Agosto Dourado: como amamentação e acolhimento afetam a saúde de mãe e bebê

Especialistas reforçam os benefícios da amamentação para a saúde do bebê e da mãe e defendem acolhimento às mulheres que enfrentam dificuldades durante a lactação

, em Uberlândia

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O Agosto Dourado reforça, ao longo deste mês, a importância da amamentação para a saúde de bebês e mães. A recomendação de manter o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, convive com uma realidade que nem sempre aparece nas campanhas, a dor, a baixa produção de leite, dificuldades na pega, prematuridade e condições clínicas, que podem tornar o processo difícil. Para especialistas, incentivar e oferecer acolhimento às mulheres que enfrentam essas situações são medidas que devem caminhar juntas.

Agosto Dourado amamentação
Amamentação contribui para a saúde do bebê e da mãe, mas dificuldades durante a lactação também exigem acolhimento e orientação – Créditos: Freepik/Reprodução

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Por que o leite materno é tão importante

O leite materno é considerado uma fonte completa de nutrientes para os primeiros meses de vida. Além de proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais, ele contém componentes biológicos que participam da proteção imunológica e do desenvolvimento do bebê.

De acordo com a Dra. Deborah Radd, nutróloga do Instituto Nutrindo Ideais e especialista em saúde materno-infantil, a complexidade do leite materno vai além da nutrição básica.

“O leite materno contém células maternas vivas, anticorpos, enzimas, hormônios e compostos que fortalecem a microbiota intestinal do recém-nascido. Essa combinação reduz de forma expressiva o risco de infecções respiratórias, gastroenterites, obesidade e diabetes e leucemia infantil”, destaca a médica.

Os efeitos não se restringem à imunidade. A amamentação também está relacionada ao desenvolvimento neurológico e cognitivo da criança, enquanto o contato físico, a voz, o olhar e a interação durante as mamadas contribuem para a construção da segurança emocional.

Por isso, a recomendação é que o aleitamento materno seja exclusivo até os 6 meses de idade, sempre considerando a avaliação individual da mãe e do bebê.

Nem sempre amamentar acontece como planejado

Apesar dos benefícios, a experiência da amamentação pode ser diferente da expectativa criada durante a gestação.

A psicóloga Bruna Augusto Maiani, que trabalha com desenvolvimento emocional na infância, vínculo entre pais e filhos e saúde mental materna, explica que fatores físicos, emocionais e clínicos podem interferir no processo.

Dor intensa, baixa produção de leite, dificuldades na pega, prematuridade e condições relacionadas à saúde da mãe estão entre os obstáculos possíveis.

“O leite materno tem benefícios amplamente reconhecidos, por isso o incentivo à amamentação é tão importante. Mas também precisamos olhar para a saúde emocional dessas mulheres. Muitas mães vivem um sofrimento silencioso quando não conseguem amamentar exclusivamente no peito ou precisam interromper esse processo antes do que desejavam.”

Agosto Dourado amamentação
Amamentação pode envolver diferentes formas de manejo do leite materno, como a extração com bomba – Crédito: Freepik/Reprodução

Para a especialista, transformar a dificuldade em uma espécie de fracasso pessoal pode ampliar sentimentos de culpa, tristeza, ansiedade e inadequação.

“Existe uma expectativa social muito grande de que a amamentação acontecerá de forma natural, mas nem sempre isso corresponde à realidade. Quando a mãe acredita que falhou, ela pode desenvolver sentimentos de culpa, tristeza, ansiedade e inadequação justamente em um momento em que precisa de acolhimento.”

Vínculo entre mãe e bebê

A amamentação é uma forma importante de interação entre mãe e filho, mas não é a única maneira de estabelecer vínculo.

Contato pele a pele, colo, olhar, voz, banho, troca de fraldas, alimentação e resposta às necessidades do bebê também fazem parte da construção da relação.

“O vínculo é construído na relação cotidiana. O bebê precisa sentir que existe um adulto disponível, sensível às suas necessidades e capaz de oferecer segurança. Isso pode acontecer durante a amamentação, mas também enquanto recebe uma mamadeira, durante o banho, no colo ou em qualquer momento de cuidado e afeto.”

A orientação também se estende aos familiares. Comentários sobre a quantidade de leite, a escolha de oferecer fórmula ou a duração da amamentação podem aumentar a pressão sobre a mãe em vez de ajudá-la.

“Em vez de perguntar por que ela não está amamentando, talvez a pergunta mais importante seja: ‘Como você está?’. Muitas mães precisam mais de escuta do que de conselhos. Acolher sem julgamentos faz toda a diferença nesse período.”

Leia Mais: Maternidade real: como equilibrar a saúde mental e física no ‘furacão’ do pós-parto?

Impactos de longo prazo na saúde da mulher

Os benefícios da amamentação ultrapassam a fase de lactação e protegem o organismo feminino por décadas. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) indicam que mulheres que amamentam por cerca de 18 meses ao longo da vida apresentam reduções significativas em riscos vasculares:

  • 11% a menos de risco de doenças cardiovasculares em geral;

  • 12% a menos de risco de Acidente Vascular Cerebral (AVC);

  • 14% a menos de risco de infarto agudo do miocárdio.

No campo da oncologia, estimativas indicam que a cada 12 meses de amamentação acumulados, o risco de desenvolvimento de câncer de mama cai cerca de 4,3%, oferecendo proteção inclusive contra subtipos mais agressivos do tumor.

A prática também auxilia no controle glicêmico no pós-parto e reduz as chances de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e câncer de ovário.

Agosto Dourado: incentivo e acolhimento

A campanha do Agosto Dourado busca ampliar a conscientização sobre o aleitamento materno e seus benefícios. Para Bruna Maiani, entretanto, defender a amamentação não deve significar responsabilizar ou culpabilizar mulheres que encontram dificuldades.

“Promover a amamentação também significa cuidar da saúde mental materna. Quando uma mulher se sente respeitada, orientada e acolhida, ela consegue viver a maternidade com mais leveza, independentemente do caminho que a amamentação tomar.”

O ponto central, portanto, é conciliar informação e apoio, o leite materno possui benefícios comprovados e deve ser incentivado, enquanto mães que enfrentam dificuldades precisam receber orientação adequada e suporte, sem que a forma de alimentação do bebê seja utilizada como medida de amor, dedicação ou competência materna.

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