Entenda por que gêmeas siamesas de São Paulo foram à Goiânia pelo SUS

Gêmeas unidas pelo abdômen iniciam acompanhamento com equipe especializada; cirurgia ainda não tem data definida.

, em Uberlândia

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Nesta segunda-feira (27), as gêmeas siamesas Maria Helena e Maria Eva, de 3 meses, chegaram a Goiânia para iniciar o acompanhamento médico que antecede a cirurgia de separação no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad). Naturais de São Paulo, elas foram encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a unidade, referência em cirurgias pediátricas de alta complexidade.

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As bebês nasceram unidas pelo abdômen, uma condição congênita rara. Segundo a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, os gêmeos siameses resultam da divisão incompleta de um único óvulo fertilizado entre os dias 13 e 17 da embriogênese. Esse processo provoca a fusão física dos gêmeos ao nascimento, frequentemente com o compartilhamento de órgãos ou outras estruturas corporais.

Ainda de acordo com a instituição, o acompanhamento de gestações de gêmeos siameses apresenta desafios diagnósticos, cirúrgicos e éticos, exigindo identificação precoce por meio de exames de imagem no pré-natal e avaliação anatômica detalhada.

De São Paulo a Goiânia: a viagem das gêmeas siamesas

Segundo a assessoria do Hecad, a unidade é referência em cirurgias pediátricas de alta complexidade, incluindo procedimentos de separação de gêmeos siameses. O hospital já realizou três cirurgias desse tipo, que exigem mobilização de equipes multidisciplinares e estrutura disponível em poucos centros do Brasil.

O procedimento será realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Conforme o hospital, o encaminhamento ocorreu por meio do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), mecanismo utilizado quando o paciente necessita de um procedimento indisponível em sua cidade ou estado de origem.

Gêmeas Siamesas em Goiânia no hospital especializado
Maria Helena e Maria Eva chegaram a Goiânia para iniciar o acompanhamento preparatório para o procedimento – Crédito: Divulgação/Secretaria de Estado de Saúde de Goiás

O Hecad informou que a definição da unidade de destino segue os fluxos assistenciais do SUS e considera a disponibilidade do serviço especializado. No caso de Maria Helena e Maria Eva, o encaminhamento ocorreu porque a unidade possui estrutura para realizar esse tipo de cirurgia de alta complexidade.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, os próximos passos serão definidos de forma integrada pelas equipes médicas, com base em critérios técnicos e nas condições clínicas das bebês. Até o momento, não há previsão para a cirurgia de separação.

O procedimento será conduzido pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil, que possui experiência em cirurgias de separação de gêmeos siameses.

Outras gêmeas siamesas separadas em Goiânia

Zacharias Calil já realizou diversos procedimentos semelhantes ao previsto para Maria Helena e Maria Eva. Em 2000, operou Larissa e Lorrayne, na primeira cirurgia de separação de gêmeos siameses realizada no Centro-Oeste.

Dois anos depois, conduziu a separação de Raniela e Rafaela Rocha Cardoso. As duas sobreviveram ao procedimento e vivem com saúde.

Em 2023, Calil também participou da separação de Heloá e Valentina. Antes da cirurgia, a família deixou São Paulo e se mudou para Morrinhos (GO) para dar continuidade ao acompanhamento médico.

O histórico desse tipo de procedimento também inclui desfechos negativos. Em 2025, o cirurgião realizou a separação das gêmeas Kiraz e Aruna, que não resistiram às complicações pós-operatórias.

O Paranaíba Mais acompanha o caso de Maria Helena e Maria Eva e trará novas informações à medida que houver atualização sobre o tratamento e a cirurgia.