“Amor, esse é o legado”: ex-funcionárias de Odelmo relembram memórias de carinho
Entre milhares de moradores que prestaram as últimas homenagens na Arena Sabiazinho nesta terça-feira (28), Luzia Maria Lopes e Nair Maria de Jesus contaram histórias de bastidores que revelam o lado humano do político
Longe dos palanques, dos microfones e dos gabinetes, quem viveu no cotidiano da casa de Odelmo Leão conheceu uma figura frequentemente descrita pela simplicidade, pela inclusão e pela afeição às pessoas.
Na manhã desta terça-feira (28), durante o velório do ex-prefeito na Arena Sabiazinho, duas mulheres que atuaram por décadas no trabalho doméstico da família Leão compartilharam lembranças sobre o homem por trás do político.

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Odelmo faleceu na noite de segunda-feira (27), aos 80 anos. O sepultamento está marcado para as 17h30 desta terça-feira (28), no Cemitério São Pedro, onde fica o jazigo da família.
Onde estivesse, Odelmo falava de Luzia, sua funcionária por 34 anos
Luzia Maria Lopes, de 64 anos, chegou à rotina da família Leão há mais de três décadas para um trabalho temporário que acabou se transformando em uma vida inteira de convivência. “Eu fui para ser babá da Maria Hilda [filha do casal]. De babá, eu fiquei morando na casa. Eu trabalhei 12 anos para a sogra dele. Quando a Maria Hilda nasceu, a Ana Paula pediu emprestado para a mãe dela por um mês. E esse um mês virou 34 anos”, relatou.
Entre as memórias de viagens e o dia a dia na residência, Luzia destaca a forma como era incluída publicamente pelo ex-prefeito: “Todas as festas, todos os aniversários, ele falava o nome da família dele, dos filhos dele e o meu no meio. Ele nunca foi num lugar que, mesmo se eu não estivesse, ele não falasse o meu nome. Tinha alguma coisa na Câmara, quando ele era prefeito, eu ia lá e ele falava meu nome lá. Nas festas, na chácara…”, relembrou, emocionada.
Nair e Odelmo, ligados pelos laços de cuidado e afeto
Natural de Pirapora, Nair Maria de Jesus Souza, de 53 anos, chegou a Uberlândia há 34 anos e teve no lar de Odelmo seu primeiro emprego na cidade. Trabalhou na casa da família Leão por 16 anos e manteve os laços de afeto ao longo de toda a vida.

Uma das passagens mais marcantes para Nair aconteceu quando engravidou da primeira filha. “Qquando engravidei da minha primeira filha, trabalhava lá. Ele um dia chegou e falou que queria ser o padrinho. E eu fiquei assim: ele, deputado, padrinho da minha filha? Um dia ele chegou de Brasília numa quinta-feira e disse: ‘Domingo nós vamos batizar ela, senão daqui a pouco ela vai casar e a gente não batizou’. Ele quis ser padrinho da minha filha, e eu era doméstica dele”, recordou.
Nair também relembrou os momentos de lazer na chácara da família, onde Odelmo cuidava do bebê para que ela pudesse trabalhar, e a forma despretensiosa com que o ex-gestor agia no cotidiano: “Quero lembrar esse legado que ele deixou, de humildade. Chegava na casa da gente, tomava café no copo de requeijão. Ai de alguém se fosse dar alguma xícara para ele! Na casa dele era copo de requeijão. A gente chegava, ele perguntava: ‘Você já comeu?’. Quantas vezes eu, mesmo não estando trabalhando lá, chegava e ele perguntava. Eu não ia embora sem comer alguma coisa. Amor, esse é o legado”, concluiu.
Funcionárias de Odelmo Leão se despediram nesta terça-feira (28)
As histórias relatadas por Luzia e Nair na Arena Sabiazinho somam-se às de milhares de uberlandenses que acompanharam as homenagens ao ex-prefeito ao longo do dia, reforçando que o carinho popular por Odelmo Leão foi construído nas relações humanas e na atenção dedicada a cada pessoa com quem conviveu.

As ex-funcionárias estavam na manhã desta terça-feira (28), durante o velório do ex-prefeito de Uberlândia. O sepultamento do ex-prefeito está agendado para as 17h30, no Cemitério São Pedro, onde fica o jazigo da família Leão.
Acompanhe o Portal Paranaíba Mais para conferir a cobertura completa sobre a morte de Odelmo Leão.