Anvisa apreende lotes falsos de medicamentos contra câncer; confira a lista
A medida atinge lotes de Keytruda e Kadcyla após a identificação de irregularidades que confirmaram a falsificação dos produtos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de lotes falsos de medicamentos utilizados no tratamento do câncer. A medida proíbe a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos em todo o país após a confirmação de irregularidades que caracterizam falsificação.
A decisão consta na Resolução RE nº 2.265/2026, publicada no Diário Oficial da União.
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Lotes falsos de medicamentos acendem alerta da Anvisa
No caso do Keytruda (pembrolizumabe), a determinação atinge o lote Y013149, atribuído a uma empresa não identificada.
Segundo a Anvisa, a fabricante do medicamento no Brasil, Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda., informou que não reconhece como autêntico o número de série 100859110521, vinculado ao lote Y019149, com data de fabricação de 31 de julho de 2024.
Após identificar a inconsistência, a agência concluiu que o produto era falsificado e determinou sua retirada imediata de circulação. O Keytruda é indicado para o tratamento de diversos tipos de câncer.
Kadcyla falsificado não continha medicamento contra o câncer
Entre os lotes falsos de medicamentos identificados pela Anvisa estão unidades do Kadcyla (trastuzumabe emtansina), indicado para pacientes com câncer de mama HER2-positivo. A agência determinou a apreensão dos lotes H6980H05 e H8249A43 após denúncia da fabricante Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos S.A.
De acordo com a empresa, os produtos encontrados no mercado apresentavam diferenças em relação ao medicamento original.
Entre as irregularidades identificadas estão:
- falhas na arte gráfica das embalagens;
- divergências nos selos de segurança;
- ausência do código de rastreamento 2D DataMatrix;
- números de série inexistentes nos registros da fabricante;
- diferenças no rótulo, na tampa, no batoque e no formato do frasco;
- erros no layout e na dobra da bula;
- ausência de figuras ilustrativas e códigos de controle;
- presença de textos incoerentes em língua estrangeira.
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Análise revelou ausência do princípio ativo
Além das divergências visuais, uma análise laboratorial confirmou que os frascos apreendidos não continham o princípio ativo trastuzumabe emtansina, responsável pela ação terapêutica do medicamento.
Segundo a Anvisa, o conteúdo analisado continha apenas sorbitol, substância utilizada em diferentes aplicações farmacêuticas, mas sem eficácia para o tratamento do câncer.
A constatação reforçou a caracterização da fraude e levou à proibição imediata dos lotes.
Outras medidas da Anvisa
A resolução também determinou ações contra outros produtos e empresas do setor farmacêutico.
Entre elas estão:
- apreensão de lotes falsificados do medicamento Hormotrop (somatropina);
- suspensão da comercialização e da propaganda de formulações manipuladas pela empresa Dia Pharma II Farmácia de Manipulação Ltda.;
- recolhimento e suspensão da manipulação, propaganda e uso de produtos à base de tirzepatida produzidos pela empresa Nutromni Serviços de Nutrição Parenteral e Enteral Ltda.
Segundo a Anvisa, as medidas têm caráter preventivo e buscam proteger a saúde pública diante da circulação de medicamentos irregulares ou falsificados.
O que fazer em caso de suspeita
Pacientes e profissionais de saúde que identificarem embalagens com características diferentes das informadas pelos fabricantes devem interromper o uso do produto e comunicar imediatamente a Anvisa ou os canais oficiais das empresas responsáveis pelos medicamentos.
A orientação também vale para hospitais, clínicas, distribuidoras e farmácias que possam ter recebido unidades dos lotes interditados.