredicto Sombrio: 1ª fase
A investida policial foi a 2ª fase de uma operação deflagrada em dezembro, em Belo Horizonte, Sete Lagoas e Jacutinga, no sul do estado. Na ocasião, foram presas 9 pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa. Ao todo, foram cunpridos 27 ordens judiciais.
Segundo a polícia, o grupo fazia o uso indevido de credenciais vinculadas a magistrados e servidores do TJMG para acessar sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), como o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP), o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud) e o Registro Nacional de Veículos Automotores Judicial (Renajud).
Com estes acessos, os hackers usavam credenciais de autoridades para realizar alterações de mandados de prisão, bloqueio de valores retidos pela Justiça, liberação de veículos apreendidos e emitir alvarás de soltura.

Ainda segundo as investigações, a organização criminosa também aplicava golpes do falso advogado e fraudes que “causaram importantes prejuízos financeiros a empresas e bancos”. Durante a operação, aproximadamente R$40 milhões foram bloqueados, incluindo cerca de US$180 mil em criptoativos. Foram apreendidos veículos de luxo, joias, computadores e celulares.