Caso Daiane Alves: vídeo expõe conflitos antes do crime

Imagens mostram conflitos entre moradores e decisão controversa antes do crime em Caldas Novas

, em Uberlandia

Parte dos conflitos que cercaram o caso Daiane Alves vieram à tona nesta semana. Vídeos obtidos com exclusividade pela Record Goiás mostram reuniões de condomínio que ajudam a reconstruir o crime que aconteceu em Caldas Novas, mas que chocou todo o país. Em um deles, é mostrada a reunião em que o síndico tenta expulsar a vítima do condomínio. 

 

Na reunião em que Cléber Rosa pauta a expulsão de Daiane Alves do edifício em que ocorreu o crime, a vítima é barrada, o que vem a gerar reação dos moradores. Logo no início do encontro, Fernanda Alves, irmã de Daiane, questiona a maneira com que foi realizada a convocação. “Não recebi o e-mail e não participo do grupo do WhatsApp, né Cléber? Que fique registrado que eu não recebi o convite”.

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Pouco tempo depois, Daiane Alves aparece com uma procuração para participar da reunião. O síndico, no entanto, se apoia em resoluções internas para barrar a entrada da administradora.
“Na cláusula 24, parágrafo 3º da nossa Convenção, diz o seguinte: O procurador só poderá representar, além de sua unidade autônoma, no máximo um condomínio por assembleia, cuja procuração, quando for de fé pública, deverá ser específica para a assembleia e estar com firma reconhecida. Por isso que não tem validade para essa assembleia”, argumentou Cléber. 

As reclamações a respeito de Daiane Alves

Na segunda metade da reunião, Cléber expôs os motivos que justificariam a expulsão de Daiane Alves do condomínio. Segundo ele, a vítima teria utilizado de aparelhos de som, automotivo e de seu apartamento, para lhe provocar; realizado mudanças na fiação do imóvel para beneficiar o próprio apartamento; e feito ameaças contra ele, funcionários e vizinhos. 

Neste momento, moradores reafirmaram o que Cléber disse sobre Daiane. “Sem ela me conhecer, só por conta de uma palavrinha que eu respondi lá o dia que você colocou que ela tinha feito toda aquela palhaçada aí, ela me mandou mensagem ameaçando, entendeu? Eu coloquei até no grupo a mensagem que ela mandou”, apontou um morador. 

Neste momento, a irmã de Daiane se coloca contrária a maneira com que a reunião estava sendo conduzida. “Nesse caso eu acho que tem que chamar a polícia e denunciar a Daiane pontualmente, igual qualquer outra pessoa que cometeu um crime no condomínio”, apontou. 

Pouco tempo depois, alguns moradores defendem que Daiane Alves tenha direito de entrar na reunião. Neste momento, Cléber se coloca como a própria instituição para firmar sua posição. “Aqui não tem Cléber, aqui tem o condomínio”.

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Logo depois, a votação acontece. Duas pessoas são contrárias, duas se abstém. As pessoas que não se manifestaram foram contadas como votos favoráveis por Cléber, contabilizando 54 votos a favor da expulsão de Daiane Alves. 

“Se a pessoa estiver aqui para manifestar a abstenção dela, eu vou registrar. Quem cala, consente. A pessoa se absteve de dar opinião, então ela está concordando com o que os outros estão decidindo por ela”, afirma Cléber. 

Após a decisão,  Daiane teria 12 horas para sair do prédio e manter distância de 100 metros da recepção, algo que foi revertido dias depois na Justiça.

Relembre o caso

A corretora Daiane Alves, de 43 anos, natural de Uberlândia, desapareceu no dia 17 de dezembro de 2025, após sair de seu apartamento no condomínio onde morava para verificar o motivo da falta de energia em sua residência.

Daiane Alves
Daiane Alves chegou a relatar que síndico teria desferido uma cotovelada em seu rosto, após ela contestar falta de água em seu apartamento – Crédito: TV Record Goiás/Reprodução

Segundo a investigação, a vítima já tinha um histórico de desentendimentos com o síndico Cléber Rosa. Naquela noite, ela desceu pelo elevador do prédio enquanto registrava a situação em vídeos feitos no próprio celular. Após esse momento, não foi mais vista.

O corpo da corretora foi encontrado apenas em 28 de janeiro, após 42 dias de desaparecimento, em uma área de mata em Ipameri, no interior de Goiás, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas. A localização ocorreu depois que o síndico do prédio onde ela morava confessou o crime e indicou às autoridades o ponto onde o corpo de Daiane estava.