Feminicídio em Minas cresce e mata uma mulher a cada dois dias

Dados da Polícia Civil revelam que o Estado registra média alarmante de feminicídio; casos recentes no interior expõem falhas na prevenção e na proteção às mulheres

, em Uberlândia

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O feminicídio em Minas Gerais segue em ritmo preocupante e sem sinais de recuo. Dados da Polícia Civil (PC) mostram que, até outubro deste ano, 139 mulheres foram assassinadas no estado, vítimas de crimes motivados pela violência de gênero, número superior ao registrado no mesmo período de 2024. A média revela um cenário brutal, uma mulher morta a cada dois dias.

Na capital, Belo Horizonte, a situação chama ainda mais atenção. O número de feminicídios dobrou em relação ao ano passado, saltando de 7 para 14 casos em 2025. Além das mortes consumadas, as tentativas de feminicídio também aumentaram, escancarando um ciclo de violência que se repete semanalmente.

Imagem de simulação de feminicídio em Minas
A cada dois dias, uma mulher é vítima de feminicídio em Minas, e Uberlândia segue com 1.608 casos de violência contra a mulher em 2025 – Crédito: TV Paranaíba/Reprodução

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Em Uberlândia, maior cidade do Triângulo Mineiro, o cenário também é preocupante. O município já contabilizou 1.608 registros de violência contra a mulher em 2025, o que representa uma média de cinco ocorrências por dia, segundo dados da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), divulgados pelo Portal da Vigilância em Saúde. Os dados somam todos os tipos de caso de violência contra mulher e não apenas feminicídio.

Entre os crimes mais recorrentes estão as ameaças, que lideram o ranking com 275 registros, seguidas pela violência física, com 234 ocorrências. A polícia também atendeu 136 casos de descumprimento de medida protetiva de urgência e 84 registros de perseguição, o que reforça a reincidência da violência mesmo diante de decisões judiciais.

Uberlândia está entre as cidades mais seguras de Minas Gerais
Uberlândia está entre as cidades com maior índice de feminicídio de Minas Gerais – Crédito: Prefeitura de Uberlândia/Divulgação

Os dados apontam ainda 67 ocorrências de violência psicológica e 44 de violência sexual, além de outros crimes como injúria, dano, difamação, invasão de dispositivo eletrônico, violação de domicílio, sequestro e cárcere privado.

Casos de feminicídio em Minas reforçam gravidade do problema

O caso mais recente na região, aconteceu em Araxá. Neste fim de semana, uma mulher de 45 anos foi assassinada dentro do próprio bar do companheiro, após uma discussão. O agressor utilizou objetos contundentes para atacar a vítima e, em seguida, tirou a própria vida.

Já em Patos de Minas, a manicure Tatiane Rodrigues, de 33 anos, foi morta a facadas durante uma confraternização familiar, na frente dos filhos e parentes. O autor, companheiro da vítima, possuía histórico de agressões e foi preso após fugir do local. O crime gerou forte comoção e reacendeu o debate sobre reincidência e falhas na proteção às mulheres ameaçadas.

Outro caso que repercutiu foi o da cabeleireira Raphaella Fachinelli, de 28 anos, morta em Uberaba com 14 facadas. O suspeito fugiu para o interior de São Paulo, utilizou cartões e valores da vítima após o crime e acabou preso em Franca, no interior de SP. A investigação aponta que questões financeiras podem ter motivado o assassinato, ampliando a complexidade do caso.

vítimas de feminicídio em Minas
Dileya, Tatiane, Vanessa e Raphaella estão entre as vítimas de feminicídio no interior de Minas em 2025 – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

Em Uberlândia, a motorista de aplicativo Vanessa Jussara da Silva, de 38 anos, foi encontrada morta após cinco dias desaparecida. O principal suspeito é o namorado da vítima, com quem ela mantinha um relacionamento recente, mas marcado por registros anteriores de agressão.

O corpo foi localizado em uma área rural próxima ao Parque Estadual do Pau Furado, reforçando um padrão comum em crimes dessa natureza: violência prévia, tentativa de ocultação e rompimento tardio do ciclo de agressões.

O que diz o Estado sobre o combate ao feminicídio

O Governo de Minas informou que mantém ações permanentes de combate à violência contra a mulher, por meio da Sejusp e da Sedese. Entre as medidas estão o fortalecimento dos Centros de Referência de Assistência Social, campanhas educativas, delegacias especializadas, monitoramento de agressores e atuação das Patrulhas de Prevenção à Violência Doméstica.

Segundo o executivo estadual, as políticas públicas buscam ampliar o acolhimento e estimular denúncias, garantindo maior proteção às vítimas.

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Como denunciar violência contra a mulher

Casos de violência doméstica devem ser denunciados imediatamente. O registro pode ser feito:

  • Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher;
  • Disque 181 – denúncia anônima;
  • Delegacia Virtual da Polícia Civil, para ameaças, agressões e descumprimento de medidas protetivas;
  • Presencialmente, em qualquer unidade policial.

O feminicídio em Minas Gerais segue como um dos maiores desafios da segurança pública e da proteção social, exigindo ações integradas, prevenção efetiva e atenção constante aos sinais que antecedem a violência extrema.