Após melhora, jovem com anemia falciforme volta a piorar e precisa de novas doações de sangue
Ana Beatriz sofre de anemia falciforme e teve piora no quadro após coágulo causar pneumonia; sangue fenotipado dificulta compatibilidade de dodores
-
A jovem Ana Beatriz, de 19 anos, que sofre de anemia falciforme, completou 30 dias de internação nesta quarta-feira (14). No entanto, a liberação do hospital, que parecia estar próxima, foi adiada após uma nova complicação no quadro da adolescente — que agora precisa de novas doações de sangue do tipo O negativo.
Conforme relato do pai da jovem, Maxwell Rocha, ao Paranaíba Mais, ela apresentou uma complicação que dificultou o controle do quadro de saúde, e novamente houve uma queda nos níveis de hemoglobina no sangue, essenciais para o funcionamento do organismo.
“Infelizmente, a anemia falciforme é uma doença em que a doação ajuda, mas não controla completamente. Até porque ela teve um coágulo. O coágulo foi para o pulmão, causou pneumonia, e aí todo o processo que já estava mais ou menos controlado após a primeira doação voltou à estaca zero”, contou.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Confira o relato da jovem abaixo, compartilhado para os seguidores nas redes sociais:
“Eu não estou muito legal de verdade, o que eu tinha melhorado, eu regredi. E isso acontece constantemente na anemia falciforme. Como vocês podem ver, eu voltei o oxigênio e a dor, ela tá muito forte. A morfina voltou a serde 4 em 4 horas e aumentou a quantidade da dosagem. E mesmo assim, acabei de tomar morfina agora e eu ainda tô com dor, uma dor nível 6, o que é muito pra quem acaboude tomar morfina. Mas é isso, gente, cada dia é um dia. Sinceramente, eu tô bem ansiosacom vontade de ir para casa e eu tô aqui para mostrar a realidade para vocês, não tem porqueeu mentir, né? Então é isso, gente”, disse.
Em 29 de abril, Ana havia realizado a transfusão de sangue da qual necessitava, apresentou melhora e aguardava a amenização das dores para interromper o uso da morfina e, posteriormente, receber alta. No entanto, conforme relatado pelo pai, a jovem continuou internada.
Maxwell relembra que o caso da filha é um pouco mais complicado que o comum, pois o sangue dela é fenotipado, o que exige uma compatibilidade mais precisa entre os materiais genéticos.
MAIS: Anemia falciforme: entenda a condição e a urgência de doações de sangue para jovem internada
Ele também destaca que, apesar de o Hemocentro ter encontrado um doador compatível no último procedimento, desta vez essa pessoa não poderá realizar uma nova doação, devido ao prazo mínimo de três meses entre as doações.
“A grande questão que a gente precisa resolver é que haja muitas doações. Quanto mais gente doando sangue O negativo, mais fácil será para o Hemocentro encontrar alguém compatível com o sangue fenotipado. Mesmo que não seja diretamente para a Bia, esse sangue vai ser usado por outras pessoas, mas, de repente, pode aparecer alguém com o mesmo fenótipo que ela”, afirmou.
Isso é necessário porque o sangue de Ana é fenotipado, o que significa que ele tem características específicas que podem causar reações imunológicas se não houver uma compatibilidade completa.
Fenotipagem é uma técnica que vai além do ABO e Rh, que são os grupos sanguíneos mais conhecidos, e envolve outros 42 grupos sanguíneos. Para quem recebe transfusões constantes, como os portadores de anemia falciforme, ter um alto grau de compatibilidade é essencial.
Leia Mais
O que é a Anemia falciforme?
Segundo a Biblioteca Virtual de Saúde, do Ministério da Saúde, a anemia falciforme é uma doença genética que altera o formato dos glóbulos vermelhos, fazendo com que eles se tornem rígidos e em forma de foice.
Isso dificulta o transporte de oxigênio pelo corpo e favorece a anemia. Pacientes com essa condição precisam geralmente de transfusões regulares, o que torna a doação de sangue ainda mais importante.
O teste do pezinho, realizado gratuitamente antes do bebê receber alta da maternidade, pode fazer a detecção precoce de hemoglobinopatias, como a anemia falciforme. Em casos posteriores, a detecção também pode ser feita através do exame eletroforese de hemoglobina.
Estoques de sangue na região
De acordo com a última atualização do Hemominas desta quarta-feira (14), os estoques de sangue encontram-se da seguinte forma:
- O+ e O- estão em situação crítica.
- A+, A-, B- e AB- estão em situação de alerta.
- Os níveis do B+ estão adequados e o AB+ estável
Como doar?
As doações podem ser feitas no Hemocentro Regional de Uberlândia, localizado na Avenida Levino de Souza, nº 1845, no bairro Umuarama.
Horários de atendimento:
- Segundas-feiras: das 7h às 11h30 e das 14h às 16h
- Terças a sextas-feiras: das 7h às 11h30
- Segundo e último sábado de cada mês: das 7h às 11h30
É possível agendar a doação pelo site do Hemominas ou pelo MGapp – Cidadão. Mais informações pelo contato (34) 3088-9200.
