Doença de Newcastle em Santa Catarina: o que é e como se espalha
Mapa confirmou foco da doença de Newcastle em Santa Catarina, em granja de perus de Nova Itaberaba. Saiba o que é a enfermidade, como se espalha e o que muda.
A doença de Newcastle chegou a Santa Catarina e já mobiliza o governo federal. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou no domingo (18) um foco da enfermidade em uma granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba, no oeste do estado. O último registro da infecção foi em julho de 2024, em uma avicultura no Rio Grande do Sul. A doença pode afetar humanos, mas é grave apenas para as aves, em que a mortalidade pode chegar a 100% do lote. Caso o foco não seja controlado, pode se tornar uma grande barreira comercial para a exportação de produtos avícolas. Em coletiva nesta segunda-feira (19), em Brasília, o ministro André de Paula afirmou que o consumo de carne de ave inspecionada não oferece risco às pessoas.

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O que é a doença de Newcastle
A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa, registrada em diversos países, que atinge aves domésticas e silvestres. Mais de 200 espécies podem ser afetadas. O causador é uma versão virulenta do paramixovírus aviário do sorotipo 1, o APMV-1, conforme critérios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) , o quadro começa com problemas respiratórios e evolui para sinais nervosos. Em casos graves, a mortalidade pode chegar a 100% do lote, a depender da virulência do vírus. Entre os sintomas estão espirros, respiração ofegante, asas caídas, pernas esticadas, pescoço e cabeça torcidos, perda de apetite e diarreia aquosa de cor esverdeada.
Como o vírus se espalha entre as aves
Como o vírus ataca as vias respiratórias, a transmissão acontece principalmente pelo ar, por meio de gotículas das secreções das aves doentes. As fezes também carregam o agente e contaminam outros animais. Por isso, a Embrapa recomenda manter os plantéis longe de patos, marrecos, pombos e aves silvestres, limitar visitas às granjas e reforçar a limpeza com bons desinfetantes.
Não existe tratamento. Diante da infecção, a saída para proteger outras propriedades é eliminar o lote o quanto antes. Já a prevenção conta com vacinas, que podem ser vivas atenuadas, inativadas ou recombinantes. No Brasil, a imunização é obrigatória apenas para aves de vida longa, como matrizes e poedeiras, embora algumas empresas também vacinem frangos de corte.
Como o foco em Santa Catarina foi descoberto
O caso surgiu durante uma investigação epidemiológica do Serviço Veterinário Oficial catarinense. As coletas de material ocorreram entre 21 de setembro e 14 de outubro, e a confirmação veio do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, referência internacional para o diagnóstico segundo a OMSA.
A granja abriga cerca de 6 mil perus. De acordo com o Mapa, as aves ficaram na propriedade e não seguiram para o abate. O local foi interditado e a movimentação de animais, suspensa. O plano prevê a eliminação das aves, seguida de limpeza, desinfecção e demais protocolos da OMSA, dentro do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.
Monitoramento na região e impacto no comércio
Para conter o avanço, equipes vão vistoriar cerca de 133 propriedades em Nova Itaberaba, Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias. Haverá avaliação clínica das aves e coleta de amostras para análise. Por ora, não haverá recolhimento de produtos nem devolução de aves que já saíram de outras propriedades da região.
No campo comercial, o governo informou a OMSA e os parceiros do país. O secretário de Comércio e Relações Internacionais, Rafael Requião, disse que ainda não havia informação sobre suspensão das exportações brasileiras. Eventuais restrições dependerão dos acordos bilaterais com cada mercado. Segundo a Embrapa, um país pode barrar a carne do Brasil inteiro, de um estado ou só de um município, conforme a rapidez do controle.
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A doença de Newcastle afeta humanos?
Pode afetar, mas de forma leve e rara. Em pessoas, a infecção costuma causar conjuntivite passageira e só ocorre com contato próximo e direto com secreções de aves doentes. Quem encontrar aves mortas, com torção de pescoço ou dificuldade para andar deve manter distância e acionar o Serviço Veterinário Oficial ou a secretaria de Agricultura do município.
O último registro da doença no país havia sido em julho de 2024, em Anta Gorda, no Rio Grande do Sul. O Mapa informou que divulgará novos dados conforme avancem as investigações.
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