Estupro coletivo no Rio: crime foi em apartamento de ex-subsecretário
Último acusado do estupro coletivo em Copacabana se apresenta à polícia, enquanto investigação revela que imóvel pertence a ex-subsecretário do governo estadual
O último acusado do caso do estupro coletivo no Rio se entregou, nesta quarta-feira (4), à Polícia Civil. Mais cedo, outro suspeito também havia se entregado. O caso, que envolve a denúncia de violência contra uma adolescente de 17 anos, também colocou sob os holofotes o fato de o crime ter ocorrido em um apartamento ligado a um ex-integrante do alto escalão do governo estadual.

De acordo com a Polícia Civil, o imóvel está registrado em nome de José Carlos Costa Simonin, que ocupava o cargo de subsecretário de Governança na área de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo estadual.
A ligação direta entre o endereço e um integrante da gestão pública levou à exoneração do então subsecretário, formalizada em publicação no Diário Oficial nesta quarta-feira (4). O filho dele, Vitor Hugo Oliveira Simonin, figura entre os réus do processo. Os investigadores informaram que o apartamento era anunciado para locação. Imagens de câmeras de segurança do prédio registraram a movimentação dos envolvidos, incluindo a chegada e a saída do grupo no dia dos fatos.
Em nota pública, o governo estadual declarou repúdio ao crime e informou que a Secretaria de Estado da Mulher presta acompanhamento psicológico à vítima e aos familiares.
Foragido se entrega
Bruno Felipe dos Santos Allegretti compareceu à 54ª Delegacia de Polícia, em Belford Roxo, no início da tarde, onde foi preso. A Justiça já havia decretado a prisão dos envolvidos após o indiciamento formalizado na semana anterior. Ele será transferido para o sistema prisional.
Na mesma data, Vitor Hugo Oliveira Simonin também se apresentou às autoridades. Dias antes, Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho já haviam procurado unidades policiais. Com isso, todos os adultos denunciados no caso passam a permanecer à disposição da Justiça.
A investigação conduzida pela 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana aponta que quatro homens, com idades entre 18 e 19 anos, além de um adolescente de 17 anos, participaram do crime. Os adultos respondem por estupro com agravante pela idade da vítima e por cárcere privado.
Estupro coletivo no Rio envolve adolescente e emboscada
Segundo o inquérito, a jovem, estudante do Colégio Federal Pedro II, foi convidada por um colega com quem já havia mantido relacionamento para ir até um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. No local, o adolescente teria sugerido que fariam “algo diferente”. Diante da recusa, ela afirma que foi impedida de sair de um dos quartos e sofreu violência por parte dos cinco indiciados.
O adolescente é apontado como responsável por atrair a vítima ao imóvel. Ele não é considerado foragido e responde por ato infracional análogo aos crimes investigados. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou que, por ora, não solicitou a internação do jovem em unidade socioeducativa, mas destacou que pode requerer medidas cautelares ao longo do andamento do caso.
Em entrevista, o delegado responsável pelo inquérito do estupro coletivo no Rio, Ângelo Lages, afirmou que apura ao menos outros dois episódios semelhantes envolvendo os mesmos investigados. Ele reforçou que relações devem respeitar limites e destacou que a vítima deixou clara sua negativa em diversos momentos.
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